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O sequestro das ideias

Vicente Serejo
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Levantei cedo convencido de que é preciso ser justo com os hipocondríacos, sempre tão vilipendiados pelos doutores da alma e os que se julgam saudáveis. Mas, tropecei numa frase do economista Joel Pinheiro da Fonseca, ele que também tem formação filosófica pela Universidade de São Paulo, e mudei de ideia. A frase dele é esta: “Cada formador de opinião fala quase que unicamente para quem está do mesmo lado”. É, o sequestro do debate político escraviza as ideias.
Os poucos leitores desta coluna sabem, e hão de ser justos com o cronista: não dou trégua ao populismo e acuso de gerar esse maniqueísmo estéril que tomou conta do mundo, daqui e de longe, tanto faz. No caso do Brasil, a exibição da prova não exige esforço: a metade dos eleitores que votaram em Jair Bolsonaro está ai, de pé e gritando. Assim como a outra metade, a Lulista. A diferença de pouco mais de um ponto percentual em nada altera a magnitude de suas forças.

A diferença deu o governo a Lula e o papel de oposição a Bolsonaro. Mas, a nitidez do equilíbrio de forças foi emasculado, se é possível dizer assim, com o erro primário do presidente derrotado, quando, levado pela ira – e em política toda ira é burra – não passou a faixa presidencial e deixou livre a rampa do Palácio para que Lula e Janja subissem ao lado de uma representação do povo brasileiro, uma forte imagem que percorreu os jornais, revistas e tevês do mundo inteiro.
Quem tiver olhos livres verá que o erro seguinte foi de Lula, ao exacerbar um confronto de alta voltagem polarizadora, a ponto de não se saber sua base racional: se é Lula que prefere manter o embate como forma de sobreviver, mesmo pagando o preço de manter Bolsonaro; ou se tem sido um mérito do próprio Bolsonaro, se desde a luta de 2018 mostra seu forte domínio de manipulação, com o combate de um Lulismo ainda analógico contra um Bolsonarismo digital.
Nesse novo modelo, foi inteiramente revogado o poder do editor que era capaz de operar o que seria visto ou não visto pelas massas. Mas, o poder da edição não saiu de cena, como pode parecer a alguns. Caiu nas mãos de cada cidadão. Na telinha do seu telefone, um objeto privado e fora do controle dos veículos formais, cada um tem poder de editar as próprias mensagens que emite ou recebe, e de pôr no ar com a garantia de ter uma audiência grande, cativa e militante.
Não há debate público no Brasil. Político, partidário ou ideológico. Há um jogo de paixões enlouquecidas e extremadas a substituir argumentos por desaforos. Uma escola política perversa que não forma líderes, crivada pelo maniqueísmo pagão que faz, de cada lado, e ao mesmo tempo, o bem e o mal. É o teatro do horror que, por incrível que pareça, se ergue em meio aos escombros da tragédia das águas no Rio Grande do Sul, num belíssimo exemplo de fraternidade humana.

PALCO

AUDÁCIA – Não deixa de ter um certo destemor, ainda que seja para efeito retórico, a posição da deputada Natália Bonavides quando promete romper com o que chama ‘Pacto mediocridade’.

PACTO – O governo de Fátima Bezerra pactuou com os mais tradicionais grupos familiares que governaram o Estado nas últimas décadas. Seria bom que Bonavides nomeasse seus figurantes.

AVANÇO – O Brasil foi o país que mais avançou, no último ano, na liberdade de expressão, segundo o ranking global divulgado pela MediaTalks. Os vampiros golpistas temem a liberdade.

SÉCULO – Macau vai prestar uma grande homenagem ao compositor Hianto de Almeida, esse macauense que foi um dos mais importantes pioneiros da Bossa Nova e hoje esquecido no RN.
PRAÇA – A festa de homenagem será na Praça da Conceição, no dia 2 de junho, a partir das oito horas da noite. Macau, as suas ruas, seu rio e seu mar, vão ouvir outra vez as canções de Hianto.

TREZENA – Começa dia 31 próximo a 259ª Trezena de Santo Antônio. Abre com uma carreata que sai às 17h30 do Colégio Santo Antônio e depois a missa celebrada, às 18h, na Igreja do Galo.

POESIA – Nunca é demais, numa manhã assim, chuvosa assim, repetir o poema de José Bezerra Gomes, pela simplicidade da grande perfeição: “Naquele / sábado / a música / daquele / sábado”.

FEIO – De Nino, o filósofo melancólico do Beco da Lama, vendo a mediocridade bem vestida de intelectual: “Quando o voto é sempre para o chefe, amortalha a grandeza da criação literária”.

CAMARIM

FORÇA – As aquisições de Paulinho Freire, segundo fontes da Assembleia, irão além do general Eliéser Girão. É possível que outras patentes se incorporem à legião de Freire. A ideia é reunir forças para levá-lo ao segundo turno e evitar a chegada de Natália Bonavides ao combate final.

DIOCESE – A força da fé católica que cresce a cada ano no santuário de Santa Rita, em S. Cruz, pode fazer daquela cidade a sede da nova Diocese a ser criada no Estado. Como forte devoção. A exemplo de N. S. da Apresentação, em Natal; Santana; em Caicó; e Santa Luzia, em Mossoró.

DETALHE – Um fato vem chamando a atenção: a instalação, dia 8 próximo, em Santa Cruz, da Comissão criada pelo arcebispo Dom João Santos Cardoso da comissão com a tarefa de estudar a proposta – local e área geográfica. Encabeça a comissão monsenhor José Valquimar Nogueira.

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