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Sertões do Seridó de Oswaldo Lamartine de Faria

Gustavo Sobral 
Membro do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte [IHGRN]
Rachel de Queiroz afirmou com todas as letras em um dos seus artigos: Oswaldo Lamartine de Faria é o mais competente entendedor dos assuntos do sertão. Também pudera, foi dele que se valeu em consultas para a composição do romance “Memorial de Maria Moura”.

Oswaldo Lamartine de Faria (1919-2007) nasceu aqui na capital, Natal, Rio Grande do Norte, e estudou na Escola de Agronomia em Lavras, Minas Gerais. Mas foi quando assumiu os trabalhos na Fazenda Lagoa Nova, de seu pai, Juvenal Lamartine, final dos anos 1940, que desarnou para anotar as coisas do sertão.  Anotar, pois foi ele mesmo quem escreveu que era apenas um anotador. E tacou a cometer notas sobre as coisas do sertão: pesca, caça, construção de açude, conservação dos alimentos e algo mais.

Parte deste enfeixe de pesquisa tinha a etnografia como caminho, consulta aos papéis velhos e as sabedorias do sertão que são os mestres que ele fez questão de nomear, referendar e agradecer: Mestre Pedro Ourives, o seleiro; mestre Zé Lourenço, o fazedor de barragens; Chico Julião, o caçador de abelhas; Bonato Liberato Dantas, pescador de açudes; Olinto Inácio, rastejador e vaqueiro maior as ribeiras do Camaragibe; Chico Lins, filho de Pedro Ourives, mestre nas artes do couro; e Ramiro, irmão de Bonato, mestre nas pescarias de açude.

“Sertões do Seridó” é um dos exemplares deste vasto inventário de Oswaldo Lamartine sobre o sertão. Foi publicação do Senado Federal em 1980 e reúne cinco trabalhos já publicados em livro, a saber,  e os títulos já revelam os temas: “Açudes dos sertões do Seridó”; “Conservação dos alimentos nos sertões do Seridó”; “Algumas abelhas dos sertões do Seridó”; “ABC da pescaria de açudes do Seridó”; e “A caça nos sertões do Seridó”. 

Originais e magrinhos, ligeiros e curtos, e não por isso menos importantes, os estudos de Oswaldo Lamartine de Faria incluíam além da pesquisa acurada, um texto com um estilo próprio, registrando o vocabulário do sertão, e ilustrações, fotografias, tabelas e estatísticas, que enfeixados neste título “Sertões do Seridó” reuniu os seus mais significativos trabalhos em um único volume.

Este artigo é parte de uma série de artigos do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte (IHGRN), coordenada por Gustavo Sobral e André Felipe Pignataro para o jornal Tribuna do Norte. A série trata de livros de autores do Rio Grande do Norte.

Fundado em 1902, o IHGRN completa 120 anos em 2022. É a mais antiga instituição cultural potiguar. Abriga a biblioteca, o arquivo e o museu mais longevos em atividade do Estado. Promove exposições, palestras e atividades voltadas à manutenção e divulgação da cultura, história e geografia norte-rio-grandense, e publica a sua revista desde 1903, sendo a mais antiga em circulação no Estado.

* Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

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