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Escolas públicas esperam reformas

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Valdir Julião
repórter

Com uma rede de 718 escolas públicas em todo o Rio Grande do Norte, a Secretaria Estadual de Educação e Cultura (SEEC) tem sob a sua responsabilidade 120 estabelecimentos escolares em Natal, mas boa parte carece de recuperação na infraestrutura, devido a problemas hidráulicos, de instalações elétricas, pintura, reforma de salas e outros equipamentos físicos. A TRIBUNA DO NORTE passou por quatro escolas na manhã de ontem, e constatou, que em três delas persistem problemas estruturais, os mais graves relacionados aos espaços para a prática de atividade recreativa ou esportiva. Na Escola Estadual Francisco Ivo, em Dix-Sept Rosado, a maior reclamação é quanto a quadra de esportes, que, segundo o professor de Educação Física, Eugênio Anselmo de Lima, foi condenada pelo Corpo de Bombeiros e pelo Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea-RN).
Quadra de esporte da Escola Estadual Francisco Ivo só possui os pilares e, mesmo assim, bastante corroídos pela ação do tempo
A quadra da Escola Francisco Ivo já não conta com teto, que caiu todo, tem a infraestrutura vertical de ferro, mas o piso também está todo danificado. “Durante a greve caiu um ferro aqui, mas não tinha ninguém na quadra”, disse Eugênio Lima.

Lima disse que orientava uma equipe de vôlei para competir, nos Jogos Escolares do Rio Grande do Norte (Jerns), por exemplo, mas teve de desativar porque não tinha como dar aula prática: “O esporte nas escolas está se acabando, por isso que nos Jerns o forte são as escolas privadas”.

Sem as condições estruturais, disse Lima, “não tem como surgir algum talento”. A alternativa tem sido dar aulas teóricas aos alunos, e mesmo com a Promotoria de Defesa da Educação exigindo que as aulas sejam dadas, Educação Física é a única disciplina curricular da rede estadual de ensino “que não tem livros”, os professores não tem um planejamento pedagógico “e é cada um por si”.

Na Escola Francisco Ivo estudam 1.325 alunos. A estrutura da escola é do tipo modular, e necessita mais de reparos nas instalações elétricas e hidráulicas. Os ventiladores ainda são do tempo da inauguração da escola, nos anos 80, e alguns não funcionam mais.

O professor Lima ainda apontou para o teto do ginásio de esportes da vizinha Escola Professor Luís Soares, onde uma parte já caiu, apesar de ter passado por uma reforma há uns três meses. A TRIBUNA procurou a diretoria pela manhã para conversar, mas foi informado pelo vigilante que não se encontrava nenhum dirigente na escola.

Uma das escolas mais tradicionais de Natal, o centenário Atheneu Norteriograndense há pelo menos dois anos que clama por providências junto à SEEC. Toda a área administrativa da escola, ,segundo o vice-diretor Bartolomeu Silva Carneiro, tem problemas de vazamento e infiltrações de água, que são mais visíveis durante os períodos de inverno. A sala da diretoria tem as paredes mofadas, assim como o arquivo noturno, enquanto a cozinha e o refeitório foram improvisados no antigo laboratório de Química. “Os alunos comem em pé”, reforçou ele.

Bartolomeu Carneiro mostrou um ofício datado de 9 de setembro de 2009. no qual a direção pede providência a respeito da construção de um refeitório no Atheneu. A resposta da SEEC só veio em 9 de fevereiro de 2010, dizendo que as obram eram objeto de licitação naquele mesmo ano, dentro de um projeto de reforma e ampliação da escola, que até hoje não começou.

Em maio deste ano, segundo Carneiro, outro ofício foi enviado à SEEC, diretamente à secretária Betânia Ramalho. Ele disse que uma resposta concreta sempre é difícil. Carneiro reclama do poder público um tratamento melhor para o Atheneu, uma escola, por onde passou grande parte da intelectualidade de Natal e que está “em processo de tombamento” por parte da Fundação Capitania das Artes (Funcarte).

