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Valor exportado recua 36 por cento no RN

O Rio Grande do Norte iniciou o segundo semestre com um tombo de 36,24% no valor exportado em dólar, registrando faturamento de US$ 15,87 milhões, contra US$ 24,9 milhões  alcançados no mesmo período do ano passado. Em julho, dos nove estados do Nordeste, apenas Pernambuco (+32,63%), Maranhão (+9,25%), Bahia (+5,22%) e Piauí (+1,27%) registraram resultados positivos.
O melão foi um dos produtos com maior participação no valor exportado entre janeiro e julho
No caso do Rio Grande do Norte, em junho deste ano também  houve queda, de 20,6%. O desempenho, apontado em levantamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), foi atribuído pelo professor do Departamento de Economia da UFRN, Willian Pereira, à redução do consumo na Europa, um dos principais parceiros comerciais do estado. Na visão do professor, entretanto, também faltam políticas de apoio à industrialização. “Exportamos bens primários com baixo valor agregado”, explicou, à época, sobre o resultado negativo.

ACUMULADO
Se considerado o período de janeiro a julho, entretanto, há incremento de 5,26% no valor global negociado pelos exportadores do estado. Castanha de caju, melão, bombons e outros doces, além de bananas, foram os produtos com maior participação no faturamento total, que somou US$ 137,44 milhões no período.

Entre os quatro principais produtos as exportações de bombons (+167,26%) e de melão (+26,30%) registraram os melhores desempenhos em relação ao mesmo período do ano passado. De acordo com informações da Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern), que administra o Porto de Natal, já na próxima semana começam os primeiros embarques da nova safra de frutas.

Informações divulgadas pela própria Codern apontam que apenas 30% da produção de frutas do RN é exportada pelo Porto de Natal. A ideia, segundo a companhia, é ampliar este volume.

Problemas de acesso ao Porto de Natal e atrasos na devolução de créditos, por parte do governo, têm sido apontados pelos produtores no RN como impulsos para que migrem os embarques para o Ceará. Mas não é só isso. “Eu acredito que é realmente a questão do custo. O Porto de Natal só tem uma linha de navegação direta. No Ceará temos três linhas diretas. Isso dá um leque maior para o produtor escolher e negociar preço. O fluxo maior de navios também colabora para que embarque a fruta vários dias por semana”, disse em abril deste ano a coordenadora comercial da Companhia de Integração Portuária do Ceará (CearáPortos), Rebeca Oliveira.

Um estudo do Serviço de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae RN), mostra em números esse movimento. Para se ter ideia da situação, era do Rio Grande do Norte que saiam 61,14% do valor gerado com as exportações brasileiras da fruta, em 2005. Mas o percentual despencou para 39,39% no ano passado. No mesmo período, a participação do Ceará foi catapultada de 37,69% para 59,52%. O estado vizinho  exporta melão, melancia e bananas produzidos no RN.

Obra no porto será licitada em setembro

Obras em curso ou recentemente concluídas podem, entretanto, tornar o porto potiguar mais competitivo. Entre elas estão a construção do berço 4 – extensão do cais atual – e nova retroárea. De acordo com a Codern, o ministro dos Portos, Leônidas Cristino, anunciou ontem a publicação do Edital de Licitação para as obras. O projeto foi orçado em R$ 113 milhões, oriundos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

A licitação será realizada no dia 13 de setembro, na modalidade concorrência, na forma de execução indireta sob o regime de empreitada por preço unitário, do tipo menor preço, que terá como critério de julgamento o menor preço global e acontecerá no próprio porto. A empresa vencedora terá prazo de 20 meses para entregar a obra.

A obra de construção do berço compreende a construção de 220 metros de cais acostável e retroárea, totalizando 10.766 metros quadrados de ampliação; construção de cortina metálica com extensão de 144 metros para contenção do aterro de retaguarda do Berço 3; construção de atracadouro para embarcações de pesca artesanal e construção de edificações na retroárea externa.

 Somados a dragagem de aprofundamento já concluída e com a obra do Terminal Marítimo de Passageiros em execução, Cristino, de acordo com a Codern, garante que o Porto terá sua capacidade de movimentação dobrada.

Para o presidente da Companhia, Pedro Terceiro de Melo, a obra do Berço 4 é o segundo passo no sentido de dar viabilidade econômica ao Porto de Natal, já que, com a sua conclusão, o Porto terá um supercais de 360 metros (somas do Berço 3 com o Berço 4, que sáo retilíneos). Segundo ele, o primeiro passo foi o início da construção do Terminal Marítimo de Passageiros, que já está com 16% da obra realizada.

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