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Pequenos negócios do turismo no RN crescem 71,7% em cinco anos

Felipe Salustino
Repórter

Os pequenos negócios do setor de Turismo do Rio Grande do Norte passaram de 37.527 para 64.351 nos últimos cinco anos, ou seja, uma expansão de 71,74% desde 2019, segundo a Receita Federal. Só no ano passado, o saldo entre abertura e encerramento de empresas foi de 2.191. Os dados revelados por estudo do Sebrae-RN mostram a força desses empreendimentos para a economia potiguar.


Em 2024, o setor de Alimentação Fora do Lar (Bares, restaurantes e similares) registrou 12.187 empresas ativas, seguido pelo setor de eventos (organização de feiras, congressos, produção musical e fotográfica), com 9.426 empresas. As atividades relacionadas à hospedagem também mostraram fortalecimento, com 1.518 empresas ativas. Os dados também apontam para um aumento na geração de empregos, com um saldo positivo de emprego acumulado de 997 postos de trabalho no setor de bares e restaurantes, e 5.248 no setor de eventos apenas entre 2023 e 2024.


Para fomentar ainda mais esses microempreendedores, o Sebrae-RN tem utilizado como estratégia o apoio a iniciativas com foco no desenvolvimento dos chamados Destinos Turísticos Inteligentes (DTI). Uma das ações é a aplicação de um diagnóstico para avaliar a maturidade de cerca de 85 municípios potiguares com potencial para DTI.

Yves Guerra, gestor de Turismo do Sebrae-RN, explica o DTI – Foto: Magnus Nascimento


A pesquisa começou em fevereiro deste ano e consiste em um formulário com um conjunto de perguntas, concebido por uma ferramenta do Sebrae Nacional, a fim de gerar um radar com especificações sobre quais eixos estão mais avançados e quais precisam de melhorias em cada município. Isso porque o modelo de Destino Turístico Inteligente adotado no Brasil foi criado pelo Sebrae e leva em consideração eixos como governança, sustentabilidade, tecnologia, acessibilidade, marketing e experiência do visitante.

“Nós queremos descobrir o quanto os municípios do RN têm de maturidade para ser um Destino Turístico Inteligente e o quanto eles ainda precisam fazer para chegar lá. O diagnóstico é um norte de como esses municípios vão prosperar. Com ele, teremos um mapeamento geral dos destinos turísticos do Estado. Nossa ferramenta, portanto, vai contribuir para o aperfeiçoamento dos locais que estiverem dispostos a fazer investimentos como DTI”, explica Marília Gonçalves, coordenadora do Programa de Agentes de Roteiros Turísticos do Sebrae-RN, que encabeça o diagnóstico.

“Há a possibilidade de aplicar a pesquisa um ano depois para ver o que de fato foi modificado naqueles municípios que se comprometerem com as mudanças necessárias”, completa ela. O diagnóstico é aplicado às 85 cidades do Rio Grande do Norte que compõem o Mapa do Turismo Brasileiro, do Ministério do Turismo. A intenção é finalizar a pesquisa no próximo mês, mas depende da resposta dos gestores. Até o momento, 49 municípios responderam ao formulário on-line.

No País, de acordo com Yves Guerra, gestor de Turismo do Sebrae-RN, ainda não existem Destinos Turísticos Inteligentes, mas há locais que têm atuado fortemente para se aproximar do modelo, como Curitiba (PR). No RN, Tibau do Sul, principalmente Pipa, se destaca com iniciativas voltadas ao desenvolvimento de um DTI, por causa de ações com foco na sustentabilidade.

Iniciativa sustentável ajuda a impulsionar negócios em Tibau

Uma das iniciativas com foco na sustentabilidade e na experiência do visitante foi criada pela Associação dos Produtores de Ostras do Rio Grande do Norte (Aproostras), em Tibau do Sul. A Aproostras nasceu em 2014, com apoio do Sebrae-RN. Há pouco mais de um ano, a Associação deu vida ao Sorriso da Ostra, um bar flutuante na Lagoa Guaraíras, com capacidade para atender aproximadamente 40 pessoas por dia. O sucesso da iniciativa deu tão certo, que o grupo, frequentemente, precisa recusar reservas. A Aproostras atua no cultivo e comercialização de ostras orgânicas em ambiente natural. As sementes do molusco são reproduzidas em um laboratório vizinho a Guaraíras, na Fazenda Primar, zona rural de Tibau do Sul.


“Parte da produção é comercializada em bares e restaurantes, por meio de vendedores ambulantes. Mas há um ano e meio, conseguimos um flutuante onde é escoada boa parte do que é produzido e onde a gente tem a oportunidade de vender também camarão, peixe e bebida”, explica Rafael Amaro, presidente da Aproostras. Desde a criação, além de cultivar o molusco, a Associação desenvolveu a Rota das Ostras. O passeio é realizado em canoas de madeira, ao longo da lagoa em direção à área de cultivo – uma combinação entre a produção local com o turismo regional.

