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Uma estátua para Wallyson

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Está na hora de Wallyson ser homenageado como primeiro-ministro do ABC para sempre. Está na hora de o ABC começar a juntar uns trocados para construir uma estátua para Wallyson no Frasqueirão. Sim, estátua sim, senhor. Ninguém terá sido igual a ele no Estádio pertencente ao ABC.

Todos os grandes ídolos, vivos ou mortos, haverão de consagrar a homenagem, posto que eles jogaram nos estádios Juvenal Lamartine e Castelão(Machadão). Wallyson é luz, Wallyson é o Rei do Maria Lamas como se filho fosse dos ventos que sopram sobre o gramado onde ele sempre tirou o ABC de enrascadas medonhas.
Cito duas ocasiões, apenas duas, as demais são redundantes: em 2007 o ABC precisava ganhar do superpoderoso América, que jogava pelo empate e estava na Série A. Tinha Souza no esplendor de sua forma e um time teoricamente melhor.


Eis que o menino Mogli, magérrimo, marca quatro dos cinco gols do ABC driblando, correndo, brincando, uma criança passeando em campo, identificado menino com os similares de arquibancadas. Wallyson fez quatro nos 5×2, deixou os adversários boquiabertos e sagrou-se campeão e partindo para a classificação à Série B.


Na Série C de 2007, lembro bem de estar ao lado de Leonardo Arruda e Alciney, hoje morando em Dubai(Emirados Árabes), quando Wallyson recebeu entre os zagueiros do Bahia, a bola colou no seu pé e ele fez o primeiro gol. Os baianos empataram e então Wallyson, que faz parte do terço das vovozinhas alvinegras, entrou pela grande área e bateu seco, por cobertura, rascunhando o desenho da classificação do ABC.


Bastam-me esses dois lances. E os inúmeros gols feitos em clássicos, decisões de turno, de campeonato de terceira, de quarta, de Copa do Brasil. Pobre zagueiro do Treze. Quis sair jogando, dentro de sua grande área diante de Wallyson, que entrou quando deveria e matou o goleiro com um chute indefensável no campo.


Escrevo sem saber de ABC x Baraúnas e dane-se o resultado. Importante é reconhecer em Wallyson o último ídolo do Rio Grande do Norte, o homem frio que escuta(injustas) vaias quando o corpo não consegue seguir a mente. Peço, pois, uma estátua. Não me interessa o módulo Wallyson. O bronze de sua eternização é o reconhecimento de um povo chamado ABC.

Pressa, inimiga da perfeição

Ernesto Teixeira
Advogado

Passados quase seis meses, e mais de 30 jogos, com o futebol do América sob o comando, direto ou indireto, da Hipe, a situação do América inspira cuidados diante da inexperiência e incapacidade demonstrada pelos que comandam a SAF do clube.


Elenco fraquíssimo, falta de comando, falta de governança, conflitos de interesse, e muitas promessas ainda não cumpridas, resultam em diversos embates entre Hipe, Clube e Torcida, que precisam ser equacionados para o sucesso do projeto. No entanto, é possível afirmar que boa parte desses conflitos poderiam ser evitados se o Clube, na ocasião da negociação da proposta da Hipe, tivesse realizado uma efetiva due dilligence.


Due Dilligence é um procedimento de estudo e investigação de diversos fatores da empresa alvo do negócio, com o objetivo de analisar os riscos da operação. Amplamente realizada apenas pelos compradores no âmbito da empresa a ser adquirida, ela também pode ser usada pelo lado vendedor para investigar o grupo que pretende realizar a operação.


No caso específico da SAF do América, e do grupo Hipe, ela poderia ter sido feita, por exemplo, para compreensão do passado do grupo no Azuriz-PR, descobrir por que saíram de lá, com o prejuízo acumulado, segundo o Balanço Financeiro de 2022, de cerca de R$ 12 milhões. Igualmente, para investigar a relação familiar dos membros do grupo Hipe com a Agência de jogadores Lifepro, e suas implicações éticas no novo cenário. Além disso, ter um maior conhecimento sobre os “investidores” que prometeram, de forma ilusória, investir R$ 174 milhões (quando na verdade, em valores certos, não chega a R$ 18 milhões), para melhor compreensão da origem do dinheiro e da capacidade de levantar os recursos necessários.


Em que pese o esforço correto da Comissão do Clube que avaliou a proposta da Hipe, não houve tempo hábil para uma devida auditoria da Hipe. Somando-se ao tempo exíguo, a empolgação de novos investimentos que colocasse o clube num patamar maior, fez com que a discussão fosse açodada e vários conselheiros votassem sem qualquer convicção, apenas por pressão da torcida, com os problemas aparecendo após a votação.


Portanto, caso tivessem realizado uma due dilligence mais adequada, com a paciência devida, os conselheiros e associados do América teriam maior convicção para aceitar ou não a proposta, e, hoje, haveria maior harmonia com os investidores. Fica a lição para os próximos processos de SAF no RN. Como diria o ditado popular, “apressado come cru”. E essa comida está longe de ser saborosa.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

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