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Reflexão

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Giulia Mitre
Professora e voluntária da Nova Acrópole Natal

Depois de algumas semanas tumultuadas e cheias de atividades, sem direito a sábado e domingo em casa por conta de algumas viagens, finalmente tive um verdadeiro “domingão“ em casa. Aproveitei para curtir as pequenas coisas da vida: lavei louça ouvindo música e cantando alto, dei banho nos cachorros e, em determinado momento, me vi observando uma lagartixa na parede. E dessa simples observação de um animal tão banal e comum, me vi rindo de seus estranhos movimentos, que pareciam atrapalhados, medrosos e sem uma lógica perceptível. Ela ziguezagueava para cima e para baixo, andava em círculos, balançava a cabeça, andava e parava… até que um movimento mais brusco de Ônix, meu cachorro, a assustou e ela caiu estatelada no chão, em um baque sonoro. Coitada, estava mais desnorteada que nunca!


Comecei a desconfiar que minha compaixão pela lagartixa tivesse a ver com a similaridade de sua situação com a minha. Será? Às vezes é fácil sair por aí “ziguezagueando” pela vida, fazendo mil coisas, indo para muitos lados, mas… afinal de contas, existe uma mesma ideia que conecta minha primeira ação do dia com a última? Mais importante ainda: será que o meu dia, minha semana, meu ano ou minha vida inteira tem uma ideia por trás que vivifique ou dê sentido aos meus movimentos cotidianos? Ou será que sou como esta lagartixa sob o olhar de quem vê do alto, lá nas nuvens? Me pergunto o que estes olhos mais sábios devem achar desses movimentos desnorteados que nós humanos propiciamos. E será que, assim como a lagartixa, também somos motivo de riso?


Preocupações à parte, resolvi encontrar uma resposta para mim mesma, e a encontrei na alegria de fazer as pequenas coisas, afinal sabia porquê as fazia. Em nome de quê lavo a louça? Da higiene. Em nome de quê dou banho nos pets? Do amor que tenho por eles. E em nome de quê observo uma lagartixa? Para refletir e aprender sobre a vida. Talvez daí venham os prazeres das pequenas ações cotidianas, pois sabemos o porque as fazemos, ou assim deveria ser. Uma vida sem sentido, na qual não sabemos porque levantamos da cama ou que ideal nos sustenta… torna o cotidiano mais difícil, turbulento e cansativo.


Em um compromisso silencioso comigo mesma de responder qual o meu ideal de vida, agradeci solenemente à Lagartixa atrapalhada por seu ensinamento e ao domingo pela oportunidade de reflexão. Estava pronta para uma nova semana, desta vez mais consciente.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

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