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Desemprego atinge 26% dos jovens potiguares de 18 a 24 anos

Felipe Salustino
Repórter

A busca por uma oportunidade no mercado de trabalho requer sempre paciência e muita persistência, mas se o candidato que pleiteia uma vaga no Rio Grande do Norte tiver entre 18 e 24 anos, a busca se torna ainda mais complicada. É que de acordo com os dados da mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, a taxa média de desemprego para essa parcela ficou em 26,6% em 2022, enquanto para o conjunto de trabalhadores em geral, a taxa ficou em 10,8%. Os números referentes a 2022 excluem os meses de janeiro a março.
Dados do IBGE apontam que em 2022 desemprego de jovens no RN ficou acima da média nacional e também superior à média geral de desempregados no estado
Segundo o IBGE, em razão da pandemia de covid-19, a coleta de dados no RN foi interrompida após o primeiro trimestre de 2020 e retomada apenas no segundo trimestre do ano passado. Os resultados do Estado em 2022 ficaram acima da média nacional, cuja taxa de desemprego entre os jovens ficou em 19,2%. Considerando apenas os números locais, o índice no último ano ficou acima da registrada nos 12 meses de 2012 e 2013 (com percentuais em 21,7% e 21,2%, respectivamente – este último percentual é considerado a mínima histórica para o RN no âmbito da Pnad).

Já em 2020, a Pnad Contínua contabilizou dados apenas do primeiro trimestre. Os registros para o recorte dos 18 aos 24 anos ficaram em 35,4%. A falta de experiência é o principal entrave para que os jovens conquistem uma vaga no mercado de trabalho.

Alice Fernandes, de 19 anos, conhece de perto as dificuldades. Após um ano como Jovem Aprendiz em uma empresa de telecomunicações, cujo contrato foi finalizado em janeiro passado, ela diz que tem buscado uma recolocação, com entrega de currículos e cadastros em plataformas de emprego. “Estou correndo atrás de qualquer oportunidade que me permita aprender. Baixei aplicativos [para cadastros em vagas] e imprimi currículos para deixar em vários lugares. Também estou tentando oportunidades nos sites das próprias empresas. Está sendo um processo bem cansativo”, desabafa.

A jovem fala inglês intermediário, domina as ferramentas de internet e, apesar da temporada na empresa de telecomunicações, acredita que a pouca experiência é o principal gargalo para conquistar uma nova vaga. “Na busca de porta em porta, já levei alguns ‘nãos’, mas o que mais ouço é: ‘vamos analisar’. Até agora, só fui chamada para uma entrevista. Isso tem me deixado bastante ansiosa. As empresas não querem contratar o pessoal mais novo, pela pouca experiência, mas acredito que, com a bagagem [ela atuou como auxiliar administrativa] que eu adquiri, consigo desenvolver bem algumas habilidades sem muita dificuldade”, relata.

Se para Alice, que mora na zona Sul de Natal, está difícil, para quem vive em cidades menores, no interior, o cenário é ainda mais difícil, sendo que a falta de experiência também aparece principal empecilho. É o caso de Danielle Félix, de 23 anos. Ela mora em Nova Cruz, no Agreste Potiguar e trabalhou quase um ano como auxiliar de serviços gerais, atuando ainda como recenseadora do IBGE durante três meses em 2022. Desde então, não consegue se recolocar no mercado de trabalho.

“Acredito que o principal fator para essa dificuldade é a falta de experiência. O mercado não dá oportunidade, mas ao mesmo tempo, exige experiência. Estou procurando emprego em qualquer área, jogando currículo e o que aparecer eu vou pegar”, conta Danielle.

Qualificação reforça oportunidades

Vários fatores dificultam o acesso dos jovens de 18 a 24 anos no mercado de trabalho. Joana D’Arc de Medeiros Dantas, subsecretária de Trabalho da Sethas-RN, pasta que coordena o Sistema Nacional de Empregos do Rio Grande do Norte (Sine-RN), diz que a falta de experiência se destaca como maior gargalo. Segundo ela, a principal dica para aumentar as chances de chamar a atenção de recrutadores e reduzir os empecilhos, é a qualificação.
Alice Fernandes acredita que pouca experiência reduz chances
“As limitações mais importantes são falta de experiência profissional e pouca maturidade. Além disso, tem a escassez de vagas e a hesitação da própria contratante, porque, uma vez que esses jovens ainda estão na fase de adquirir experiência, as empresas preferem pegar pessoas que tragam um retorno mais efetivo. A princípio, quando se busca uma primeira oportunidade, é fundamental a qualificação profissional. E, a partir daí, é que é possível estruturar um bom currículo”, explica Joana D’Arc.

