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Desarmamento: campanha perde força

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Ao contrário do que algumas pessoas possam pensar, a Campanha Nacional do Desarmamento não acabou. Criada há 11 anos pelo Ministério da Justiça (MJ), a campanha já recebeu voluntariamente mais de 600 mil armas em todo país. Passado o auge do movimento, as entregas diminuíram de ritmo e, atualmente, na sede do DPF/RN, são entregues, em média, três armas por semana. O comandante da Polícia Militar coronel Francisco Araújo recomenda que as pessoas entreguem as armas. “A lei é clara ao estabelecer quem pode ter o porte de arma”, avalia. Comandante da PM, Cel. Araújo, não acredita que as pessoas estão se armando por causa da ineficiência do sistema de segurança público

Ainda segundo o comandante, é preciso analisar com calma os números apontados pelo PDF/RN sobre o registro de novas armas. Araújo acredita que boa parte dos novos registros é justificado pela ação de agentes públicos de segurança. “É preciso analisar a origem dessa compra. Policiais civis, juízes, guarda municipais e outros agentes compraram suas armas”, diz.

#SAIBAMAIS#O policial também não acredita que as pessoas estão se armando porque querem se sentir mais seguras ou por causa da ineficiência do sistema de segurança público. “Acredito que já passou um bom tempo desde o início da campanha de desarmamento e as pessoas, agora, estão querendo se armar”, coloca.

Quem quiser entregar uma arma, deve procurar a sede da DPF/RN ou outros dez postos de entrega espalhados no Estado. Não é necessário se identificar e há uma indenização cujo valor varia de R$ 150,00 a R$ 450,00. Para receber o valor, o cidadão recebe um voucher e saca o dinheiro em caixa eletrônico do Banco do Brasil.

Bate-papo: José Antônio Spinelli – cientista político e professor de Sociologia da UFRN

Porque as pessoas estão se armando?
Em primeiro lugar porque a percepção de insegurança tem aumentado. Essa percepção não ocorre num vazio, nem se trata de mera alucinação. É preciso admitir que a criminalidade no RN vem assumindo proporções inaceitáveis. Se formos analisar as causas da criminalidade em ascensão, elas são ao mesmo tempo estruturais e conjunturais. A causa estrutural mais relevante é a desigualdade social que marginaliza os jovens pobres, sobretudo nas periferias das grandes e médias cidades do país e do Estado.

As instituições policiais não tem mais credibilidade?

Pesquisas recentes apontam a perda de credibilidade da polícia. Numa dessas pesquisas, de âmbito nacional, abrangendo também o RN, as mulheres denunciam ter sofrido estupros de policiais e revelam que não têm confiança na polícia. As nossas polícias, civil e militar, agem majoritariamente pela violência, intimidação e prepotência. Seria necessário investir na formação do policial, não apenas a formação técnica. Não se pode esquecer da necessidade de desmilitarizar a polícia e unificar seus dois ramos em uma única, com responsabilidades perante os governos, as instituições representativas e a sociedade civil.

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