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Projeto do RN para reciclagem de resíduos de construção civil recebe prêmio nacional

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O Rio Grande do Norte venceu a etapa nacional na 10ª edição do Solve For Tomorrow, realizado anualmente com o objetivo de incentivar projetos que aliam inovação e resposta a problemas reais da população. Outros três estados do Nordeste também foram declarados vencedores. Foi por meio desses pilares que um professor e quatro alunos do curso de edificações do Instituto Federal (IFRN) de São Paulo do Potengi, no interior potiguar, criaram uma miniusina capaz de transformar resíduos da construção civil (RCC) em materiais de construção sustentáveis. A iniciativa, além de ter alcançado espaço entre as finalistas, também venceu a corrida pelo júri popular ao lado de outros dois projetos do Ceará e Espírito Santo.


O professor Neuber Araújo, coordenador da equipe e professor do curso de edificações do IFRN- São Paulo do Potengi, conta que a ideia do projeto surgiu da necessidade de resolver os problemas locais com RCC e incentivar a aprendizagem dos estudantes do 3ª ano na disciplina de Construção de Materiais. A participação no Solve For Tomorrow, nesse sentido, serviu para lapidar o que já vinha sendo trabalhado pela equipe. Atualmente, todos os materiais produzidos na usina de reciclagem estão sendo objeto de pesquisa, a fim de promover os melhores caminhos para sua reutilização.


Para os próximos anos, adverte o docente, a ideia é que a miniusina tenha continuidade a partir da participação de novos estudantes. Aliado a isso, o projeto já trabalha em parceria com a Prefeitura de São Paulo do Potengi, visando a implantação de ecopontos (espaços de descarte correto de pequenas proporções de entulho), e promove a conscientização ambiental junto à população da cidade. Isso porque, em sua maioria, os RCC’s são lançados em terrenos baldios, contribuindo na proliferação de vetores e poluição ambiental. “Ao implantar uma usina de reciclagem, esse material vira uma matéria prima para um outro produto que pode ser comercializado, retirando esses problemas ambientais da cidade e gerando economia e renda à população”, complementa Neuber Araújo.


Um dos estudantes da equipe, Sidney Lima, de 20 anos, repercute uma visão semelhante. De acordo com ele, o projeto é essencial para a construção de novos olhares sobre os RCCs e, a partir das mentorias promovidas no Solve For Tomorrow, foi possível amadurecer o potencial empreendedor da miniusina. “No começo, a gente luta muito com o preconceito, porque muitas pessoas acreditam que produtos feitos com RCCs não tem como alcançar a mesma potencialidade que os tradicionais”, afirma.


Quem também está entre os alunos contemplados pelo projeto é a potiguar Shirlly Williane, de 18 anos, para quem a expectativa é de que a miniusina consiga ampliar seu potencial, seja com alunos do curso de Edificações, ou mesmo de outras áreas do IFRN-SPP. Ela não deixa de ressaltar, também, a importância do ingresso da iniciativa em uma proposta de alcance nacional. “A gente aprendeu muita coisa com as mentorias, o nosso mentor foi muito cuidadoso e nos ajudou bastante”, complementa.


O Solve For Tomorrow é um projeto global da Samsung que busca estimular estudantes de escolas públicas, que estejam cursando o ensino médio, a identificar problemas reais e desenvolver soluções baseadas em ciência e tecnologia. Conduzido pela Cenpec, trata-se de uma proposta capaz de aguçar o olhar dos alunos para o que acontece em suas cidades. A cerimônia de premiação foi realizada nesta terça-feira (28), no Museu de Imagem e do Som (MIS) de São Paulo, e também premiou equipes dos estados de Rondônia, Maranhão, Ceará e Espírito Santo. Os vencedores classificados pela banca do evento, em especial, foram de Porto Velho (1º) e Maranhão (2º e 3º lugar).


Na visão de Letícia Araújo, Coordenadora de programas e projetos da Cenpec, o projeto desmistifica visões deturpadas sobre o compromisso social da nova geração e adverte a necessidade de tornar o espaço escolar mais atrativo para os discentes. Isso porque, conforme aponta Anna Karina Pinto, Diretora de Marketing Corporativo da Samsung Brasil, é perceptível o aumento do interesse pelas escolas que já integraram os times mentorados pelo Solve For Tomorrow.


Ao todo, desde 2014, o projeto já alcançou mais de 173 mil alunos inscritos, 36 mil professores participantes, 14 mil projetos e 6 mil escolas participantes. Nesta edição, especialmente, ocorreu um aumento de 28, 4% na submissão de iniciativas, 50,92% na inscrição de estudantes e 20,83% nas instituições escolares. Embora os frutos sejam associados às escolas promotoras dos projetos, os resultados também têm potencial para estimular investimentos do poder público local em outros espaços escolares. É o que confirma Anna Karina, para quem a importância de divulgação e fomento à participação no evento pelas escolas é essencial.


Para além da premiação, o trabalho permite uma representatividade da educação local frente ao cenário do país. “É um prêmio muito importante que a gente está levando para o Rio Grande do Norte e São Paulo do Potengi. Termos vencido pelo júri popular, mostra também o engajamento de toda região sobre a importância de levar esse prêmio para lá”, compartilha o professor Neuber Araújo, para quem o sentimento é de gratidão pela oportunidade de enxergar o protagonismo estudantil e incentivar outros jovens a buscarem ideias resolutivas para o município.


O Solve For Tomorrow está no Brasil desde 2014 e, na edição atual, contou com uma programação composta por webinars, workshops e mentorias para ajudar os participantes a alcançarem seus objetivos aplicando possíveis melhorias aos seus projetos. Mais informações sobre o processo de inscrição, critérios de avaliação e histórico de projetos vencedores podem ser conferidas no site da iniciativa (https://solvefortomorrowbrasil.com.br/).

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