É o que está fazendo Danielle Félix, de Nova Cruz. “Estou em um curso de Informática e já fiz outra formação que incluía estudar oito modalidades (como atendimento ao cliente, marketing, atendente bancário, atendente de farmácia e outros) em quatro meses. Tenho certeza que os cursos vão me ajudar muito”, afirma.

Já Alice Fernandes, de Natal, diz que pretende fazer uma graduação no próximo ano. “Penso em cursar Relações Públicas ou Publicidade e Propaganda”, conta.

A subsecretária de Trabalho da Sethas, Joana D’Arc Dantas, sublinha que o Sine tem contribuído com a formação e o ingresso de jovens no mercado de trabalho por meio de um banco de dados (que direciona candidatos a vagas) e com cursos de formação online. “Temos o Sistema Nacional de Emprego, a porta de entrada desses jovens no mundo do trabalho. Mas é necessário que eles tenham conhecimento da importância do programa, porque muitos ficam distribuindo currículo de forma aleatória e não participam do nosso banco de dados. Aqui, nós podemos fazer uma intermediação junto ao mercado”, esclarece.

“Além disso, o Sine tem qualificação profissional por meio de uma plataforma online, que disponibiliza mais de 130 cursos, pelos quais os candidatos recebem certificado do Ministério do Trabalho e da própria plataforma. Além disso, por meio da Subsecretaria de Trabalho, nós estamos implementando o projeto Lan House da Juventude, direcionado aos jovens de 14 a 24 anos, sem acesso a meios digitais, os quais terão a oportunidade de fazer os cursos online na sede da Subsecretaria”, detalha Joana D’Arc.

Semtas oferta cursos de qualificação

Em Natal, a Secretaria Municipal de Trabalho e Assistência Social (Semtas) também disponibiliza cursos de formação profissional a fim de facilitar a entrada de jovens e de outras pessoas no mercado de trabalho. “Os cursos contemplam a formação inicial e continuada das pessoas que buscam o aperfeiçoamento de ocupações já desenvolvidas, seja no exercício da profissão, tendo como objetivo desenvolver ações para jovens, adultos, pessoas com deficiência, idosos, pessoas desempregadas, ou trabalhadores autônomos e ainda aqueles que se encontram em busca de uma atividade produtiva ou de qualificação profissional, bem como a inclusão digital”, informou a pasta por meio de nota.

A Secretaria disse também  que executa a política municipal de trabalho, emprego e renda, com  ações, programas e projetos operacionalizados por meio de dois departamentos: o de Desenvolvimento e Qualificação Profissional (DDQP) e o de Gestão Empreendedora, Artesanato e Economia Solidária (DGEAES). No âmbito da DDQP, a Secretaria informou que promove ações de qualificação profissional para ampliar as oportunidades de inserção do usuário no mundo do trabalho ou alternativas de geração de renda, sendo responsável por dois eixos: Qualificação Profissional e Intermediação de Mão de Obra (IMO).

“A Intermediação de Mão de Obra tem como objetivo fazer o encaminhamento dos trabalhadores para inserção ou reinserção no mercado de trabalho formal, subsidiando com outras ações e serviços”, explicou a Semtas. Além disso,  disse que são firmadas parcerias com instituições para ofertar outros cursos de qualificação profissional.

 “No ano de 2022, a Semtas entregou 3.374 certificados para as pessoas que concluíram os cursos de Qualificação Profissional promovidos pelo Centro Municipal de Trabalho e Empreendedorismo (CMTE)”, pontuou a pasta. Mais de 60% desse total são jovens.

A Secretaria detalhou que atua com o programa Acessuas Trabalho, que busca a autonomia das famílias usuárias da política de assistência social, por meio da integração ao mundo do trabalho. “O programa faz parte de um conjunto de ações de articulação de políticas públicas e de mobilização, encaminhamento e acompanhamento de pessoas em situação de vulnerabilidade e/ou risco social para acesso a oportunidades afeitas a trabalho e emprego”, informou.

Neste caso, o público alvo são jovens e adultos, entre 14 e 64 anos, acompanhados pelo Cras.  “São mantidas parcerias com a UFRN e organizações não governamentais. Ano passado, 2,3 mil jovens e adultos foram qualificados e encaminhados para o mundo do trabalho, por meio do programa”, finalizou a pasta.

Em fevereiro passado, foram abertas, por exemplo, 440 vagas distribuídas entre cursos técnicos e de empreendedorismo, sendo 330 vagas para toda a população e 110 para a rede socioassistencial e Secretaria da Mulher (Semul).

Números

19,2%
Taxa média do desemprego entre jovens no Brasil

26,6%
Taxa média do desemprego entre jovens no RN

Fonte: IBGE

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