sexta-feira, 24 de maio, 2024
28.4 C
Natal
sexta-feira, 24 de maio, 2024

O bom malandro

[email protected]

Francisco Diá chegou ao Estádio Maria Lamas Farache em estilo conciliador. Sua função não será a de se jogar em guerra surda e frontal com o técnico do ABC, Marcelo Cabo, mas Diá conhece e não gosta do time que hoje cerca os ares de Ponta Negra.

Diá fará um trabalho de longo prazo afinando a linguagem prática, a partir das categorias de base até os profissionais. Chega de jogador com dois metros de altura e nenhuma habilidade.
Executivo de Futebol não será a função de Diá. Esse tipo de gente contrata direto com o atravessador, no caso o empresário. Diá vai fazer o que melhor sabe: descobrir novos talentos para um clube que precisa desesperadamente de um norte para a Série C que começa segunda-feira contra a Ferroviária em Araraquara(SP).
Que os deuses da bola me contrariem, mas o ABC começa cabisbaixo a competição. É o adversário preferido da maior parte dos integrantes da 3ª Divisão, que acompanharam, todos eles, a bizarra temporada de 2024 até agora.
O ABC tem problemas sérios. O buraco é na tesouraria. Não há dinheiro. Não há grana para se indenizar o pacote de pernas de pau contratado este ano.
A diretoria, num ato temerário e, sim, irresponsável, delegou demais a gente com competência de menos a missão de contratar as nulidades que castigaram o gramado do Frasqueirão na Copa do Nordeste, Copa do Brasil e, para desespero da Frasqueira, do Campeonato Potiguar, do qual sequer foi finalista.
Outro fato importante. Se cair o senhor Marcelo cabo, que já deveria ter procurado a diretoria e pedido para ir embora, Diá não assumirá de forma nenhuma.
A função de assessor não guarda, obrigatoriamente, relação com o segundo semestre deste ano. Quem conhece Diá sabe, entretanto, que ele vai dar seus palpites e aí é que há a chance certa de despedir Marcelo Cabo de se contratar alguém com maior brilho, afinado com o estilo Diá de ser.
Há gente dentro do ABC contra Diá. Aqueles nobres conselheiros e dirigentes que fazem parte da burguesia mais fina de Natal engoliram como espinha de traíra a contratação de alguém que já deveria estar há muito tempo ajudando a corrigir as trapalhadas da diretoria.
Diá sabe dos seus opositores internos, dos seus inimigos cordiais. Deixem que ele tenha autonomia e ordene mudanças, se bem que nem Pep Guardiola ensina as topeiras trazidas pelo ABC a ter intimidade com a bola. Quem contratou esses jogadores, desde 2023, definitivamente não queria o melhor para o ABC.
Diá poderá trazer de volta os olheiros. A sua filosofia é a seguinte; jogador nordestino leva vantagem técnica porque aprimora seu talento na areia da praia, no campinho de bairro, na quadra de futebol de salão, enquanto os outros curtem escolinha paga.
São levados pelas mamães da grã-finagem para campos de grama artificial ou calçando as melhores chuteiras do planeta. E torcendo, claro, pelo Chelsea, Real Madrid ou Manchester City.
Abrir o ABC para os humildes é uma das convicções de Diá, que vai pintar como quem não quer nada em campeonatos de subúrbio a fim de encontrar joias que ele garimpou durante mais de 20 anos de atividade futebolística no profissional, fora nas copas amadoras que disputou jogando, lá no velho Juvenal Lamartine.
Diá é desorganizado pessoalmente, mas nos seus olhos cintilantes está uma trajetória que não permite erros seja como técnico, seja no momento como assessor, consultor, gerente, deem a função que quiserem, esta é uma discussão absolutamente inócua.
O ABC pega a Ferroviária lá em Araraquara e o técnico deles, Vinícius Bergantim declarou, sem rodeios: “Vamos ter que subir o sarrafo, a qualidade e a concentração para enfrentarmos adversários duríssimos, para que a gente consiga fazer um campeonato sempre pontuando”. Uma prova de que a moral do ABC está lá embaixo.
Deixem Diá trabalhar. Do seu jeito, dos seus trejeitos, no seu idioma próprio. Ele é muito melhor do que todos os técnicos que o antecederam e estreia uma nova missão que o seu jeito cabreiro e de bom malandro, haverá, com graças de todos os santos, ajudar o ABC.

Randerson O ABC estaria perdendo o jogador Randerson, das bases, para o Goiás. Sinceramente, se ele for, não vai fazer falta. É um típico jogador trivial, de quem não se espera um lance que decida uma partida.

Liseu De fonte segura: O América SAF estaria pedindo adiantamento de receitas de 2025(cotas de televisão, por exemplo). Mais o milhão à presidência. Cadê a potência dos investidores? O pano começa a cair.

O problema O problema que vai ser enfrentado pela SAF é que qualquer adiantamento de receita só acontece com autorização do Conselho Deliberativo. No América é Conselho Concordativo.

Sousa Sousa, o meia que carregou o América nas costas no Campeonato Estadual, anda reclamando. Quer aumento de salários e deve sair do time. A SAF ainda não se pronunciou.

Últimas Notícias
Notícias Relacionadas