sexta-feira, 19 de abril, 2024
26.1 C
Natal
sexta-feira, 19 de abril, 2024

Texturas

- Publicidade -

Dácio Galvão
Mestre em Literatura Comparada, doutor em Literatura e Memória Cultural/UFRN e secretário de Cultura de Natal

Ao lançar olhares em direções apontadas para configurações plásticas-visuais é residual e significativa a influência da estética de vanguardas racionalistas do século passado. O universo quase não-figurativo. Ou não-abstrato. Se colocando também no geometrizado-matemático. Fases de flertes em campos híbridos. Como bem faz na cena local, Ítalo Trindade, Fernando Gurgel, Ângela Almeida, J. Medeiros, Falves Silva… Perceptível é a ausência do debate ou alicerce teórico. Próprio de um tempo. Caudatário dos últimos manifestos artísticos fundantes. Provocador do pensar. Do sentir. Daí, a possibilidade diatópica. Do atingir e sensibilizar por via da linguagem extratos sociais desiguais e diferentes.


No Brasil, artistas concretos do Grupo Ruptura -à frente Waldemar Cordeiro- lançaram manifesto que se desdobra desde 1952. O Grupo Rex -Geraldo de Barros, Nelson Leirner, Wesley Duke Lee…- e a “Nova Figuração” traduziu marcos basilares: Rubens Gerchman, Carlos Vergara… Para sempre impregnou o cenário. As duas exposições no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro “Opinião 65” e Opinião 66” envolvendo a potência dos trabalhos de Hélio Oiticica, José Roberto Aguilar, Antônio Dias, Rubens Gerchman- e a mostra “Nova Objetividade Brasileira”-1967- mobilizando artistas do naipe de Lygia Clark, Lygia Pape, o crítico trotskista Mário Pedrosa… colocando no mesmo espaço expositivo artes díspares. Propositadamente. E sem unidade: a arte concreta, a neoconcreta e variações de rupturas e (des)continuidades. Obviamente tendo elementos do identitário brasileiro e relações de tendências internacionais. Significativas produções poéticas multimídias, experiências cromáticas, oralizações, sonorizações…. Atualizações no campo das expressões.
Estaria neste ponto encerrado no Brasil ciclos a partir do qual as formas expressionais de representações – abstrações, não-figurações, racionalizações – nas artes e na literatura ficariam imobilizadas? Repetidas? O que haveria de novo após esses cios fecundados? Não é nossa pretensão ter a resposta. Tadeu Jungle – diretor de cinema e realidade virtual- provoca a reflexão sobre ferramentas disruptivas a serviço da criação artística. Entusiasta da IA entende sermos humanamente insubstituíveis! Em qualquer futuro. Sugere a incorporação de novas tecnologias. Para ele “Genie”, é o nome do momento! Também Chat GPT, Gemini… Chatbot ou programa computacional simulando e processando conversas escritas ou faladas… imagens sincronizadas nas sinapses. Traduzidas em impulsos digitais… É experiência reativa. Interativa. Esse caminho -sem fetiche- pode colaborar para a história evolutiva da arte. Quem sabe?


Enquanto o trem da história desliza Adriana Varejão vai farejando a no Brasil, a colonização, sintagmas do barroco e a azulejaria narrativa. Nos seus trabalhos o ensaísta Silviano Santiago nos enxergou a imagem poética de João Cabral de Melo Neto: …A forma do azulejo -íntegro ou lascado, pouco importa- está sempre a “quebrar em pedaços”! Fragmentos da modernidade brasílica.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

- Publicidade -
Últimas Notícias
- Publicidade -
Notícias Relacionadas