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“As PPPs vão gerar crescimento para o turismo do RN”, diz George Costa

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Pelo menos 10 equipamentos e áreas de exploração turística foram sugeridos como oportunidades para concessões e Parceria Público-Privadas (PPPs) no Rio Grande do Norte, durante reunião da Câmara Empresarial do Turismo (CET) da Fecomércio RN. Entre as sugestões estão o Museu da Rampa; Forte dos Reis Magos: Cajueiro de Pirangi; Centro de Turismo; Centro de Convenções; Estrada de Pipa; Parque das Dunas; Área de Proteção Ambiental (APA) Bonfim-Guaraíra; APA Genipabu e Vale das Cascatas. Na área ambiental, as concessões seriam feitas garantindo a proteção ambiental necessária, com uma exploração do turismo de forma sustentável. As sugestões foram apresentadas em uma reunião com representantes do Governo. Quem participou do encontro foi o presidente da CET, George Costa, que detalhou a proposta em entrevista à TRIBUNA DO NORTE. Confira:

Quais foram os critérios para definir esses equipamentos?
O fato é que o mais difícil para qualquer comércio é o público, é você conseguir quem compre, mas nós já temos isso. Quando você abre uma loja, por menor que seja, o primeiro dia é uma expectativa: será que o cliente vai vir? Será que eu tenho atratividade suficiente para isso? Nesse caso, esses produtos, essas áreas e equipamentos turísticos já têm. Esses pontos foram escolhidos porque os clientes, os turistas e os natalenses já vão nesses lugares. A ideia é melhorar esses espaços que turistas e natalenses já visitam.

As PPPs sugeridas foram divididas em duas partes: equipamentos e áreas de proteção ambiental. Poderia nos explicar essa diferenciação, começando pelos equipamentos?
A primeira delas diz respeito aos produtos turísticos já consolidados, que tem vocação comercial, como Forte dos Reis Magos, que as pessoas pagam para visitar, então é um comércio. O Cajueiro de Pirangi da mesma forma, o Museu da Rampa, que deveria ser, mas não está na sua plenitude, existe só o prédio. Esses três têm uma aptidão relativamente simples de concessão, é entender quanto é que foi o investimento, quanto é que pode render de ingresso e isso você faz um ‘payback’ e consegue identificar em quanto tempo que a pessoa tem que pagar de volta para o Estado. Até porque houve investimento do Estado lá e o Estado vai deixar de gastar para passar a arrecadar. Com certeza, ao exemplo de outras concessões que aconteceram pelo País na área turística, existe uma melhor qualidade do atendimento ao cliente, uma melhor manutenção dos espaços. Esses são três que de imediato há uma possibilidade de fazer. O quarto que também tem uma possibilidade razoavelmente simples é o Centro de Turismo, que é um ‘mall’, é um centro comercial. Existe uma associação que está tomando conta, mas é precário a concessão. O prédio está muito bacana, a associação está cuidando muito bem dele, mas o fato é que não existe contrapartida para o Estado e também não há uma profissionalização porque quando você faz uma associação de lojista, é mais difícil de você lidar, é como se fosse um condomínio. Nós entendemos que são concessões mais simples, porque são concessões comerciais. Para deixar claro, não estou desconsiderando aqui a importância histórica dos Forte dos Reis Magos, a importância cultural do Centro de Turismo, da Rampa. Eu estou considerando apenas a operacionalização dos espaços.

