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Um erro?

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Vicente Serejo
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Os intolerantes e suas almas empedernidas, não aceitam, mas opinar é deste velho ofício de analisar os fatos. Eles só gostam de jornalismo a favor, quando sabem muito bem que o Diabo não é mais inteligente do que ninguém. É velho. E, como velho, conhece a marcenaria dos cenários no teatro político. Daí poder afirmar, sem temer: a governadora Fátima Bezerra erra quando cala diante dos fatos negativos, se governar não é só colher glórias e renegar infortúnios.


É das mais comezinhas lições de estratégia, na área da comunicação, tão antiga quanto o mando, que governar é manter um diálogo sincero com aqueles que deram a unção de um poder. Teoricamente, a vontade da maioria foi a escolha do melhor daqueles que se apresentavam no instante da disputa. Consagrar-se ou não, são etapas posteriores que precisam ser perseguidas com a igual obstinação quando da busca dos votos, sob pena de um dia perdê-los por inanição.

O artifício de assumir o doce e expelir o amargo pela boca de auxiliares, antes de cimentar a confiança entre o líder e o liderado, abre brechas, depois fendas, em seguida buracos e, por fim, abismos. O liderado precisa ser abastecido pelo líder para que possa em família, ou na rua, entre amigos ter respostas convincentes todas as vezes que precisar discordar das críticas desfechadas contra o seu líder, sob o risco de penalizá-lo com a pobre orfandade da defesa não convincente.


A governadora Fátima Bezerra, do ponto de vista pessoal, tem o direito de silenciar, mas é a porta-voz natural dos sucessos e fracassos de sua gestão. Como política, ela incorpora, ao mesmo tempo, dois lugares de fala: de cidadã e a governante. A cidadã reina no espaço inviolável da vida privada, mas a governante está sob a tutela dos governados. Sob pena de negar o maior dever de quem conduz um povo: o atributo da sinceridade em todas as horas e todas as decisões.


O mais duro dos efeitos, salvo melhor juízo, está sendo a contradição, hoje nas manchetes de todos os veículos e redes sociais, numa pulverização veloz, contundente e extensa: um recorde de arrecadação, ao mesmo tempo em que caminha no plenário da Assembleia a sua mensagem propondo um aumento da alíquota do ICMS para 20%. Nesse palco contraditório, ninguém ouviu a voz da governadora como se fosse um jogo jogado no plenário e não provocado pelo governo.


Esta coluna, semana passada, por informação de uma fonte, levantou a hipótese de que a retirada de plenário da mensagem do governo poderia não ser seu sepultamento. Bastaria que a governadora contasse com a atuação do presidente da casa, deputado Ezequiel Ferreira. E contou, até agora? Pode ser difícil de comprovar, mas também é difícil desmentir. A retirada pareceu o fim dos 20%, mas, pode não ser. A sociedade tem o direito de saber o que faz aquele que governa.

PALCO

QUEDA – Vem sendo considerada tão grande a pressão contra a elevação da alíquota do ICMS para 20% que nas últimas horas caiu o ânimo dos que acreditavam na aprovação pela Assembleia.

DETALHE – Mais imposto, nas vendas do varejo, ao contrário do que imaginam os defensores, pode significar a queda significativa no volume de vendas e, por consequência, de arrecadação.

MÉRITO – É louvável a luta dos tucanos José Dias e Gustavo Carvalho com cerca de 80% do tucano no governo. Não desqualifica as posições pessoais, mas, revela um estilo rocambolesco.

PALCO – Keber e Davi, pai e filho, realizam o dia 30 próximo, no palco do Teatro Riachuelo, o sonho do espetáculo baseado no do livro deles dois – O Menino e Cascudinho. Uma bela vitória.


FOSSA – Já nas livrarias, ‘Lupicínio Rodrigues, a biografia musical’, de Arthur de Faria. Conta toda a história do gaúcho que fez o Brasil cantar as maiores dores de cotovelo. Custa R$ 64,52.

ELO – Na capa da edição de novembro do ‘Pernambuco’, o jornal cultural dos pernambucanos, o artigo da jornalista Débora Nascimento sobre os elos da música popular brasileira e a literatura.

POESIA – Das Baladas do poeta Octávio Junqueira, um presente da escritora Luiza Nóbrega, assim: “Sob a baça neblina de um poente qualquer, / que descansa, no ar, seus cabelos de luz…”.

MEDO – De Nino, o filósofo melancólico do Beco da Lama, sobre o palhaço que fazia mesuras e piruetas na frente de uma loja: “O palhaço, muitas vezes, usa o riso para esconder a sua dor”.

CAMARIM

ÁGUAS – O engenheiro João Abner é um dos entrevistados da revista Gazeta do Povo, do Pará, sobre a transposição das águas do S. Francisco. O texto, entre outros, escancara um fato: as águas do grande rio da integração nacional não acabarão a indústria da seca e o seus caminhões-pipa.

ALIÁS – O governo poderia ser mais rigoroso no corte de despesa. Tem alguns auxiliares de segundo escalão dirigindo carros alugados e que custam cerca de R$ 100 mil ao ano. O cofre público, é hora de lembrar aos mais atrevidos, pode até parecer, mas não é bem uma teta. Não é.

BÊNÇÃO – Será do padre e imortal João Medeiros Filho a bênção hoje, às 17hs, nos 87 anos da Academia de Letras. Belo pastor da palavra de Deus, padre João sabe muito que a vaidade é o pecado preferido do Diabo. E foi dela, da vaidade, que nasceram os outros. Por isso é bom rezar.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

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