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Príncipes e proxenetas

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Vicente Serejo
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Não tenho, Senhor Redator, visão trágica da política e dos políticos. Nem aversão. Tento olhá-los, um a um, para não cair na generalização. Sem a política, a sociedade seria pior. Não há vida digna, individual e coletiva, sem as garantias republicanas. Sem negar as deformações, basta não esquecer a frase de João Paulo II numa fala na Universidade Salesiana de Madrid, ao declarar sem medo de assumir: “Não, não e não. Para fazer o bem, o poder é uma necessidade”.


Talvez esteja ai o melhor caminho para se compreender a frase do governador Cortez Pereira – “Governar é fazer o bem”. Ainda que alguns governantes não pensem e não façam assim. Não são feias como as posições dosadas da coragem ardilosa que denuncia autoritarismo de longe, e faz silêncio diante das aberrações de perto. Um habilidoso malabarismo de quem, por intenção, não cumpre os crivos do jornalismo profissional no exercício fácil das opiniões.

Os tons messiânicos do maneirismo enganador, de vez em quando ferem a política e o jornalismo e estes viram irmãos siameses, de tão parecidos. A ira difusa é contra o distante que não oferece perigo, é doce para enganar ou acalentar os fáceis. A vida, ensina Charles Chaplin, é um assunto local. O amor da dama e o vagabundo se mantém eterno até hoje porque há damas e vagabundos que se amam. E vão sempre existir – em Londres, Paris, Amsterdã ou Macau.


Nada denunciam a não ser, com suas iras de isopor e as suas raivas seletivas, como se fosse possível condenar uns autoritarismos, mas outros não, se são semelhantes e condenáveis da mesma maneira. É falso o jornalismo que amordaça a própria boca, seleciona as críticas de preferência, nega-se a defender o bem estar individual e coletivo. Se não faz pior: silencia como se fosse em respeito, mas omite os fatos, nega as circunstâncias e apascenta as consequências.

Há uma afirmação de Régis Debray, o grande estudioso da ‘Gênese do Político’, seu livro mais célebre, lançado originalmente em 1980, na França, e traduzido no Brasil três anos depois, logo no seu preâmbulo, que talvez sirva até para flagrar também o jornalismo: “Não sou nem confidente, nem advogado, nem procurador. Apenas passeio pelo mundo, tal como ele é, escutando portas. O quê? A fábula sem moral, o enigma permanente que se chama política”.

Debray, hoje com mais de oitenta anos, é genial não só pelos questionamentos como professor de filosofia da Sorbonne, mas pela formação jornalística. Foi nas páginas dos jornais que travou suas lutas e pensou os seus livros. Por isso, pôde denunciar ao mundo: “A verdade do príncipe está no seu proxeneta. Cada homem é príncipe e proxeneta”. Qualquer dúvida, é só consultar um bom dicionário. Verá que a política e o jornalismo disfarçam bem a prevaricação.

PALCO

PODE? – O prefeito Álvaro Dias sabe que não terá o comando do Podemos por muito tempo. Mas, ninguém se iluda: se não luta para mantê-lo, certamente atua em função de novo partido.

MAIS – Sabe mais: que só terá o apoio de Carlos Eduardo para o governo com a aliança. O ex-prefeito tem o compromisso firmado com a senadora Zenaide Maia que o abrigou no PSD.

JOGO – O senador Styvenson Valentim bateu nos políticos para ser senador, mas soube fazer da força das emendas parlamentares uma forma de ganho do voto rural. A pesquisas mostram.

LUTA – Fontes do Palácio Felipe Camarão admitem: o prefeito Álvaro Dias pode não deixar concluída a sede do hospital municipal de Natal. Brasília retém parcelas aprovadas. É abuso.

ALIÁS – Álvaro acertou ao desistir do viaduto da Alexandrino de Alencar – a Justiça liberou – e redirecionar os recursos para asfaltar as principais avenidas da cidade. Seu ganho foi maior.

TAREFA – A candidatura de Paulinho Freire tem um desafio: levar a campanha ao segundo turno, mas, derrotando Natália Bonavides no primeiro. E, convenhamos, não é coisa tão fácil.

POSSE – Daliana Cascudo assume a presidência da Academia Brasileira de Artes, Ciências, Literatura e História. A solenidade será sexta, 23, às 18h, no auditório do Sesc na Cidade Alta.

ANTOLOGIA – No dia seguinte, 24, um sábado, às 10h, na sede do Instituto Ludovicus, será lançada a ‘Antologia dos Imortais da Abraci’. Com um chá dos membros da nova Academia.

CAMARIM

RETRATO – A democracia é assim: dia 25 uma multidão vai às ruas louvar Jair Bolsonaro. Um autoritário, antivacina, armamentista e conspirador. Um golpista que desejava tomar o poder pela força, contra o regime democrático. Sim, mas ele lidera uma banda do eleitorado.

MAS – No regime democrático – que Bolsonaro ameaçou – o voto é o único instrumento que legitima. Tanto é que foi pelo voto que ele chegou ao Palácio do Planalto, apesar de carreiras medíocres no Exército e na Câmara Federal. O voto, nas democracias, se derrota com o voto.

ALIÁS – Quem olhar com isenção e censo de estratégia vai constatar aquilo que os políticos mais experientes já sabem e afirmam. Mas, o eleitor pode, até por decepção, desistir de apoiar Jair Bolsonaro, mas, com toda a certeza, não desistirá de votar contra o PT. Basta esperar 2026.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

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