E as áreas ambientais? Quais são as particularidades?
Toda PPP, especialmente quanto tem essa parte cultural, ambiental, ela tem que ter a premissa de manter as características do lugar, afinal de contas aquele produto turístico, só é produto turístico por causa das características, ninguém vai pegar o Centro de Turismo, por exemplo, e detonar, fazer um prédio em cima, um shopping. Não é isso. É importante isso estar claro porque muitas pessoas podem ter a impressão de que vai entregar para iniciativa privada e eles vão modificar característica. De jeito nenhum. O objetivo é mostrar o que a gente tem e que a gente precisa melhorar essa apresentação. Existem outras concessões que são ambientais, mais complexas, mas que são possíveis de ser feitas. Temos o Parque das Dunas, nós acreditamos muito fortemente no potencial turístico daquela área que não é explorada hoje. As duas APAs [Áreas de Proteção Ambiental] de Genipabu e Bonfim-Guaraíra, não é papel do Idema tocar aquelas áreas. Eles até tem como ter gestor, organizador, mas no final das contas fica o Idema sendo o que controla a área e fiscaliza. É uma coisa que não vai funcionar, a partir do momento que você tem uma delimitação de área, delimitação do que pode se fazer e o que não pode se fazer naquelas áreas. E aí o Idema entra, como muito competente que é, fiscalizando se aquela concessão está funcionando ou não. Você tem outra perspectiva. Se ele destruir a natureza, ele acaba com o produto dele. Não tem sentido. Então essas três são concessões ambientais, que nós temos muitos exemplos pelo País de sucesso, que a partir do momento que o concessionário passou a utilizar aquela área, a área passou a ter uma preservação ainda maior.

Qual o impacto na geração de emprego e renda?
Os empregos vão vir naturalmente com o crescimento da atividade turística nesses lugares. Se o Forte recebe 10 mil pessoas no mês, se ele passa a receber 50 mil, ele vai ter outra pujança, em termos de gente para trabalhar lá dentro, para apresentar, se tiver atrações lá dentro, você passa a ter permanentemente pessoas trabalhando para deixar aquela atração funcionando. Não necessariamente só shows, mas podem ter salas interativas, equipes de teatro lá dentro fazendo encenação das batalhas que aconteceram lá dentro. Tudo isso é emprego que vai ser gerado. A própria manutenção do Forte gera uma quantidade empregos muito bacana, falei do Forte, mas isso vale para qualquer um. É óbvio que a eficiência da inciativa privada vai tentar diminuir ao máximo o custo disso, mas eu não tenho dúvida que não tem nenhum empresário que vai deixar de crescer o negócio porque não vai contratar ninguém.

Como essas parcerias podem impulsionar o turismo?
Vou dar um exemplo, a gente vai para as feiras de turismo e o Estado fala do Estado, a Prefeitura fala das coisas da Prefeitura, dos produtos turísticos, mas não tem ninguém do Museu da Rampa indo nessa feira para dizer “olha, isso aqui é um atrativo de Natal, você pode comprar antecipado. Agência de viagem, operadora, você quer incluir isso no pacote, fazendo negócio”. Isso já é um emprego que foi criado, dois ou três, ou cinco que teve que montar um plano de negócio para ir para lá, então assim a dinâmica é muito maior do que hoje, de pessoas que são funcionários públicos, que têm a sua limitação de atuação, eles nem podem mesmo fazer isso porque não tem um cargo descrito que alguém vai fazer de marketing do Forte. Esse papel do crescimento do volume de vendas, crescimento do produto, com as PPPs, vai naturalmente gerar um crescimento muito grande para o turismo do Estado.

Que benefícios podem trazer para o Estado e para o cidadão?
Eu até brinquei na reunião com o governo, dizendo que não tem que ser bom para os dois, tem que ser bom para os três: inciativa privada, governo e população. Tem que ser bom para iniciativa privada, que vai ter que ter seu retorno sobre capital investido, tem que ter essa segurança jurídica, mas tem que ser bom para o estado através de redução de custo, de manutenção melhor no prédio e tem que ser bom para o cliente. Temos que focar no turista, no potiguar, no natalense. Na hora que eu foco no cliente, todos os dois vão estar sendo beneficiados porque mais gente vai vir, mais receita o Estado vai ter. É outorga, é valor mensal, até o próprio fundo de promoção de turismo pode ser beneficiado. O objetivo é tratar melhor o cliente: natalense ou turista. Ele precisa ter orgulho de ir no Museu da Rampa e levar um parente de fora, um amigo. Trazer um amigo para o Cajueiro, para o Forte, quando chegar alguém em Natal perguntando o que fazer, a gente saber que pode indicar tal canto.

