sábado, 17 de fevereiro, 2024
29.1 C
Natal
sábado, 17 de fevereiro, 2024

Sobre disputas políticas

- Publicidade -

Vicente Serejo (Interino Danilo Sá)
[email protected]
[email protected]

Os mais novos não são obrigados a saber. Os mais velhos também já podem ter esquecido. Mas é quase da cultura deste Rio Grande do Norte o acirramento das disputas eleitorais na busca pelo voto. Foi assim em diversos confrontos que fizeram história nas urnas, construindo ao longo do tempo uma tradição potiguar quando o assunto são eleições. Aqui, não há vitória por antecipação. E nem precisa ir tão longe para relembrar casos emblemáticos.


Foi assim no final dos anos 1980, quando João Faustino se viu derrotado pela impressionante campanha de Geraldo Melo e seu tamborete. Anos depois, já na década de 1990, Garibaldi Filho e José Agripino trocavam farpas como os grandes líderes da política potiguar, mas a vitória ficou com o primeiro. Já a chegada dos anos 2000 foi protagonizada pelo surpreendente desempenho de Wilma de Faria.

Então prefeita de Natal, a ex-governadora decidiu deixar o Palácio Felipe Camarão para entrar numa disputa que parecia inglória. Não tinha nem 5% dos votos nas pesquisa quando se colocou no pleito que acabaria vencendo. Primeiro, superando os Fernandos (Freire e Bezera), adversários que lideravam com folga; depois, sendo reeleita contra os que chamavam de governador de férias, Garibaldi, numa campanha histórica.


A realidade também é muito semelhante quando tratamos da disputa municipal na capital do Estado. Natal não se dobra facilmente. A própria ascensão wilmista é um exemplo. Daí, não ser conveniente para os mais entendidos tentar minimizar a liderança política de Carlos Eduardo na cidade. Não se conquista por três vezes o Palácio Felipe Camarão facilmente. E será essa trajetória que o ex-prefeito colocará a prova no próximo ano.


Mas, é justamente por ser bom conhecedor do pensamento dos natalenses, que também não cabe a Carlos Eduardo o salto alto tão comum a favoritos que se transformam em derrotados. Até por isso, tem atuado nos bastidores para sair do isolamento político em que se meteu, e do qual nunca se esforçou muito para evitar.

Com um pouco mais de habilidade em anos passados, teria hoje com tranquilidade ampla maioria da Câmara Municipal a seu favor.


O fato é que em 2024, ao que tudo indica, as eleições da capital seguirão o roteiro comum a maioria das disputas na cidade. E, como também costuma acontecer quando se trata de Governo do Estado, o vitorioso só será conhecido após as batalhas intensas nas ruas à espera da voz vinda das urnas. Até lá, é bom manter os pés no chão, porque as disputas políticas potiguares, tradicionalmente, costumam ser imprevisíveis. Com as tais exceções que confirmam a regra.

Palco

Dilúvio
Parece filme repetido. Chuva forte em Natal sempre foi sinônimo de caos na cidade. É bem verdade que nenhuma cidade do mundo resiste a tanta água de uma vez. Mas será que não dá para amenizar, um pouco, os estragos que costumeiramente são causados?

Constrangimento
O Idema ainda não sabe o que fazer com a recomendação do MP para suspender a licença de instalação de um parque eólico em Lajes. Ora, como tornar sem efeito um documento emitido após anos de análise por parte do órgão ambiental? Seria a própria desmoralização.

Expectativa
Será longa a agenda do ex-presidente Jair Bolsonaro em Natal entre amanhã e sábado (02). E os organizadores da programação aguardam uma forte presença de apoiadores em todas as atividades. Não se iludam: 2026 é logo ali.

Projeto
E por falar em Bolsonaro, ontem ele revelou que a meta do PL – o seu partido – é lançar um candidato a Senador em cada Estado do país em 2026. O ex-presidente quer fortalecer a legenda ainda mais no Congresso Nacional. É a luta.

BILHETE DE VIAGEM – VI

LISBOA
“Contra o Império – os escritores e a tirania soviética”. Em dez páginas, e com uma grande foto de Jorge Amado como a principal ilustração, essa é a grande matéria da LER, nas bancas, a mais importante publicação cultural de Portugal. Revela, nos escritores, “o fascínio pelo terror, desculpando os gulags, os limites à liberdade de escrever e pensar, a prisão dos ‘inimigos do povo e o seu assassínio sumário”. E a seguir: “Muitos voltaram atrás (Jorge Amado, Ítalo Calvino, Gide, por exemplo). Outros (Sartre, Aragon), foram fiéis até o fim, nunca reconhecendo que o terror nasceu da própria revolução e não foi apenas uma degeneração ou descontrole de um nobre ideal”. Para o jornalista André Canhoto, sua reportagem é a viagem ao império soviético, dos palácios escuros de Budapeste às estradas desiludidas. Do escritor Francisco José Vargas, no Correio da Manhã: “Quem pensa que rir não faz pensar, desiluda-se”.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

- Publicidade -
Últimas Notícias
- Publicidade -
Notícias Relacionadas