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Turismo aguarda bom legado no pós-Copa

Apesar das expectativas da cadeia turística com a Copa do Mundo, em junho, o setor começou o ano do mundial ainda mal das pernas. A ocupação de leitos no primeiro trimestre de 2014  representou apenas 61% da ocupação registrada no mesmo período do ano passado, de acordo com a Associação Brasileira de Indústria de Hotéis do RN (ABIH). Como o turismo ainda segue em marcha lenta, representantes do setor apontam que a movimentação e a recuperação do setor – que vem em crise desde 2011 – vai ficar para o pós-copa. Tudo depende da imagem provocada pelo mundial.

De acordo com a Confederação Nacional do Comércio (CNC), serão geradas 1,3 mil vagas no turismo no RN, principalmente no setor de hospedagem e alimentação. “Nós vamos ter a Copa, o que vai trazer pessoas de todas as partes do mundo; não só turistas, mas jornalistas e empresários. Isso vai desenvolver uma demanda muito grande em hotéis, restaurantes e toda a cadeia de comércio e serviços. Esses empregos gerados no setor turístico serão multiplicados nos outros setores”, defende o presidente da Federação de Comércio, Bens e Serviços do RN, Marcelo Queiroz.

Ainda de acordo com o presidente, a atividade começou o ano com uma recuperação nos índices de geração de emprego. “Serviços foi um dos motores da geração de novos empregos no começo do ano. O setor de hospedagem e alimentação registrou o terceiro melhor saldo de Serviços, com 353 carteiras de trabalho assinadas, de acordo com o Caged, do Ministério do Trabalho”, citou o presidente.

Mas a desaceleração do setor turístico não vem de agora. No início deste ano a Match – empresa responsável por cuidar das reservas para a Fifa – devolveu 50% dos 10 mil leitos reservados para os jogos na capital potiguar. Além disso, segundo o Anuário Estatístico do Ministério do Turismo, a movimentação de turistas pelo aeroporto Augusto Severo vem em queda nos últimos quatro anos. Em 2010, 59.447 turistas desembarcaram pela via aérea em Natal, contra 39.688 passageiros transportados em 2012.

A diminuição gradativa do número de voos para a capital potiguar é apontada por Habib Chalita, presidente regional da ABIH, como um dos principais fatores para a desaceleração do setor. O Rio Grande do Norte perdeu 5.085 voos entre 2011 e 2013, segundo o anuário estatístico de tráfego aéreo 2013 do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea).

“Essa crise do turismo vem desde 2010, quando o setor começou a ser deixado de lado. Este é o único estado do mundo que trata o turismo como indústria secundária”, critica Chalita. De acordo com ele, há uma cadeia de fatores que contribuem para a desaceleração. “Antes tínhamos o grande problema para desenvolvimento de uma política de estado para o turismo. Depois, começaram outros problemas: pouco ou quase nada de divulgação do destino Rio Grande do Norte para o turista popular. Nós fazemos a divulgação, mas para a iniciativa privada. Também não existe um plano para interiorização do turismo.”

De acordo com ele, a falta de uma política de incentivo para captação de voos só veio a agravar o quadro do turismo regional. “Política para captação de voos não é apenas conceder a redução do ICMS sobre o querosene de aviação. É chegar para uma companhia aérea e dizer: vem cá, me venda que o que vier vago eu lhe pago. Não existe esse diálogo. Talvez isso mude com a nova secretária que assumiu”, analisou o presidente regional da ABIH. Para Chalita, apesar de o Rio Grande do Norte ainda fazer parte do Programa para Desenvolvimento do Turismo no Nordeste (Prodetur), que é desenvolvido pelo Banco do Nordeste, o Estado não enviou nenhum projeto para o programa, que financia, principalmente, projetos voltado para a infraestrutura da economia turística.

A secretária estadual de Turismo, Gina Robinson, estava viajando e não pôde conversar com a reportagem até o final desta edição. Informou, porém, por meio de assessoria de imprensa, que existem 12 projetos em andamento voltados para a recuperação da atividade turística. Dois deles estão voltados para a infraestrutura, como as obras de esgotamento sanitário nas praias de Pirangi, Cotovelo e Pium. Além disso, há investimentos de R$100 milhões por meio do RN Sustentável para a projetos de interiorização do turismo, como a construção do teleférico de Martins.
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