É possível estimar o quanto em investimento que esses equipamentos podem receber no total?
Não pode ainda porque como está na fase inicial de avaliação, é necessário o estudo de viabilidade econômica. Então, esse estudo de viabilidade econômica de cada um.

Cada caso é um caso, mas pelo que já foi mapeado, todos são viáveis?
Não acho que dê para dizer que todos são viáveis, eu diria que os mais desafiadores são as duas APAs. É porque exige um investimento maior, um estudo ambiental muito maior, mas a ideia da Fecomércio de colocar essas APAs dentro do hall é quase que um pedido de socorro, é tipo “a gente precisa resolver esse problema”. O Estado não está conseguindo resolver, ele não tem controle da quantidade de carros que passam, por exemplo. Aqui no litoral sul, nas dunas de Búzios, de Malembá, de Barreta, não existe nenhum estudo e tem 200, 300, 400 carros passando lá por dia. Até quando a gente vai permitir esse tipo de situação porque não existe um controle, não existe um efetivo trabalho para que isso aconteça, não existe uma regulamentação no Estado. Essas são as mais complicadas, mas continuo achando que sim, existe uma viabilidade porque o turista está indo. Esse é o ponto sempre. As demais, Centro de Convenções, Cajueiro, Forte, Rampa, Parque das Dunas, temos certeza que são absolutamente viáveis.

Como está o nosso turismo hoje? Está mais focado no turista regional ou nacional?
Durante a pandemia ficou óbvio que o turismo regional foi o que conseguiu minimamente manter as coisas em funcionamento. Não era ganhando dinheiro não, era em funcionamento, mas o nosso turismo não consegue sobreviver de turismo regional, ele é parte do todo. O nosso turismo sobrevive do turismo nacional, somos um dos três ou cinco destinos mais desejados pelo brasileiro e nós temos 200 habitantes. É um mercado gigantesco. Nosso foco hoje em Natal, eu diria que quase 90% é de turismo nacional, sendo desses daí uns 80% turismo não regional. O regional responde por uma parte pequena, mas tem influências muito grandes em datas específicas, por exemplo, como Semana Santa, Carnaval, São João e um feriadão.

Que outras medidas podem ser tomadas para impulsionar o turismo? E em termos de políticas de fomento e incentivo do Estado, com avalia a situação?
O que a gente precisa do Estado é que a responsabilidade dele, ele faça bem feito, que é a infraestrutura. A gente precisa de segurança, estrutura viária e quando eu falo isso me refiro a todos os entes. As estradas estaduais, como algumas municipais, são muito ruins mesmo. Nós precisamos de investimento em promoção. Não há produto nenhum que consiga se manter, se não tiver permanentemente investindo no marketing, na promoção. Para a gente é fundamental o entendimento tanto do Governo, como das prefeituras, até dos parlamentares, que precisam alocar recursos através das emendas, que eles precisam promover nossos destinos. Acho que são investimentos que retornam muito rapidamente. Além disso, precisa cuidar dos produtos turísticos, precisa cuidar da Praia de Ponta Negra, da Via Costeira, do Cajueiro, da Praia dos Artistas, do Forte. São esses diferenciais que a gente vai conseguir ter na hora de competir com outros estados.

E qual a expectativa para 2024?
Nós temos uma expectativa muito boa, existe uma recuperação do setor de eventos, que é muito importante para o nosso negócio, para o turismo em geral, porque o setor gasta 50% a mais do que o turista de lazer. O Centro de Convenções está praticamente com uma lotação esgotada em eventos. O turista internacional passou a vir mais fortemente com voos diários da TAP, vou direto de Buenos Aires, conexões boas e temos essa perspectiva de novos voos que estão acontecendo, inclusive com a chegada das Zurich. Há um ciclo positivo pelo ano de 2024.

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