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Máquina

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O futebol é uma “máquina de moer gente” e tem vários métodos diferentes para atingir seu objetivo. Assistindo ao programa Bola da Vez, na ESPN, durante a entrevista, o atacante Marcelo Moreno, maior artilheiro da história da Bolívia e que brilhou no Cruzeiro, conta que quando começou a ganhar muito dinheiro, jogando na Ucrânia, por pouco não pôs a carreira a perder. “Tive pessoas que me ajudaram e voltei a focar nos treinos”, disse ele relembrando com sorrisos o período que desafiou sua vontade de ser atleta em oposição ao desejo de curtir a vida com a grana que estava recebendo.

Pois bem, esse é apenas um dos métodos da máquina de moer gente. O futebol lhe dá com uma mão e, se você não tiver cuidado, lhe tira com a outra. O meia Adryan, agora ex-ABC é um exemplo disso. Pelo inicio de carreira que teve, os elogios que recebeu e os contratos que fechou, jogar apenas cinco jogos no ABC e acertar uma frustrante rescisão mostram que ele já foi “moído” pela máquina.
Ainda nas categorias de base do Flamengo, onde surgiu, Adryan foi comparado a Zico. Isso gerou uma expectativa e uma cobrança que o atleta nunca conseguiu superar. Ele ficou de 2011 a 2014 no Fla e foi emprestado a Cagliari, Leeds e Nantes. Em 2016 voltou e no ano seguinte deixou o clube carioca. O meia acabou deixando o Flamengo de graça em 2017. Um ano antes, ele pediu para ser negociado com o Nantes, onde viveu o melhor momento da carreira. A falta de acordo financeiro, porém, o fez ficar sem chances no RJ.
Chegou ao ABC para ser a referência técnica no meio campo. Entrou em campo apenas cinco vezes e, nem de longe, foi o que se esperava de um jogador que despontou com tanta qualidade. Deixou o Alvinegro e, aos 29 anos, foi anunciado como reforço da Portuguesa-RJ. Será seu 10° clube na carreira.
Qual terá sido o pecado cometido por Adryan? Seria culpa dele? Ele foi superestimado? Caiu nas armadilhas da fama e do dinheiro? Não posso afirmar se a resposta estaria nessas ou em outras teorias. Mas garanto que a máquina de moer gente atuou mais uma vez e Adryan é um dos casos, seja na forma “dolosa ou culposa”.
Ah, e o ABC onde se encaixa nisso? Precisa escolher melhor.

Colaboração

O repórter Vicente Estevam, assistindo ao duelo entre Vasco e Fortaleza pela Copa do Brasil se indignou com o Tricolor Marinho, escreveu um comentário e me enviou. Reproduzo o texto abaixo:

Na dança das chuteiras sobre o gramado, há quem desfile com a elegância de um cisne e há quem se arraste como um velho malandro das ruas. Marinho, o atacante do Fortaleza, parece escolher o segundo caminho, transformando o belo jogo em um teatro de sombras, onde cada queda é um ato, cada grito um exagero.
A bola rola, e com ela, a certeza de que algo precisa mudar. A Justiça Desportiva do Brasil, guardiã dos princípios do esporte, deve erguer a bandeira da integridade e criar leis que coíbam os artistas da enganação, aqueles que veem no drible não uma arte, mas uma artimanha para ludibriar não só os adversários mas também os árbitros.
Marinho, o mestre das encenações, cava faltas e pênaltis com a destreza de quem conhece cada centímetro do palco. Mas o futebol, cada dia mais um espetáculo de profissionalismo e seriedade, não pode permitir que tais atitudes manchem sua essência.
Em tempos de luta por um jogo limpo, não há espaço para os “jogueiros” da malandragem. Seu comportamento, inalterado mesmo à beira do adeus aos campos, clama por punições severas. Talvez, assim, o milagre da transformação ocorra dentro das quatro linhas.
Não deve ser o adversário, frequentemente a vítima da trama ardilosa, nem a arbitragem, que por um erro pode ter toda a sua atuação questionada, a pagar o preço da malícia. É o malandro que deve aprender que o futebol é mais do que um jogo; é um compromisso com a honra.
O STJD, vigilante dos erros de arbitragem, deve também voltar seus olhos para os atos de simulação evidentes e arrastar o autor dessas farsas ao tribunal. Com punições progressivas, multas e suspensões, quem sabe o tribunal não ensine, ainda que tarde, que no futebol, como na vida, a malandragem não compensa.
E assim, talvez, o tribunal possa, enfim, inculcar bons modos nesse universo onde a bola gira e a justiça deve prevalecer.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

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