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O que é dor?

Dr. Michel Araújo
Ortopedista e Intervencionista da Dor

Quem nunca sentiu dor que levante a mão. A dor é considerada o quinto sinal vital, juntamente com a frequência cardíaca, frequência respiratória, pressão arterial e temperatura. Então dor é algo fisiológico, precisamos dela, pois nos avisa que algo de errado, alguma agressão ao nosso corpo, está acontecendo, funciona como um mecanismo de defesa.
A IASP (International Association for the Study of Pain) defini Dor como “uma experiência sensitiva e emocional desagradável associada, ou semelhante àquela associada, a uma lesão tecidual real ou potencial”, ou seja a dor é uma sensação, e cada um sente de uma forma diferente. Pode ser comparada com a saudade, não tem como dizer que minha saudade é maior ou menor que a sua, a minha saudade pode estar maior hoje e menor amanhã. Além disso não é necessário haver uma lesão tecidual para poder confirmar a dor, isso é muito importante, por exemplo um exame de Ressonância Magnética pode ser normal e a pessoa ter dor, ou esse mesmo exame pode ter várias alterações e a pessoa não ter sintomas.
A dor é sempre uma experiência pessoal que é influenciada, em graus variáveis, por fatores biológicos, psicológicos e sociais. Se estamos mais estressados, preocupados, ansiosos, depressivos, irritados a nossa percepção da dor será aumentada, mas se estivermos bem e felizes a dor será percebida de forma mais amena.
Vejam uma criança pequena, ao menor tombo já cai no choro, parecendo que algo terrível aconteceu, à medida que vai ficando maiorzinha, com o mesmo tombo, se levanta e continua correndo, como se nada tivesse ocorrido. Através das nossas experiências de vida, é que aprendemos a conceituar a dor. Dessa forma, o relato de qualquer um de nós sobre uma experiência dolorosa deve ser respeitado. Para quem tem dor crônica é muito comum não ser compreendida, e escutar frases como: “já vem reclamar de dor novamente”, ou “não aguento mais você falando de dor, ou ainda “se levante da cama, deixa de preguiça”.
Não se engane, mesmo as pessoas com dificuldade de comunicação como crianças pequenas, idosos, pessoas com demência, podem sentir dor e não falar. A descrição verbal é apenas um dos vários comportamentos para expressar a dor; a incapacidade de comunicação não invalida a possibilidade de estar sentindo dor.
A sensação da dor é pessoal, e pode sofrer influência de vários fatores. Precisamos respeitar, acolher e encorajar a quem precisa a buscar ajuda especializada.

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