Charles Silva Santos é aluno do terceiro ano, de um total de 1.600 estudantes que frequentam as salas de aula do Atheneu: “A gente tem dificuldade de respirar”, diz ele, com relação ao mofo que atinge algumas salas da escola. Outro aluno, Gabriel Laguna houve alguma melhora na escola com relação à limpeza, devido a chegada de mais ASGs: “Já foi bem pior”, disse ele, a respeito dos banheiros que viviam quase todo tempo sujos. O vice-diretor Bartolomeu Carneiro disse que, anteriormente, só havia três funcionários da limpeza, mas agora são sete.

Ilha

Uma ilha nessa lista de problemas que atingem as escolas estaduais em Natal, é a Berilo Wanderley, que passou por uma reforma desde março do ano passado. “Nós recebemos o ginásio de esportes há uns 20 dias”, disse a vice-diretora Maria do Socorro Silva, que mostrou o jardim interno da escola, o laboratório de informático equipado com 20 computadores, bibliotecas e outras salas da Escola, que fica no conjunto Pirangi. Ela conta que o segredo da Escola Berilo Wanderley “é a gestão participativa” de todos os dirigentes e do apoio dos pais. Ela deu o exemplo de um aluno, que foi pego riscando uma carteira: “Ele depois limpou e nós gravamos e chamamos o pai para mostrar”.

Estado não consegue aplicar verbas destinadas a obras

A Secretaria Estadual de Educação e Cultura (SEEC) tem um orçamento anual de R$ 892,7 milhões, dos quais apenas R$ 142,9 milhões são destinados à expansão e melhoria da rede físicas das escolas públicas. Mas, faltando quatro meses e meio para acabar o ano, o Orçamento Geral do Estado (OGE) prevê a reforma e recuperação de somente 50 prédios escolares, um investimento estimado em cerca de R$ 9,5 milhões.

A TRIBUNA DO NORTE procurou a SEEC para saber como anda o programa de recuperação de escolas, mas, foi informada, através de sua assessoria de imprensa, que a Secretaria “está fazendo um levantamento” e que só na próxima semana poderia apresentar os dados. Mas, a Secretaria Estadual de Infraestrutura (SIN) informou, por também por intermédio de sua assessoria de imprensa, que o governo estadual firmou um convênio com o Ministério da Educação (MEC) para construir, reformar e ampliar 102 escolas da rede estadual de ensino.

Segundo a SIN, o valor do convênio é de R$ 63 milhões, enquanto a contrapartida do Estado é de R$ 6 milhões. Até agora, só 50 escolas receberam ou estão no processo de execução das obras, que fazem parte do programa “Brasil Alfabetizado”.

O governo também está investindo R$ 10,7 milhões na reforma física de 14 escolas na região Oeste, além da construção de uma nova escola no município de Taboleiro Grande. Em Natal, o governo está realizando obras nas Escolas Professor Luiz Antonio (cj Candelária), Caic Reginaldo Teófilo (Lagoa Nova), José Fernandes Machado (conjunto Ponta Negra), Floriano Cavalcante (Mirassol), Aldo Fernandes de Melo, Elisabeth Guilhermino Maria de Lourdes Câmara Souto (Lagoa Azul) e Maria Queiroz (Felipe Camarão). Até agora a SIN só concluiu as obras de escolas no interior, nos municípios de Frutuoso Gomes, Carnaúba dos Dantas e São José do Mipibu.

Municípios

Os municípios que devem ser beneficiados com as obras são os seguintes: Almino Afonso, Apodi, Caicó, Carnaúba dos Dantas, Caraúbas, Cerro Corá, Coronel Ezequiel, Frutuoso Gomes, Galinhos, Ielmo Marinho, Ipueira, Itajá, Itaú, Jardim do Seridó, Natal, Mossoró, Passagem, Serra do Mel, Sítio Novo, Santa Cruz, Serra Negra do Norte, São João do Sabugi, São José do Mipibu, Tibau, Tabuleiro Grande, Touros, Upanema.

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