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RN está perdendo um bom lugar no trem da educação

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Cassiano Arruda Câmara

O jornal O Estado de S. Paulo, numa manchete revela uma ótima notícia para a área da Educação “Nordeste lidera adesão ao ensino de tempo integral”.


Na leitura do corpo da matéria, não encontramos o nosso Rio Grande do Norte: “Os estados nordestinos dominam a ponta do ranking de redes com as matrículas de tempo integral, em que os alunos ficam sete horas em aulas”.


Continua a reportagem do Estadão: “Considerando as matrículas das redes estadual e municipal juntas, quatro dos cinco estados com mais matrículas em escolas de tempo integral. São: Ceará, Piauí, Paraíba e Maranhão. Em seguida está Tocantins. O estado melhor situado no Sul, Sudeste e Centro-Oeste é São Paulo (sexto lugar no computo geral) com quase um quarto das matriculas nessa modalidade”.

RIO GRANDE SEM SORTE

Único Estado governado por uma profissional de educação, o nosso Rio Grande do Norte – “sem sorte” como no poema de Bosco Lopes – ocupa o último lugar entre os Estados do Nordeste: Ceará (40,7% das matriculas de tempo integral), Piauí (37,7%), Paraíba (26.2%), Maranhão (26,19%), Pernambuco (21,19%), Sergipe (20,89%), Alagoas (19,22%%), Bahia (17,3%).

  • E o nosso Rio Grande do Norte?
    Nono e ÚLTIMO LUGAR! Com um índice de apenas 9,95%; o 20º em todo o Brasil.
    O fato de ser governado, já há cinco anos, por uma profissional de Educação, em parte, é colocado por alguns críticos como causa dessa situação vexatória para o nosso Estado, e – principalmente – para a professora Fátima Bezerra.
    A maioria dos tais críticos lembra que os secretários de Educação, são “da casa”. Servidores da própria Secretaria da Educação, todos ligados ao movimento sindical. Para alguns desses críticos eles tem uma visão restrita do imenso problema global da Educação que, muitas vezes, exige soluções maiores do que o próprio Estado.

ESCOLA DE TEMPO INTEGRAL

Quando foi governador do Rio de Janeiro, entre 1983 e 1987 e, depois, entre 1991 e 1994, Leonel Brizola deu início ao sonho de implantar escolas de turno integral no Brasil, a partir do Rio de Janeiro, com a construção de pelo menos 500 Centros Integrados de Educação Pública (Cieps).


O ensino de tempo integral é considerado uma das principais ferramentas de aprendizagem no País. A média nos países do chamado primeiro mundo é de 11 horas semanais de aulas só para matemática, língua nativa e língua estrangeira. É mais da metade das 20 horas totais que as escolas de tempo parcial têm para todas as disciplinas.


Em 2003, o Brasil apresentou um aumento de matrículas em tempo integral de 11,4% para 13,6% nos anos iniciais de ensino fundamental (do 1º ao 5º ano), de 13,7% para 16,5% nos anos finais (do 6º ao 9º) e de 20,4% para 21,9% no ensino médio.


As redes municipais do Ceará somam, juntas, 51% das matrículas em tempo integral. Por trás do desempenho está uma forma de partilha de impostos estaduais que leva em consideração se um município ajuda o outro a atingir metas de educação. Isso fez com que diversos municípios do Estado, como Sobral, se destaquem em educação, e outros como Arendá, Pires Ferreira. Mucambo e Uruoca ocupassem os melhores resultados do país no Índice do Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que considera as taxas de aprovação e aprendizado dos alunos no País.

ENSINO É QUE VALE

Embora as escolas de tempo integral possam oferecer vantagens, como mais tempo de aprendizado e oportunidades de desenvolvimento holístico, sua eficácia depende da forma como são implementadas e dos recursos disponíveis. Além disso, é essencial considerar as necessidades e circunstâncias específicas de cada comunidade escolar ao decidir sobre a adoção desse modelo.


É nesse porém que os críticos do governo do RN na educação, a partir da premissa de que não existe uma fórmula mágica, reconhecem que, embora o ensino de tempo integral seja um dos melhores itens para avaliação de desempenho de um governo, eles cobram do Governo Fátima novas ideais na gestão da Secretaria de Educação.


E citam o exemplo do Governo Aluízio Alves, que promoveu a maior revolução na Educação do Rio Grande do Norte, há meio século, quando era Secretário da Educação o jornalista Francisco Calazans Fernandes, então correspondente da revista “Time” no Rio de Janeiro, trazendo novas ideias muito além de uma visão paroquial, como aconteceu quando foi o primeiro a adotar aqui o método Paulo Freire, depois canonizado pela nossa esquerda com padroeiro da Educação do Brasil…


Defensores do Governo Fátima lembram que o este governo está construindo atualmente 11 prédios para instalação das escolas de tempo integral, como se essas mudanças, dizem os críticos, não pudessem ser aplicadas começando nos prédios antigos, com pequenos ajustes, enquanto “o RN não perde o trem da educação”.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

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