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Seleção ridícula

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Rubens Lemos Filho

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A apatia ao ver o técnico interino Fernando Diniz lendo a relação dos convocados para a seleção brasileira enfrentar Colômbia e Argentina me deu a certeza inflexível: o futebol do país foi morto e separado, de forma brutal e grotesca, de sua matéria-prima, a criação.

Cada nome para mim é desconhecido pela enganosa capacidade e a Copa do Mundo só está garantida – pelo menos a presença – porque serão 48 equipes, quase uma Série D sofisticada.


Não reclamo do tempo. Protesto contra os seus efeitos, um deles, a absurda isenção que o esporte que mais amei produz hoje, quando tenho – satisfeito e honrado-obrigações profissionais sendo cumpridas quando poderiam ser acompanhadas pela velha sensação de prazer com cerveja e queijo. Ou com dois amigos, resenhando, cobrando a escalação de algum craque injustiçado, criticando alguém que não merecia vestir a camisa amarela.


A importância de um treinador durante o período de fartura nunca resvalou na dos jogadores. A frase que mais pronunciávamos, eu e os amigos, até 35 anos, no máximo, era a de que, se quiséssemos, escalaríamos quatro timaços e ainda sobraria gente com bola superior à média geral.


Hoje, não sei decorado o Vasco da Gama, meu time no Rio de Janeiro. Nem consigo engolir o fim da numeração padronizada do 1 ao 11, do goleiro ao ponta-esquerda, na qual sabíamos que a nossa força e a encrenca do lado de lá vestiam 8, 9 e 10.


A imitação caricata de tudo o que é do exterior dilacerou nossas raízes. Daí, a seleção brasileira ser formada por boleiros com nome de praça, nomes compostos. Quando não tem, inventam.


Vinicius Júnior virou Viny, expressão cheia de frescura, copiada dos imbecilizados – e milionários digitais influencers, que estabelecem as regras básicas de sobrevivência da geração de idiotas multiplicada a cada ano.
Estou tomando asco de redes sociais que não sejam de jornalismo em seu formato conservador e de conteúdo capaz de arejar a alma, é o caso dos trechos das aulas-espetáculo do Mestre Ariano Suassuna os de piadas antigas sensacionais de Chico Anysio e Jô Soares.


E notícias do futebol potiguar, afinal preciso estar minimamente informado, embora minha missão maior seja a de me meter a cronista ou articulista, a analista, o que nunca irá me envaidecer. De verdade? Sou palpiteiro com validade a vencer.


Algumas semanas atrás, vi um molecote no Instagram de cabelos loirinhos até a cintura, treinando no Sub-11 ou 12 do Vasco. O menino é uma joia prestes a ser destroçada.


A imagem enviada pelo WhatsApp mostra o pixote, canhoto, driblando seis, eu contei e recontei, seis flamenguistas sem sequer esboçar um passe lateral. A última vítima é o goleiro vencido. Na sutileza, sem porrada na bola.


Aí, para estragar meu prazer entra o técnico, um professor de Educação Física cuja habilidade deva ser a de um faminto degustando picanha bem passada, para dizer que o pequeno talentoso precisa criar músculos e melhorar “sua dinâmica de jogo”.


Pensem no mais escabroso palavrão e tenham certeza de que dirigi a este babaca de prancheta. Menino tem que jogar solto, sem obrigações táticas. Bom de bola no início só tem de obedecer a si próprio.


A força física, o defensivismo, a liberdade tolhida, rescaldos da Copa perdida em 1982 quando a arte de estetas em chuteiras deu lugar a estivadores sem classe, já asseguraram ao Brasil o tabu de 24 anos sem Copa do Mundo.
Desde Rivaldo e dos Ronaldos, os hábeis e foras de série do sisudo esquema pentacampeão em 2002, o último esquadrão respeitável foi o de 2006.


A patota do Diniz, que bem poderia chamar o Fluminense e uns quatro ou cinco, é incógnita, de oitavo escalão no mercado europeu e é a primeira sem um símbolo, caso você pense em Neymar como herói em três anos.


Ganhávamos da Colômbia de cinco, seis e reclamávamos. Agora é pau. De 1976 a 1983, batemos a Argentina, que hoje pode atropelar uma seleção intransigentemente ridícula.

Rápido O presidente da Federação, José Vanildo foi rápido. Mandou as denúncias de fraudes em jogos direto para o Ministério Público. Certeiro.

Hermano Me liga o presidente Hermano Morais para dizer o que eu esperava dele: o América não fará indicações para vagas em comissões remuneradas da SAF. A nova diretoria respeita a SAF, mas vai fiscalizar tudo.

Ancelotti A julgar pelo aparente descaso, o ABC já deve estar acertado com o treinador Ancelotti e meio time do Barcelona. É demora demais para reconstruir e recomeçar.

Série com Eurico O streaming Globoplay está anunciando para a próxima semana o início da série A Mão do Eurico, em quatro capítulos sobre a vida e as controvérsias do maior cartola do Vasco. Eurico era grosseiro, mas viveu para o clube.

Covardes Morto e enterrado, não faltarão depoimentos de desafetos que nunca toparam uma parada homem a homem com o cara que montou o último time decente do Vascão.

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