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Erosão do Morro do Careca preocupa natalenses e turistas

O processo de erosão do Morro do Careca, em Ponta Negra, preocupa banhistas e turistas que visitam um dos principais cartões-postais da cidade. Ao longo dos últimos anos, uma falésia vem se formando e “disputando” lugar com a duna famosa, o que aumenta a probabilidade de desmoronamentos, por exemplo. No local, não é difícil perceber o deslizamento de areia, que desce da “careca” do morro até a base, formando uma duna menor ao lado da falésia.


Um artigo científico produzido por professores e pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), apontou que o morro diminuiu 2,37 metros na altura em 17 anos. A mudança na paisagem desperta o alerta dos frequentadores da praia, relata o músico Raimundo Flor. “Vivo aqui há 50 anos, então vi essa mudança. Sempre venho aqui e trabalho tocando na noite há 11 anos por Ponta Negra. O Morro do Careca acaba sendo um retrato da nossa cidade, aqui da nossa praia e é muito triste que esteja acontecendo essa situação”, comenta.


Raimundo Flor diz ainda que o desgaste no cartão-postal traz prejuízos ao turismo da cidade. “Se isso aqui acabar, desaparecer, a nossa qualidade turística também despenca. Eu que toco na noite, sei bem como é isso, o turismo cai e todo mundo se prejudica, é toda uma rede porque Natal vive disso, vive do turismo. Aqui já foi um lugar muito bom, mas hoje está muito complicado. Tomara que consigam resolver de alguma forma porque nós dependemos disso. Não sei se essa obra vai resolver alguma coisa porque é difícil quando a gente mexe na natureza”, analisa.


A obra em questão é a engorda da praia, que consiste em um alargamento de até 100 metros da faixa de areia, o que afastaria o mar do morro. Por enquanto, não existem prazos para licitação nem início das intervenções. Em novembro passado, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) esclareceu que requisitou 14 diligências e fez 3 recomendações para a liberação dos recursos complementares relativos à engorda de Ponta Negra. De acordo com o Ministério, a liberação dos R$ 32 milhões adicionais, pedidos pela Prefeitura de Natal, necessários à realização da obra, ainda não foi acatada.


A área do morro permanece isolada e com uma placa que informa que a subida no morro é proibida desde 1997, embora algumas pessoas ainda insistam em subir no local, conforme relato de trabalhadores. Na manhã de quarta-feira (13) não havia fiscalização no local. O turista de São Paulo, Fabiano Bento, que visita a capital pela primeira vez diz que se impressionou com a beleza da cidade, mas também se preocupou ao encontrar o Morro do Careca em erosão.


“É muito bonito, a cidade é linda, com muitas paisagens naturais, eu até remarquei o voo para passar mais sete dias aqui. Vi a situação do morro e fui pesquisar, agora mesmo estava vendo um vídeo sobre o assunto porque me chamou a atenção. É uma pena que as pessoas ainda subam porque esse é um cartão-postal muito lindo e precisa ser preservado”, pontuou. O norueguês Dag, que visita Natal há 20 anos, também reforçou a preocupação. “A situação é de alerta mesmo porque o morro está desaparecendo praticamente, está muito diferente do que era antes, há dez anos”, diz.


No estudo da UFRN, conduzido pelo professor Rodrigo de Freitas, do Departamento de Geografia, ficou constatado que a altura do Morro do Careca atualmente é de 63,63 metros. Esse número, em 2006, era de 66 metros. Conforme o levantamento, a redução se deve a uma convergência de fatores, entre eles o avanço do mar e a redução da faixa de areia em Ponta Negra, o que faz com que a energia das ondas alcance a base do Morro. A falta de sedimentos que abastecem a duna, que vêm da força dos ventos da praia que fica por trás do Morro, a praia da Barreira do Inferno, também contribuiu para o desgaste.

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