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Não pode mais parar.(6 de outubro chegou)

Cassiano Arruda Câmara

As eleições são um momento crucial para a democracia, e é importante garantir que ocorram de maneira justa e transparente. Como tem acontecido em todas elas, depois da virada do século, o nosso Rio Grande do Norte se prepara para a próxima eleição escolhendo os candidatos do próximo pleito e rezando para que, das urnas, possa emergir um líder, para substituir os últimos, surgidos a partir dos anos 1970, com claros indícios de estarem acometidos de “fadiga de material”.

Mesmo sendo um Estado pequeno e pobre, com a menor representação federal, o RN nunca foi um apoiador compulsório das decisões nacionais, encontrando sempre uma brecha para impor as suas próprias prioridades. E tendo sempre um líder local com maior peso eleitoral do que os próprios partidos políticos.
Nesse meio tempo sempre abriu espaço para um nome novo, especialmente se este aqui chegava com muito dinheiro para investir numa carreira política, como aconteceu com Eider Varela, Antônio Florêncio, Jessé Freire Filho e Flávio Rocha.

PESO DOS NOMES

O RN sempre conseguiu impor características próprias, a partir das suas lideranças. Depois dos anos 1960, acima dos partidos (mesmo depois de 1964), com dinartistas e aluízistas, grupos formados por seguidores de Dinarte Mariz (eleito Governador em 1955) e (Aluízio Alves, Governador de 1960), seguidos pelos três Maia (os governadores Tarcísio, Lavoisier e José Agripino entre 1974 a 1982).
No meio do caminho aconteceu um acidente, tirando de campo um Governador, o mossoroense Dix-sept Rosado, eleito em 1950, com amplas condições de firmar uma liderança, não tivesse sido morto, num acidente de avião, no Estado de Sergipe, juntamente com metade do seu secretariado e, apenas, seis meses de Governo. O grupo levava o projeto de abastecimento d’água para Mossoró, maior sonho da cidade para buscar recursos federais.
Na geopolítica potiguar, a família Rosado por mais de cinquenta anos, baseada em Mossoró sempre representou uma força independente na política estadual, com Dix-Huit e Vingt Rosado, os de maior expressão depois de Dix-Sept.

SEM INTERMEDIÁRIOS

Agora já faz tempo que se espera por um líder, que não aconteceu com os últimos governantes, incluindo a professora Fátima Bezerra (mais Wilma de Faria, Geraldo Melo, Rosalba Ciarlini Rosado e Robinson Faria). Fátima foi eleita e reeleita, mas sem representar uma liderança. Na verdade, ela sempre foi uma dedicada militante do Partido dos Trabalhadores, tendo Lula como o seu líder absoluto.
É visível uma mudança nas campanhas, principalmente, depois de instituído o financiamento público das eleições, direto de recursos do Tesouro Público, sem passar por intermediários.
É possível que o Fundo Eleitoral esteja criando condições para um novo estilo de fazer política, principalmente, no Nordeste, uma vez que – até aqui – o controle dos recursos do Fundo Eleitoral, vem sendo feito pelo detentor do mandato gerador dos seus recursos, do que da direção do partido. Mas não se sabe até quando esse princípio vai prevalecer.

DENTRO DO PRAZO

E agora? Está sendo vencido um prazo (fora do calendário oficial) que antecede ao dia 20 de julho (último prazo para o registro de candidaturas), que já índica algumas tendências, a partir de candidaturas postas em cima de definições que vão muito além das estruturas partidárias.
Em Natal, por exemplo, a eleição se encaminha para quatro candidaturas:
A do PT (que nunca elegeu um prefeito de Natal), e tem a deputada federal Natália Benevides, duas vezes a mais votada da capital, contando com o apoio integral do presidente Lula e da governadora Fátima, ambos com suas administrações mal avaliadas por aqui.
A candidatura do ex-prefeito Carlos Eduardo, primeiro lugar em todas as pesquisas divulgadas e com larga margem, podendo até decidir a parada logo no primeiro turno.
O chamado grande eleitor, o prefeito Álvaro Dias, que anunciou seu apoio ao deputado federal Paulinho Freire, do União Brasil, que está com o nome lançado, mas, sem ter decolado ainda.
Nessas três hipóteses não teremos uma disputa Bolsonaro X Lula, porque ninguém tem a cara do ex-Presidente. Mas, ainda tem o general Girão, além de Rafael Mota, um nome que cresce, mas não encontra uma estrutura que lhe garanta as condições eleitorais necessárias, podendo aparecer mais algum de última hora esperando se viabilizar. E ainda temos mais de um mês de prazo para alguém se viabilizar.

E O LÍDER?
Dificilmente sairá de Natal um líder pronto e acabado. Mas ninguém ainda falou em Mossoró que também tem eleição e o seu atual prefeito, Allyson Bezerra, 31 anos, engenheiro civil, sem pertencer à família tradicional, está com seu governo avaliado positivamente por 68% do eleitorado.
Allyson vem ocupando, em termos de geopolítica, o espaço da família Rosado, nos últimos 50 anos (que lhe faz oposição) na política estadual.
Isso não quer dizer que o esperado Líder Estadual do Rio Grande do Norte venha a surgir em Mossoró e muito menos na próxima eleição.
Mas não custa nada abrir possibilidades, e existem uns dez municípios no Estado com caixa para entrar nesse sonho.

NOTA DE ESCLARECIMENTO DA PETROBRAS

Com relação a nota “Enquanto anuncia expansão, Petrobras fecha escritório”, publicada na coluna Roda Viva no último domingo (5), a Petrobras esclarece que não procede a informação sobre fechamento de escritório em Natal (RN) e informa que as mudanças organizacionais mencionadas na nota ocorreram em 2023 e não representam qualquer encerramento das atividades da companhia em Natal e no Rio Grande do Norte.

A Petrobras está no Rio Grande do Norte há mais de 40 anos e em seu Edifício Sede no estado (EDIRN) atuam mais de mil trabalhadores, ligados ao segmento de E&P e outras áreas de atuação da companhia. A companhia mantém ainda um polo da Universidade Petrobras no local. No ano passado, a Petrobras já havia divulgado que o edifício vai abrigar as atividades da companhia voltadas para projetos de energia eólica. A forte presença dessa atividade no estado é notória, onde já funcionam diversos projetos e centros de estudos voltados para energia eólica. A iniciativa está totalmente alinhada ao Plano Estratégico da companhia, que prevê investimentos em energias renováveis, incluindo eólica onshore e offshore.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

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