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“Vamos dar suporte aos arranjos produtivos e à inovação no interior”, diz Superintendente do Sebrae

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A inauguração da Agência Sebrae Agreste, com sede na cidade de Nova Cruz, nesta segunda-feira (26), dará suporte à expansão dos serviços do Sebrae RN e aos arranjos produtivos em 23 cidades da região. A ideia é fortalecer e expandir o apoio aos 14,2 mil pequenos negócios locais, dos quais 7,5 mil (53%) já são atendidos pela instituição, e entrar com a inovação no interior, ou seja, levar uma espécie de Sebrae Lab para a Agência Agreste. Quem afirma é o diretor superintendente do Sebrae RN, Zeca Melo. Nessa entrevista à TRIBUNA DO NORTE, ele fala sobre a expectativa da nova agência, expansão dos serviços, cenário do Rio Grande do Norte e perspectivas para 2024. Zeca Melo diz que além de aumentar a cobertura, o objetivo é qualificar o atendimento aos negócios da área. Os 23 municípios que compõem a região somam 9.914 microempreendedores individuais (MEI); 3.963 microempresas individuais (ME) e 334 empresas de pequeno porte (EPP). Confira a entrevista.

Qual a expectativa para a inauguração da nova agência, projetos e ações para a região? Que motivos foram levados em consideração para a abertura da agência no Agreste?
A região Agreste, litoral sul, é talvez, das nossas agências, a que tem maior potencial proporcionalmente porque é uma região muito rica. São 23 municípios, que concentram atividades econômicas muito diversificadas e que têm muito peso na economia do Estado como pequenos negócios. Quando a gente pensa na economia, a gente pensa em algo grande como um aeroporto, mas não vai ter um aeroporto em cada região, a gente tem que trabalhar com pequenas empresas mesmo. Temos São José de Mipibu, Goianinha, Tibau do Sul, Canguaretama, Nova Cruz, Santo Antônio, por exemplo, temos a bovinocultura, mandiocultura, um pólo de turismo consolidado de sol e mar, além das serras. Temos projetos localizados, como o de ostra. Vamos ouvir muito falar de Georgino Avelino, Arez. Atividade de camarão. Ou seja, é uma região de muito potencial. São 14 mil pequenos negócios no Simples Nacional, a gente tem uma taxa de cobertura muito boa de 53%, não é fácil atender. Na verdade esse número é maior porque tem muita empresa que não faturou, que está parada, muita gente com mais de um CNPJ. Isso tudo justifica uma intervenção do Sebrae mais profissional ainda, de mais qualidade.

Quais são os principais negócios da região?
Temos o turismo de sol e mar, desde Pirangi do Sul até Baía Formosa, mas com ênfase em Tibau do Sul, Pipa, Barra do Cunhaú e Baía Formosa, que é uma fronteira nova. Temos o charme das serras do Pólo do Agreste, com Serra de São Bento, Monte das Gameleiras, Passa e Fica e Campestre, há o distrito industrial de Goianinha, há a questão da bovinocultura, tradicional em Serrinha, Santo Antônio, é uma região bastante propícia para o gado. Temos a mandiocultura, com bejú, farinha. Aí você tem ostra, camarão, pesca e os novos como feijão verde, suinocultura, comércio varejista. Tudo isso são coisas que darão certo e que já estão dando.

O que muda com a agência do Agreste? Que resultados o Sebrae espera alcançar?
A gente espera potencializar, dar mais condições de você fazer um atendimento melhor. Nós estamos muito preocupados, a partir deste ano, inclusive mudando um pouco, puxando mais pelo qualitativo, sem perder a quantidade. Não é fácil passar de 100 mil, nós vamos passar atendendo cerca de 100 mil negócios, que é cerca de 50% das empresas do Estado, mas nós vamos nos dedicar mais ao atendimento, tanto individual e coletivo, de qualidade. Vamos fazer isso no Agreste também. Tem um projeto que o Sebrae nacional está desenvolvendo com o SBDC [Small Business Development Centers], que é o Sebrae americano, e nós fomos convidados para adotar um pouco aqui, o modelo deles, e estamos fazendo um piloto na agência de Nova Cruz. São três analistas na equipe, um trainee, cinco estagiários e muita coisa para fazer. A questão do atendimento individual é uma pegada, o suporte aos arranjos produtivos é outra pegada, não só nas questões mais conhecidas e convencionais, como turismo, mas em outros projetos novos, como suinocultura, uma pequena área de feijão verde, que às vezes parece pouco, mas é algo muito importante para o contexto daquele município. É dar suporte a esses arranjos produtivos e entrar com coisa nova, moderna, que é entrar com a inovação nos interiores, levar uma espécie de Sebrae Lab para dentro da Agência Agreste.

