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Hospedagem alternativa e mais cara

Pesquisar. Esse deverá ser o verbo mais conjugado por quem procura hospedagem em Natal para o período da Copa. Os preços estão mais salgados nos hotéis, nos imóveis para locação, e até mesmo nos meios de hospedagem alternativos, a exemplo das pousadas e albergues, encarados pelo Ministério do Turismo como saída para atrair turistas que só podem – ou querem – gastar menos nesse quesito. Em alguns estabelecimentos, as diárias mais que dobraram. Analistas do setor apontam o risco de se cobrar mais do que o recomendado e dizem enxergar exagero em Natal.
Não foram só os hotéis que elevaram os preços de olho na Copa. Albergues e pousadas em Natal também aumentaram as diárias para o período e, em alguns casos, os valores devem mais que dobrar
Albergues dobram preço em Natal

Quem deseja se hospedar em Natal durante a Copa precisa preparar o bolso. As diárias subiram de preço até mesmo nas hospedagens ditas alternativas e com tarifas geralmente mais baixas. O custo para se hospedar na maioria delas dobrou de preço, e até triplicou em alguns casos.

Apontadas como opção para quem não vai se hospedar em hotel nem alugar imóvel e encaradas como saída pelo Ministério do Turismo para equilibrar os preços, as pousadas e albergues de Natal já estão cobrando R$ 150 – três vezes mais do que cobram na alta temporada – por café da manhã e cama num quarto compartilhado por até seis pessoas.

Henrique da Costa Júnior, diretor do Albergue da Costa, em Ponta Negra, por exemplo, cobrava R$ 55 por uma cama num quarto compartilhado por seis pessoas, incluindo café da manhã. Na Copa, cobrará R$ 150. Rita Castro, sócia-gerente do Albergue Verdes Mares, localizado no mesmo bairro, também cobrará mais. “Hoje cobramos R$ 50 por uma cama num quarto para até quatro pessoas, incluindo o café. Na Copa, vamos cobrar R$ 100”.
Henrique da Costa Júnior: Investimento em expansão da estrutura influenciou valor das diárias
O preço subiu, porque a procura por hospedagem aumentou, justificam. E só não subiu mais no albergue administrado por Rita, porque a rede que ela integra –  a Hostelling International Brasil – orientou a não fazer isso.

A orientação dada pela rede, segundo Evilásio Crisanto de Morais, diretor do Sindicato das Empresas do Setor Imobiliário, vale não só para os albergues, mas para os hotéis e imóveis de locação também.

Pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro do Turismo (Embratur) nas 12 cidades-sede do Mundial constatou que a diária cobrada a quem se hospedará durante a Copa está até 252% mais cara na capital potiguar. Há casos de hotéis, por exemplo, que passaram a cobrar R$ 331 por um leito que antes ‘valia’ R$ 94.

“Não há uma definição clara do que seja considerado abusivo. Mas é evidente que reajustes de 100% ou mais não são razoáveis e espantam o turista”, disse o Instituto Brasileiro do Turismo (Embratur), na época do lançamento da pesquisa.

Donos de imóveis também reajustaram o valor do aluguel para a temporada dos jogos acima do valor de mercado. Tem natalense cobrando R$ 2,1 mil por kit net em Petrópolis cujo aluguel no mês valeria, no máximo, R$ 1,2 mil, R$ 30 mil por um apartamento em Lagoa Nova que poderia ser alugado, no máximo, por R$ 18 mil, e R$ 49 mil pelo aluguel de uma casa na praia que poderia ser alugada por R$ 30 mil na alta temporada, observa Evilásio.

Preocupação
Diante dos números, ele diz não ter dúvidas: há exagero.  “Isso é muito preocupante. As pessoas não fizeram uma avaliação do quanto podem cobrar. Isso pode criar uma dificuldade entre os visitantes e fazer com que muitos turistas acabem preferindo se hospedar em capitais vizinhas, como João Pessoa, onde os preços são mais baixos”, alertou.

Muitos turistas têm aceitado pagar o valor cobrado pelo menos nas hospedagens alternativas. No Albergue da Costa, por exemplo, 91% dos leitos já estão reservados por visitantes que assistirão os jogos em Natal. No albergue Verdes Mares, só há leitos disponíveis, porque a gerência decidiu ‘segurá-los’ e disponibilizá-los só após o carnaval.

O risco de alguns leitos ficarem vazios durante a Copa, no entanto, existe. A diária em alguns hotéis na cidade já supera R$ 1 mil, quase cinco vezes mais do que uma diária média cobrada na cidade (R$ 210). “É preciso tomar cuidado. Um aumento muito significativo nos preços pode afugentar os turistas e ‘queimar o filme’ de Natal”, alerta Fernando Bezerril, secretário de turismo de Natal.

Alta nas diárias reflete maior demanda e investimentos

A alta das diárias não é reflexo apenas de uma maior procura pelo meio de hospedagem ou da expectativa em recepcionar mais hóspedes durante a Copa. Ela reflete também uma série de investimentos que foram feitos pelos empresários de olho no Mundial.

Diretor do Albergue da Costa, em Ponta Negra, Henrique da Costa Júnior, investiu R$ 60 mil nos últimos meses e espera investir mais R$ 20 mil no seu estabelecimento até a Copa. “Construímos mais dois quartos e depois do carnaval vamos construir outro. Abrimos uma creperia e uma pizzaria. Também trocamos os televisores, refrigeradores, ar-condicionados”, enumera Henrique. Com a reforma, o número de quartos vai passar de sete para dez e a capacidade de hóspedes, de 26 para 40. Henrique não foi o único que investiu para aumentar a capacidade de seu albergue.
Rita Castro também investiu: construiu um novo bloco com cinco quartos e mobiliou todos eles
Rita Castro, da Verdes Mares, construiu um novo bloco com cinco quartos e mobiliou todos eles. “Construímos mais quartos e os equipamos, porque sabíamos que teríamos público”, afirmou.

Renato Oliveira, proprietário da Pousada do Caju, em Pirangi, Grande Natal, não tem a mesma certeza. A menos de seis meses para Copa, não registrou nenhuma reserva para o Mundial. Ainda assim investiu. “Nossa ideia, em 2011, antes de iniciar a reforma, era gastar R$ 80 mil, mas eu já não sei mais quanto gastei. Construí mais alguns flats para famílias, pintei a pousada e troquei os equipamentos. Os hóspedes ainda não apareceram, mas eu vou esperar um pouco mais”.

O valor emprestado para o setor do turismo, que inclui o ramo de hospedagens, bateu recorde em alguns bancos no Rio Grande do Norte. Só no Banco do Nordeste (BNB), o valor emprestado para o setor saltou de R$ 6,7 milhões, em 2012, para R$ 80 milhões, em 2013 – um aumento superior a 1.000% e o maior na história do banco.

Boa parte deste recurso, observou a instituição, foi investido na reforma e construção de hotéis, pousadas, bares e restaurantes na cidade.

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