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BNB suspende operação de crédito para carcinicultores

Andrielle Mendes – Repórter

O Banco do Nordeste (BNB) suspendeu, desde o dia 21 de janeiro, novas operações de custeio e de investimento para a carcinicultura. A decisão, que vale para o país inteiro, teria sido tomada durante uma reunião entre a diretoria de Gestão do Desenvolvimento, a diretoria Financeira e de Mercado de Capitais e a diretoria de Negócios do banco, realizada este mês.
Itamar Rocha estranha silêncio do Banco do Nordeste e diz não haver justificativa para a suspensão
O setor diz ter sido pego de surpresa. As Associações Brasileira e Norte-rio-grandense de Criadores de Camarão tomaram conhecimento da situação através de criadores que tentaram obter empréstimos e tiveram o pedido negado. Nenhuma justificativa foi dada aos carcinicultores. O banco afirmou, em nota, que ‘considera o tema uma questão interna e não vai se manifestar a respeito’, mas a TRIBUNA DO NORTE apurou que a suspensão está vigente.

O banco teria, segundo os carcinicultores, enviado uma nota para todas as agências comunicando a suspensão da contratação de novas operações. Cerca de 400 criadores de camarão serão afetados só no Rio Grande do Norte, segundo cálculos da Associação Norte-rio-grandense de Criadores de Camarão (ANCC).  A medida também se refletirá na queda da produção e na demissão de trabalhadores, de acordo com Orígenes Neto, presidente da ANCC. A decisão de suspender o crédito foi anunciada no momento em que o setor tenta aumentar a produção para atender a demanda do mercado interno.

Os carcinicultores vão tentar agendar uma reunião com o banco na próxima semana. Antes disso, se reunirão para avaliar o impacto da suspensão. Itamar Rocha, presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Camarão (ABCC), também vai pedir apoio à bancada federal do Rio Grande do Norte. Ele cita a queda da produtividade brasileira, que passou de 6.086 quilos por hectare, em 2003, para 3.510 quilos por hectare, em 2011, e afirma que o crédito poderia ajudar os carcinicultores a recuperar terreno no país.

 O camarão, que já chegou a ser o item mais exportado pelo Rio Grande do Norte, sumiu da pauta de exportações há alguns anos. Matéria publicada pela TN ainda em dezembro de 2011 já abordava o problema. Segundo a reportagem, das 10 exportadoras de camarão no estado, sete já haviam fechado. As outras três tinham demitido funcionários e redirecionado a produção para o mercado nacional, que passou a absorver 100% do camarão produzido pelo país.

 “Queremos saber porque os financiamentos foram suspensos. Por que o banco não nos chamou para comunicar a decisão? Não há nenhuma justificativa para uma atitude como essa”, afirmou Itamar Rocha. Procurado pela equipe de reportagem, o banco preferiu não responder o que motivou a decisão nem por quanto tempo a suspensão será mantida.

ABCC tenta barrar camarão argentino

A suspensão das novas operações de crédito para a carcinicultura não é o único problema enfrentado atualmente pelo setor. Os carcinicultores temem que com a entrada do camarão argentino, já sinalizada pelo governo federal, os camarões brasileiros sejam dizimados. Doenças trazidas pelo camarão estrangeiro, segundo a Associação Brasileira dos Criadores de Camarão (ABCC), poderiam arrasar a produção do Brasil.

Em entrevista recente à TRIBUNA DO NORTE, o presidente da Associação Norte-rio-grandense dos Criadores de Camarão (ANCC), Orígenes Neto, reafirmou que o setor ingressará com uma ação na Justiça Federal, em Brasília, contra o ministro da Pesca e Aquicultura, Marcelo Crivella, e a ‘equipe que realizou a análise de risco de importação’, para barrar a entrada do camarão argentino no país. A razão para o boicote, segundo Orígenes Neto, é clara.

“Depois que autorizar a importação, ficará difícil de controlar”, argumentou. Entrar com uma ação, segundo ele, não seria uma hipótese. “Já está decidido. Contratamos um escritório em São Paulo que está cuidando disso. Vamos entrar na Justiça em breve. Não é coisa para demorar não. Estamos buscando o apoio do Ministério Público Federal em vários estados. Três já se posicionaram a nosso favor”, afirmou em entrevista publicada no último dia 25.

Em visita ao estado na semana passada, o ministro explicou que a importação seria fiscalizada e que haveria uma cota, para não prejudicar o crescimento da produção no Brasil. Segundo o ministro, a entrada de camarão estrangeiro não coloca em risco a produção brasileira. O setor, que deixou de exportar e passou a vender todo o camarão produzido no mercado nacional, discorda.

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