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Confraria de Jornalistas é retomada em Natal

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Um encontro para relembrar histórias, reviver grandes amigos e colegas de trabalho e claro, rememorar grandes causos e lembranças de se trabalhar nas redações dos principais veículos impressos do Rio Grande do Norte. Assim foi o Encontro de Jornalistas do Rio Grande do Norte neste sábado (02), promovido no Iate Clube Natal, evento que reuniu profissionais da comunicação da “Velha Guarda” e da nova geração. Pelo menos 70 jornalistas participaram da atividade, que contou com almoço e um bate papo descontraído entre velhos amigos.


O encontro surgiu a partir de uma ideia antiga da jornalista e colunista Salésia Dantas, que foi esposa do jornalista e ex-secretário de imprensa do Estado, João Batista Machado, falecido durante a pandemia. Recentemente, durante o Carnaval, as conversas se intensificaram e a vontade de reunir jornalistas, estagiários, editores, chefes de reportagem e pauteiros tomou forma em uma conversa dos jornalistas Salésia Dantas, Ricardo Rosado, Alex Medeiros e Aluísio Lacerda.


A proposta é reunir jornalistas que passaram pela Tribuna do Norte, Diário de Natal, DN On-line, O Poti, Rádio Poti e também por outros veículos. O evento tem como objetivo, ainda, descobrir onde estão alguns profissionais que trabalharam na empresa, mas que não mantém contato com os demais colegas porque não utilizam redes sociais, modificaram o telefone ou mudaram de endereço.


O jornalista Alex Medeiros lembra que antigamente “o terceiro expediente do jornalista era no bar”, com todos os colegas de redação da Tribuna ou Diário se reunindo em bares para conversar sobre a profissão e os assuntos do cotidiano. Espaços como Bar do Lourival, Peixada do Potengi, Restaurante Cuxá, Bar das Bandeiras, entre outros, eram os preferidos da turma, que sempre reunia muita gente para um bom bate papo.


“A adesão foi muito rápida. Arrisco dizer que nunca houve uma reunião com tantos jornalistas como essa. E o motivo é esse: lembrar o passado para quem é antigo, retomar isso das confraternizações semanais da categoria, coisa que tem se acabado aos poucos. Antes acabava o expediente você já sabia o bar que a turma ia”, relembra Alex Medeiros, atual articulista da TN e Jovem Pan News Natal.


“Esse encontro nasceu após ideia da nossa colega Salésia Dantas, que foi contemporânea de todos nós, e esse encontro é uma forma de reviver algo que fazíamos todos os sábados após fecharmos a edição do domingo do jornal Poti e íamos para o Bar do Lourival. A turma da TN subia para lá ou às vezes descíamos para Ribeira.

Alguns colegas nossos nem por telefone achamos mais. A ideia é revermos todos. Como estou afastado do jornalismo, estou com saudade dessa conversa também, saber o que cada um pensa atualmente”, relembra Aluízio Lacerda.


Quem esteve presente no evento foi o também articulista da TN, Vicente Serejo. O jornalista e professor aposentado da UFRN brinca que “os dinossauros de vez em quando sentem saudades uns dos outros” e que o encontro será uma forma de reavivar antigas amizades.


“A ideia deu certo porque Salésia percebeu essa saudade dos dinossauros, infelizmente alguns deles já vivem no plano mágico. E nós estamos aqui no plano real e nos reunimos no Iate Clube para relembrar nossas lutas, disputas, medos, coragens. Vivemos um jornalismo que ainda estava sob a tutela de uma ditadura militar que muitas vezes censurava notícias, não que a censura fosse aqui, mas vinha a informação de que matéria tal era censurada. Então vivemos esse período. As redações da época eram grandes escolas, tínhamos figuras como Sanderson Negreiros, Berilo Wanderley, Luiz Carlos Guimarães, cronistas, poetas e escritores”, disse Serejo.


A jornalista Margareth Martins, que atuou na chefia de reportagem do Diário de Natal, celebrou o reencontro com velhos amigos de épocas passadas de redações.


“Esse encontro tem como ideia reunir a velha guarda do jornalismo. A ideia se espalhou e não vieram apenas os remanescentes dos Diários Associados, mas também os novos jornalistas que seguem atuando na Tribuna do Norte e em outros veículos. Natal é uma cidade pequena, mas não conseguimos reunir os amigos, seja por conta dos interesses diversos, as aposentadorias, então é difícil manter um encontro com esse número de pessoas. É um grande consagramento saudoso de tudo que passamos e que esperamos que a nova geração passe também”, acrescentou.


Jornalistas que fizeram uma época diferente da atual, em que não existia tecnologia, internet e computadores e celulares à disposição, apontam que o jornalismo vive uma transformação constante a cada minuto, mas reforçam que bases cruciais e simples seguem sendo necessárias.


“O jornalismo continua sendo necessário. Não é o jornal que vai me informar, mas a leitura dele, das suas contradições, confrontos e contextos. A base de tudo segue sendo apurar, e apurar com repertório. Você precisa ter uma série de experiências, volume de informações, para não se deixar envolver ou cair numa cilada ou outra. E não ter medo do erro”, acrescentou Serejo.

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