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Exército vai devolver obras ‘problemáticas’ ao Dnit

Yuno Silva – repórter

A conclusão das obras nas marginais da BR-101, trecho entre Natal e Parnamirim, será mais uma vez adiada – e, até o momento, não há um novo prazo estipulado para o término das intervenções viárias sob responsabilidade do DNIT. De acordo com o Exército Brasileiro, encarregado pela execução do projeto que já se arrasta há seis anos, “impedimentos de ordem técnica inviabilizam a continuidade dos trabalhos”, como a remoção de postes e o desvio de estruturas subterrâneas mantidas pelas concessionárias de água, luz, telefonia e gás ao longo da rodovia.
Lateral da BR-101 no bairro de Emaús, um dos poucos trechos em fase de conclusão pelo Exército
Diante dos impedimentos, o 1º Batalhão de Engenharia e Construção do Exército, sediado em Caicó, irá concluir a execução de parte do trabalho acordado e devolver o restante das obras ainda por fazer à Superintendência Regional do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes no RN, a quem cabe articular junto as concessionárias a desobstrução da passagem para pavimentação das marginais.

O Dnit-RN chegou a divulgar, no final de 2009, a conclusão das obras para abril de 2010; outros prazos foram anunciados, todos adiados, e o mais recente seria em 31 de agosto deste ano – ou daqui a três dias. Constam no projeto adequações nas marginais da BR-101 desde o viaduto de Ponta Negra até a saída de Parnamirim, perfazendo um trecho com cerca de 12,5 km de extensão. A obra está inserida no projeto de duplicação de 46,2 km da BR-101, cujo investimento total bate na casa dos R$ 172 milhões. Quando o projeto for concluído, todo o tráfego local deverá ser deslocado para as marginais, deixando as pistas principais da BR-101 livres para quem irá viajar para cidades do interior ou sair do Estado.

“Nosso prazo foi aditivado até 31 de dezembro, e estamos trabalhando de segunda a sábado para concluir até o fim do ano o acesso a Brejinho; o entroncamento na entrada de São José de Mipibu; e o trecho próximo ao Rio Pitimbu”, disse o capitão Norberto, que coordena o destacamento de 150 homens do 1º BEC envolvido na construção. O escopo original do Exército Brasileiro ia de Natal até o município de Arez, “dali para frente está sendo executado pela iniciativa privada”, explicou o Capitão Norberto.

Para entregar o serviço no prazo, o Exército trabalha com três tratores, 15 caçambas, duas motoniveladores, duas retroescavadeiras, duas escavadeiras, três carros-pipa, três rolos, uma pavimentadora, uma usina móvel de asfalto, uma betoneira, uma autobetoneira e “vários caminhões comerciais”. “Se há alguma frente de trabalho aberta, ou alguma urgência, também estamos trabalhando aos domingos”, garantiu o oficial.

Um dos gargalos que poderia ser resolvido com a adequação das marginais concentra-se na altura de Cidade Satélite e Nova Parnamirim, ponto de engarrafamentos recorrentes na zona Sul de Natal onde circulam cerca de 100 mil veículos por dia. Apesar da necessidade, este projeto do DNIT-RN não prevê a construção de um viaduto, mas o problema seria minimizado com a implantação de dois retornos com semáforos: o primeiro a 200 metros da Av. Maria Lacerda, sentido Natal/Parnamirim; e o segundo a 300 metros da Av. Abel Cabral, no sentido Parnamirim/Natal.

Burocracia atrasa o andamento das obras

A desobstrução das marginais ao longo da BR-101 é de responsabilidade do DNIT-RN, que precisa articular junto às concessionárias de água, luz, gás e telefonia providências afim de garantir a continuidade dos trabalhos – ao Exército Brasileiro cabe encaminhar solicitações ao Departamento. “Há seis anos enviamos essas solicitações”, lembrou o Capital Norberto, à frente do destacamento do 1º Batalhão de Engenharia e Construção do EB que trabalha na obra. A reportagem da TRIBUNA DO NORTE entrou em contato com a assessoria de imprensa do DNIT-RN, mas até o fechamento desta edição a superintendência do órgão não respondeu aos questionamentos enviados, conforme orientação da própria assessoria, por correio eletrônico.

A assessoria do escritório regional da telefônica Oi, no Recife, informou que todos os gerentes e supervisores estavam em reunião para tratar dos resultados semestrais da empresa e que não haveria tempo hábil para passar informações sobre a questão.

Já a Caern informou que possui “tubulações em alguns trechos” das marginais da BR-101, entre Natal e Parnamirim: “O DNIT-RN enviou solicitações há uns anos, acho que em 2010, mas houve uma série de problemas e interrupções da obra e não houve desdobramentos. Chegamos a fazer alguns remanejamento, e na época passamos plantas com o posicionamento das redes. Houve apenas um contato inicial sem continuidade”, disse o engenheiro Josildo Lourenço dos Santos, gerente do setor de Projetos da Caern.

Antônio Costa, da Potigás, informou que foi repassado ao Departamento um croqui mostrando onde há tubulação de gás natural nas margens da BR-101. “Esse pedido foi feito semana passada”, ressaltou.

No caso da Cosern, que “recebeu solicitação para deslocamento da rede elétrica aérea no trecho urbano de Parnamirim”, a empresa “aguarda a conclusão dos trâmites relativos ao pagamento das obras”, disse o assessor Márcio Bruno Falcão. “O prazo para execução está condicionado à  conclusão desses trâmites pelo DNIT-RN”.

PERGUNTAS

Além da assessoria local, a TN procurou o escritório do DNIT em Brasília, que passou a mesma orientação de “encaminhar as perguntas por  e-mail”. Os questionamentos encaminhados foram os seguintes:

• O DNIT chegou a solicitar o remanejamento das estruturas (aéreas e subterrâneas) para dar garantir o andamento das obras?

• Houve algum retorno ou foi estipulado um prazo por parte das concessionárias quanto às solicitações?

• Algum serviço chegou a ser executado para permitir o avanço das obras?

• Com o fim do contrato com o Exército em dezembro, qual será o procedimento adotado pelo DNIT para prosseguir com as obras nas marginais da BR-101/RN?

• Será lançada nova licitação?

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