Essa mudança para priorizar a qualidade do atendimento é uma demanda dos clientes?
É uma demanda. Eu acredito em pesquisas, para determinar políticas de recursos humanos, clima organizacional, cultura, comunicação interna. Para se ter uma ideia, admitimos 14 colegas que eram trainees como analistas, e iniciamos uma turma agora que vão demorar dois anos com 12 novos, sendo um em Nova Cruz. A mesma coisa a gente faz com pesquisa para saber como a sociedade nos vê e como os clientes nos veem. O Sistema Sebrae faz isso regularmente, nós temos uma excelente avaliação NPS, temos uma participação sempre no primeiro quartil dos estados. Estamos sempre preocupados e perguntando, mas também inserindo porque às vezes você precisa chamar a atenção da pequena empresa para o que está acontecendo. É muito importante saber o que eles querem, assim como é importante informá-los sobre o que eles precisam fazer. Além disso, é trabalhar com parcerias, nós temos projetos com Finep [Financiadora de Estudos e Projetos], Fundação Banco do Brasil, Instituto Riachuelo, fora as Federações da Indústria [Fiern], do Comércio [Fecomércio], da Agricultura [Faern], CDL, as associações comerciais do Rio Grande do Norte, os bancos, enfim. O Sebrae se tornou um ator importante do desenvolvimento do RN, a gente é demandado regularmente para dar opinião e acho que isso foi um grande conquista desses 50 anos, a gente conseguiu liderar o apoio ao empreendedorismo do Estado e colocar, não a instituição, mas a causa na cabeça de todo mundo para a inclusão do pequeno negócio, que deve estar perto dos 40% do PIB.

Como a Agência Agreste se conecta com as outras agências do Sebrae, sobretudo na região metropolitana?
Temos um Sebrae nacional e uma unidade estadual muito fortes. A gente não vai se conectar, nós já estamos conectados. Alguns projetos são desenvolvidos no escritório metropolitano, mas também em Santa Cruz, por exemplo, porque as regiões se misturam. Você cria uma agência para facilitar a operação porque é uma coisa só. A conexão existe. Nós vamos realizar o Conecta, nos dias 7, 8 e 9 de março, que é uma grande feira de negócios, que vai ser em Goianinha, em um projeto em parceria com a prefeitura, mas não é uma parceira que a prefeitura está patrocinando, ela está fazendo junto da gente. É um grande evento, vem o Bráulio Bessa e o ex-jogador Diego Ribas, que foi o capitão do Flamengo, e fala sobre liderança. O apoio ao pólo das serras também é uma coisa importante. Existe o projeto Líder, que nós fizemos no Geoparque Seridó, onde estamos com uma intervenção forte lá, no turismo, e nós vamos fazer com Passa e Fica, Serra de São Bento, Monte das Gameleiras e São José do Campestre, é um projeto com participação da comunidade, da classe política, empresários, das universidades, coordenado por nós e sai como um projeto de desenvolvimento da região. Depois eles tocam e a gente fica só no suporte. Outra coisa é potencializar o projeto das Salas dos Empreendedores dos municípios, que a gente tem sala nos 23 municípios. São 50 agências de desenvolvimento que trabalham conosco e um trabalho muito exitoso em conjunto com a Assembleia Legislativa. Tem muita coisa para fazer.

A escolha por Nova Cruz foi estratégica?
Nós resgatamos um compromisso com Nova Cruz de 2013, na época em que meu amigo Cid Arruda era prefeito e fez um imenso esforço. Qualquer uma dessas poderia sediar a nossa agência, mas Cid fez um esforço muito grande, ele apoiou a gente, cedeu uma área, um espaço da prefeitura, bancava o custeio, cedeu o terreno. A gente fez o projeto e nós tivemos dificuldade com a Câmara e Targino Pereira que entrou também ajudou, e agora o prefeito Flávio arrematou. Nós tivemos um apoio forte dos governos do município. É um prédio moderno, inteligente, respeitando o meio ambiente, com coleta de água, reaproveitamento, com todas as inovações necessárias para ser um prédio moderno, inteligente e sustentável. Estou muito feliz.

Quais são as perspectivas para 2024?
Vamos trabalhar muito, estamos mudando o modelo de atendimento. Vamos apostar muito no digital, principalmente com os microempreendedores individuais, transformar isso num instrumento importante. Vamos consolidar alguns projetos que nós temos na área de energias, temos um pólo de energias renováveis, que é um segmento que as pequenas empresas precisam entrar nele. Vamos realizar grandes eventos, estaremos fortíssimos na Festa do Boi, vamos ter o GO! RN novamente, vamos fazer a Feira de Óleo e Gás em Mossoró, porque esse modelo vai mexendo e a gente precisa se adequar e ver como as ‘junior oil’ se comportam, incluir e inserir o pequeno nisso. Estamos atentos às oportunidades na área de turismo, ficamos muito animados com a chegada da Zurich, felizmente parece que a gente vai ter uma operadora que vai ajudar o turismo e os negócios do Rio Grande do Norte. Ou seja, todas as vocações do Estado. No ano passado nós fizemos 50 anos de Sebrae e subimos a régua, agora ninguém aceita menos do que nós fizemos no ano passado. Para isso, nós temos que trabalhar mais a qualidade do atendimento, o mundo gira muito rápido, temos hoje a inteligência artificial, novos modelos, as mídias sócias, a comunicação com os clientes, saber as demandas, programas de startups. A gente precisa participar mais ainda do ecossistema de inovação. Convido as pessoas para que venham aqui, conhecer, tomar um café às 16h, para fazer network e conversar.

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