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No Maruim, as mulheres são arrimo de família

Ricélia Santiago – Especial para a Tribuna do Norte

Cristiane, Iara, Janessa, Edinalva, Janeide, Joseane… Elas não  podem parar. Do trabalho dessas mulheres depende o sustento de suas famílias. Em meio à pobreza da comunidade do Maruim, às margens do Rio Potengi, no bairro das Rocas, elas ganham o sustento diário da família tratando camarão para a venda no mercado do Canto do Mangue. Para cada quilo de camarão tratado, elas recebem um real.
Joseane de França (direita) trabalha para sustenta a família que conta com sete filhos
Segundos dados da Secretaria Municipal de Habitação, Regularização Fundiária e Projetos Estruturantes (Seharpe), das 165 famílias que vivem na comunidade, 100 são sustentadas por mulheres. 

Entre assas estão dez mulheres que se aglomeram diariamente em um casebre escuro – com cerca de quatro metros quadrados –  para preparar o pescado. Com o dinheiro desse trabalho, elas criam os filhos e, muitas vezes, sustentam também os maridos.

Iara Barbosa Ferreira, de 40 anos, é uma delas. Ela mora com os dois filhos e o companheiro, que está desempregado. Desde que ele perdeu o emprego de servente de pedreiro, há três anos, a única fonte de renda da família vem do trabalho de Iara, que consegue 450 reais por mês, descascando 100 quilos de camarão por semana. Enquanto ela trabalha, o marido fica em casa cuidando dos filhos. A rotina da chefe de família não é fácil. “Tem dias que eu trabalho até as dez horas da noite, e quando eu chego em casa ainda vou fazer o almoço do outro dia. Nos finais de semana eu limpo a casa e lavo a roupa”, explica. Ela diz que não tem tempo pra ficar cansada. “Trabalho tanto que já me acostumei”.

Dona Janeide Alves do Carmo mora sozinha em um casebre de dois vãos com o neto de 12 anos. A mãe abandonou a criança  com apenas três anos de idade. Desde então, dona Janeide cria o neto. Ela lava roupa, faz faxinas e também trabalha limpando camarão. Somando todos os trabalhos, ela consegue apurar 500 reais por mês. Dona Janeide sofre de fortes dores na coluna -“tenho muita dor nas costas porque passo o dia encurvada”-, mesmo assim trabalha cerca de dez horas por dia.  A senhora de 47 anos acredita em um futuro melhor para o seu neto. “O que me faz acordar de manhã é saber que ele pode ter uma vida melhor do que a minha. Enquanto eu tiver forças eu vou trabalhar no que for para botar comida em casa e oferecer um futuro melhor para o meu neto”, desabafa.

Na casa de Janessa Alves de Lima, 27 anos, todos trabalham na limpeza do camarão.  O marido, Edilson Henrique da Cruz, era pescador, mas desde que sofreu um acidente no barco de pesca em 2002 ficou impossibilitado de trabalhar. Ele hoje ajuda a mulher na limpeza do pescado. A renda familiar é de 500 reais por mês.

Joseane de França sustenta sete filhos. Ela é mãe solteira e conta com a aposentadoria da mãe, de 67 anos, para complementar a renda familiar. “Eu faço de tudo. Sou pescadora, trato camarão, faço faxina. Não escolho hora nem serviço. Pra mim trabalho é trabalho”, diz.

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