Amaro afirma que a preocupação com o meio ambiente é o principal eixo da Associação. “Nosso trabalho é todo feito com vistas a não degradar o meio ambiente. Nossas mesas são de madeira autorizada e nossa área é licenciada. Além disso, para os turistas, é uma experiência surreal, como eles mesmos relatam, afinal, são visitantes que estão em um bar flutuante, organizado pelos próprios produtores de ostra, em uma lagoa localizada numa Área de Proteção Ambiental e com um por do sol maravilhoso. Sem falar nos funcionários, super educados”, destaca o presidente da Asproostras.

Graças ao trabalho desenvolvido, a Associação levou para Tibau do Sul o primeiro lugar na categoria “Comunidades Prósperas” da 10ª edição do prêmio Green Destinations Story Awards 2024, uma competição mundial dos 100 destinos mais sustentáveis do planeta. A premiação ocorreu durante a ITB Berlim 2024, a maior feira da indústria do turismo do mundo, realizada em março, na capital da Alemanha.

No prêmio, a história vencedora “O Sorriso da Ostra” contou a trajetória da Associação, da fundação até a consolidação como referência nacional na produção do molusco de alta qualidade e segurança alimentar. “Tudo isso envolve o turista e a gente vê que vale a pena trabalhar de forma sustentável”, pontua Rafael Amaro, ao ressaltar a importância de práticas que levam ao modelo de Destinos Turísticos Inteligentes para alavancar os pequenos negócios do setor.

“É muito importante buscar esse modelo, porque ele envolve não apenas os turistas, mas os próprios moradores. Hoje nós temos uma visibilidade bacana e conseguimos fazer agendamentos até pelo Instagram. Nossa inciativa tem trazido muita gente para cá, o que fortalece o trabalho de bares e restaurantes”, discorre Amaro, orgulhoso. A avaliação é reforçada por Marília Gonçalves, do Sebrae-RN. “Um DTI é uma cidade inteligente, pensada para todos”, afirma.

Modelo DTI é favorável para expandir os micros

O modelo de Destinos Turísticos Inteligentes, aponta Yves Guerra, é primordial para proporcionar um ambiente favorável à expansão de pequenos negócios. “Quando se consegue trabalhar dentro de uma perspectiva de governança atuante e fortalecida, com promoção de ações de sustentabilidade do destino – ambiental e social – e quando se propõe experiências de forma mais real da realidade local, isso faz gerar um incremento no fluxo de turistas, que fortalece os pequenos negócios e os torna mais sustentáveis”, afirma Guerra.


E o Sebrae-RN, segundo ele, tem atuado para ajudar as localidades a percorrer esse caminho, por meio de formação sobre governança, consultoria para modernizar canais tecnológicos e apoio a práticas de sustentabilidade. Desse modo, para cada eixo com foco em um DTI, o Sebrae-RN aposta em ações que possam aprimorar o desempenho dos empreendimentos localizados em regiões do trade.


“Nós participamos na formação da governança, seja ela em nível nacional ou local, fomentando a integração da iniciativa privada, do setor público e o terceiro setor para fortalecer o elo turístico, afinal, tudo precisa estar em harmonia para a atividade fluir. No eixo inovação e tecnologia, nosso trabalho é muito intenso através do programa Sebraetec, que subsidia consultoria tecnológica para que as empresas possam desenvolver e modernizar websites, planejar mídias digitais e usar dados para tomada de decisões e estratégias de marketing, levando em conta o público-alvo, por exemplo”, descreve Yves Guerra.


Em outro eixo, o da sustentabilidade, ele aponta que a atuação do Sebrae vai desde apoio para a obtenção de licenciamento ambiental, passando por consultorias de resíduos, até programas de saúde e segurança do trabalho, qualidade de vida, sustentabilidade dos negócios e questões trabalhistas, para evitar que as empresas tenham segurança e evitem algum problema nesse aspecto. “A sustentabilidade é transversal a qualquer negócio”, avalia Guerra. Quanto à experiência dos visitantes, o gestor explica que é preciso investir em um processo abrangente, que começa antes, durante e depois da viagem ao destino.


“O visitante quer vivenciar a gastronomia, a cultura e o artesanato locais, para ter uma experiência real do destino. Nossa estratégia, que segue a mesma do Sebrae Nacional, é a de preparar os negócios e lugares para um novo perfil de turista, que é um viajante mais conectado e antenado, com acesso à informação e mais exigente, preocupado com a sustentabilidade” comenta o gestor de Turismo do Sebrae-RN.

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