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Matador e Sarampo

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Rubens Lemos Filho

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O atacante Anderson Jacaré era respeitado no interior do Paraná. Louro, poderia arriscar uma ponta na febre das telenovelas em 1977. Anderson veio para o ABC substituir Reinaldo, vendido ao Santos por 1 milhão e 500 mil cruzeiros e a sua responsabilidade era de matador implacável.

O duelo dos centroavantes prometia. O presidente do América, Jussier Santos trazia, do Fluminense (RJ) Aloísio(foto), um loiro oxigenado de praia, reserva do maluco e craque argentino Narciso Doval.


A Máquina Tricolor, com Pintinho, Rivelino e Paulo César Caju no meio, Gil, Doval e Dirceu no meio-campo, daria uma chance a Aloisio talvez 20 décadas depois. Olho clínico, Jussier percebeu que o galego sabia jogar, saía do meio-campo para armar e atacar vindo de trás.


As resenhas esportivas estabeleciam a guerra entre Anderson e Aloisio que, marrentos, partiam para cima dos clubes pequenos: Riachuelo, Ferroviário, Força e Luz e Atlético fulminando pobres goleiros. O problema estava nos clássicos.


No primeiro confronto, dia 3 de julho, domingo, as duas torcidas acordaram a cidade com passeatas e batucadas com o América jogando pelo empate para ganhar o primeiro turno e, se ainda perdesse, outro placar igual lhe garantiria vaga na decisão.


A sede do América ficou lotada pelos sócios embalados pelo ritmo do Mestre Lucarino, um dos papas do samba de Natal, ele pela Balanço do Morro e Melé pela Malandros do Samba. Todo mundo saiu calibrado para o Estádio Castelão ocupado por 25.532 torcedores. O ABC estava mortificado por resultados terríveis que o puseram em desvantagem.


Para a Frasqueira, Anderson retribuiria a confiança expostas em faixas e bandeiras com o seu nome. Anderson perde três gols e o América abre o placar em lançamento perfeito do meia Marinho Apolônio para o ponta Ronaldinho que se meteu entre os beques e saiu para comemorar quase pondo a mão no caneco.


O excepcional quarteto de meio-campo do ABC consagraria qualquer artilheiro mediano, menos Anderson. Os quatro ases: Baltazar, Danilo Menezes, Zé Carlos Olímpico e Maranhão Barbudo.


Ainda no primeiro tempo, pênalti para o ABC, convertido pelo hábil Zé Carlos Olímpico, que faria o segundo, para decepção russa. Anderson foi esquecido temporariamente. Aloisio, cobrado até descer aos vestiários.
Quando a rodada era dupla, ABC e América contra timecos, Aloisio marcava cinco, Anderson, quatro, mas o povão não se deixava enganar.


Aloisio conseguira formar bela dupla com Marinho Apolônio. Ânderson recebia redondinha do genial Danilo Menezes e devolvia de canela. O ABC venceria o primeiro turno em jogo extra por 2×0, dois gols de bola parada cobrados pelo volante Baltazar.


O América venceu o segundo turno por 1×0, gol do implacável Marinho Apolônio e a briga no teceiro chegava a apostas no velho Bairro da Ribeira, se Aloisio ou Anderson balançariam as redes no próximo clássico, que chegou dia 21 de agosto com direito a show dos Trapalhões logo depois.


Aloísio, então, resolveu provar que goleador de verdade era ele. Aos 28 minutos do segundo tempo, tem a bola dominada e, ao aplicar o drible seco, tirou do lance os zagueiros Pradera e Domício chutando sem defesa para o goleiro Hélio Show. O América ganhava o terceiro turno e ficava a um empate do título.


Anderson, envergonhado, soube, por um roupeiro, que os colegas jogaram a toalha por conta dele, forte contra os fracos e impiedoso com os indefesos. Totalmente alijado, a Anderson coube nada nobre tarefa de começar a maior briga da história do futebol do Rio Grande do Norte perseguindo o volante Zeca.


A passagem de Anderson ainda duraria um semestre. No Campeonato Nacional, foi outro fiasco, carregando o infame apelido de Sarampo, doença que só dá em pequenos. Trouxeram o cearense Jorge Costa e ele foi embora. Jogou no Mixto e no Operário de Mato Grosso, onde encerrou a carreira e partiu para ser técnico.

Anderson morreu em acidente de carro quando treinava o Cáceres(MT).


Aloísio saiu do América para o Ceará, depois Botafogo (RJ) e Santos(SPP), entre clubes de alto nível e intermediários. Os velhos torcedores lembram dele. Anderson é um papel amassado, em branco, no baú dos fracassos do futebol.

Segunda melhor Ao menos em motivação, a Segunda Divisão do campeonato potiguar está dando de sandália japonesa no melancólico fim de ano de ABC e América. Há bons jogos, disputas acirradas e recorde de audiência da FNTV que transmite as partidas. Apesar da denúncia de fraude de apostadores.

Sem categoria A maior parte dos jogadores de ABC e de América não teria condição técnica de disputar o Matutão, campeonato interiorano criado pelo saudoso jornalista Everaldo Lopes. O Matutão revelou nomes que hoje poderiam estar na Série B.

Correção Coluna se embatucou: o América vai indicar representantes(minoritários) em comissões da SAF. Só passa longe do futebol.

Argel Nada pessoal, mas não há mais segurança na presença de Argel no ABC. Os resultados falam pela verborragia. Ou o ABC dá uma sacudida geral ou não haverá esperanças.

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