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Em meio à pandemia de covid-19, onda de solidariedade mobiliza potiguares

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Ícaro Carvalho
Repórter
A pandemia de coronavírus tem mobilizado e unido diversos segmentos da sociedade: ações individuais voluntárias, coletivos ligados a entidades religiosas, empresários, sindicatos, membros do setor produtivo, entre outros grupos. Campanhas de financiamento coletivo e ações em busca de donativos para municípios, famílias carentes e trabalhadores desassistidos têm virado rotina em meio a uma das maiores crises de saúde e sociais dos últimos tempos. Durante a semana, a TRIBUNA DO NORTE ouviu várias histórias de solidariedade por parte de natalenses e potiguares, que num momento de desemprego e carência de recursos, buscam fazer a diferença para aliviar a crise.
Izabel Alves intensificou a distribuição de comidas nas ruas
#SAIBAMAIS#
Um dos materiais que logo ganhou destaque na pandemia foi a máscara. Feitas de pano, de TNT, tecidos diferentes, estampas, entre outras, o uso do equipamento de proteção individual já é obrigatório no Estado desde o último dia 7 de maio. Além da distribuição do Governo, iniciada nesta semana, os potiguares também têm vendido e comprado máscaras na quarentena. Há quem não tenha dinheiro para isso.
Foi pensando nisso que surgiu o Varal Solidário, criado pela costureira Lourdes Araújo e sua filha, Denise. Juntas, elas estão confeccionando máscaras de pano para população em situação de vulnerabilidade social, que começaram a ser distribuídas na última sexta-feira. A ideia é fazer 10 varais solidários, com 50 máscaras cada, totalizando 500 unidades por mês doadas. Mãe e filha pedem doações para continuar o projeto.
“Preparamos algumas instruções em cada pacotinho. A gente pede doações de tecidos. Pode ser lençóis usados, toalhas de mesa, fronhas. Até roupa mesmo. Tudo a gente aproveita”, comenta Denise. A ação vai distribuir as máscaras nos cinco hospitais públicos de Natal que atendem pacientes de coronavírus: Giselda Trigueiro, Maria Alice Fernandes, Santa Catarina, João Machado e Hospital da Polícia Militar. Bairros como Quintas, Felipe Camarão, Mãe Luíza, Planalto e Vale Dourado também foram beneficiados.

Entre as ações individuais está o Varal Solidário, criado pela costureira Lourdes Araújo e sua filha, Denise. Juntas, elas estão confeccionando máscaras de pano para população em situação de vulnerabilidade

Outra ação que mobilizou doações foi a da RedeSAR, em parceria com o Serviço de Assistência Rural e Urbano – SAR e a Arquidiocese de Natal. Com o apoio da organização católica alemã Adveniat, eles conseguiram viabilizar a produção de 1.800 cestas básicas que foram entregues a famílias quilombolas, indígenas, pescadores artesanais e marisqueiras, ribeirinhos, ciganos, povos de matriz africana, pessoas privadas de liberdade; grupos circenses, população em situação de rua, agricultores/as rurais, entre outros. 
“Parte desses alimentos foram comprados da agricultura familiar. Vimos que nesse momento de compra desses produtos para ajudarmos os pequenos. Compramos o feijão, macaxeira, batata. A proteína, nós adotamos o pescado, dos pescadores artesanais de Macau. Envolvemos também as mulheres da associação de Pitangui, para confecção de bolos”, comenta o diácono Francisco Adilson da Silva, um dos coordenadores da atividade. Cerca de 900 cestas já foram distribuídas na última sexta-feira (08) para várias regiões do RN: Natal e Grande Natal, Mato Grande e Agreste.
Quem também tem feito doações na quarentena é a enfermeira Izabel Alves, 44 anos, ao lado do namorado, Antônio Fernandes. Ligados ao grupo Compartilhe Amor, que existe há seis meses distribuindo comidas em várias regiões de Natal e Parnamirim, eles têm intensificado as atividades recentemente, com a chegada da pandemia. A ação acontece aos sábados. O grupo, composto de 12 pessoas, produz e distribui sopas, cachorros quentes, sucos, cafés, refrigerantes e outros alimentos. 
“O sentimento é só de gratidão a Deus por ajudar. Deixamos de sair no sábado para irmos fazer esse ato de amor ao próximo. Saio muito feliz de lá. Muitos agradecem. A palavra que eles usam é “Deus abençoe vocês”. O sorriso deles. Não tem nada que pague”, comenta Izabel, acrescentando ainda que a viabilização da atividade acontece com recursos do próprio grupo e outras doações. “A partir do momento que você deixa sua residência para compartilhar e ajudar ao próximo, é muito gratificante. Saímos de lá com o dever cumprido, por fazer o bem. Custa tão pouco”, comenta Antônio Fernandes, namorado de Izabel.
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