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Família procura por homem que desapareceu na cidade de Touros

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Adenilson Costa
Repórter

O desaparecimento é uma das situações mais angustiantes que uma pessoa pode experimentar em sua vida. A dor da incerteza, a falta de respostas e a constante agonia de não saber o paradeiro de alguém amado, são sentimentos que dilaceram o coração e abalam profundamente a alma.


Nesse ambiente devastador, onde a falta de respostas é uma constante fonte de tormento, Maria de Fátima Pereira Oliveira, 47 anos, experimenta uma angústia ainda mais profunda. Ela segue na incansável luta pelo paradeiro do seu filho, José Juraci Júnior Oliveira da Costa, 26 anos.

Ele partiu de sua residência, na comunidade Santa Luzia, em Touros, na noite de 17 de setembro, por volta das 19h e, desde então, não deu mais notícias. Na ocasião, “Juninho do gás”, como era conhecido, estava a bordo de uma motocicleta e seu destino era encontrar um amigo na cidade de Extremoz, na Grande Natal, com a intenção de retornar a Rio do Fogo, município vizinho a Touros, onde havia uma festa agendada. O rapaz deixou sua esposa e um filho de quatro anos para trás. Ele estava de calça moletom e camiseta cinza, casaco preto com branco e sapato marrom.


De acordo com Maria de Fátima Pereira Oliveira, “ele saiu no domingo à noite, eu já estava deitada e não vi. Ele foi na casa da mulher, pegou uma calça e os dois capacetes dizendo que ia para Extremoz, buscar esse um amigo. Ele saiu de Santa Luzia, passou em Punaú e de lá desapareceu. Eu só fiquei sabendo na segunda-feira, por volta do meio-dia, quando eu cheguei do trabalho, que ele tinha ido para Extremoz. Todo dia pela manhã antes de ir ao trabalho, sempre ia no quarto dele deixar comida, mas naquela segunda, quando abri a porta, percebi que ele não estava no quarto. Liguei para ele, mas o celular nem chamava, nem recebia mensagem. Fui trabalhar, mas com aquela agonia. Liguei para a mulher dele, mas ele disse: ‘ele passou aqui pegou uma calça, os capacetes e foi’, ressaltou.


A última vez que o aparelho celular dele funcionou foi nas proximidades da Lagoa do Coração, uma localidade situada perto da BR 101, no trajeto de Natal em direção a Touros, logo após o trevo de Barra de Maxaranguape. Até o momento, apesar do desaparecimento, o sigilo telefônico não foi quebrado, sendo o rastreio realizado por meio do GPS do dispositivo.


“Eu saí da delegacia tão triste, porque para quebrar o sigilo do celular demora 30, 60 ou 90 dias. Mas, Júnior tinha sincronizado os arquivos do celular dele com o da esposa, pelo GPS descobriram a última localização do celular. O aparelho estava dentro de uma lagoa, lá em Aningas, mas como o aparelho estava dentro da água, os amigos dele não encontraram. No dia seguinte, os policiais foram lá, fizeram uma varredura, cavaram um buraco, mas até agora nada”, explicou a mãe.


“Eu penso assim, se fosse um assalto, tinham pegado a moto e deixado ele com vida, mas para que esconder o meu filho? Para que fazer uma judiação dessa comigo e com a família? Um menino bom. O meu filho é um trabalhador, não tinha inimizade com ninguém. Ele estava prosperando, arrumando a casinha dele, um filhinho de 4 anos. O filho dele diz: ‘Papai foi trabalhar e trazer pilhas para o meu carrinho”.


O comerciante René Ribeiro de Lira, 58 anos, considera José Juraci Júnior Oliveira da Costa como seu próprio filho, apesar de ser seu padrasto. O pai não acredita em assalto, já que as contas do jovem não foram mexidas. “Com certeza era alguém conhecido que deu com a mão, ele parou e foi pego na emboscada. Tudo planejado. Não foi assalto, nem sequestro”, lastimou.


Quase um mês após o desaparecimento, o pai está frustrado com a falta de ação da Polícia Civil de Touros, que está encarregada das investigações. Ele expressa sua insatisfação, destacando que até o momento, as autoridades não tomaram medidas como a quebra do sigilo telefônico de seu filho desa-parecido. A falta de informações sobre o progresso da investigação torna a situação ainda mais angustiante, pois a família não tem acesso aos detalhes do caso, devido ao temor de que pessoas próximas possam interferir nas investigações.

Investigação
Por meio de nota enviada à Tribuna do Norte, a Polícia Civil do Rio Grande do Norte, por meio da 88ª Delegacia de Polícia Civil (DP de Touros), informou que “está investigando o desaparecimento de José Juraci Júnior de Olivera da Costa, conhecido como ‘Juninho’, de 26 anos, desaparecido no dia 17/09/2023, no município de Touros”, diz. De acordo com o comunicado, as investigações sobre o paradeiro da vítima continuam e transcorrem em sigilo.

Números
O Rio Grande do Norte registrou, entre 1º de janeiro e 31 de julho de 2023, um total de 303 pessoas desaparecidas, marcando o maior índice dos últimos três anos. Isso representa um aumento de 7,83% em comparação com o mesmo período do ano anterior, quando foram contabilizadas 281 ocorrências de desaparecimentos.

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