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Retorno das aulas presenciais em Natal tem problema com merenda

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Natal retomou nesta quarta-feira (14) as aulas presenciais na rede municipal de ensino. Com o planejamento de funcionamento de 43 Centros Municipais de Ensino Infantil, com 5.736 alunos, a Secretaria Municipal de Educação confirmou o retorno de pelo menos 15 centros, após o registro de problemas com a disponibilidade de merenda escolar em algumas unidades. Segundo a SME, ainda não se sabe  quantas escolas foram afetadas pelo problema, mas ele foi “pontual”, disse a Secretaria.
A reportagem da TRIBUNA DO NORTE visitou dois CMEIs e em ambos as aulas foram adiadas porque não havia merenda escolar
Segundo Cristina Diniz, titular da SME, o problema é causado por dificuldades burocráticas dos CMEIs – que são autônomas para fazer a compra da merenda – na aquisição. Ela contou que trabalha junto aos gestores das escolas para que o problema seja solucionado até a próxima segunda-feira (19).
Apesar disso, ela afirma que o adiamento não irá gerar novos prejuízos aos alunos. “É uma limitação rápida. Isso depende muito do gestor. Os gestores que foram mais ágeis para fazer o processo de contratação começaram as aulas na quarta-feira porque esse processo é feito pela Unidade Executora, não é feito pela Secretaria. A Secretaria apenas faz os repasses. Mesmo assim, o importante é começar e já começou em outras unidades. É a concretização de todo o trabalho que nós fizemos em relação aos protocolos de biossegurança, ao fardamento e aos kits individuais”, destaca Diniz.
As aulas acontecem em formato de rodízio, com metade da turma em casa e metade na escola em uma alternância de uma semana. Depois do infantil, o esquema avançará por novos níveis a cada duas semanas: ensino fundamental, creche, ensino fundamental II e EJA. Desta forma, a projeção é de que todos os níveis estejam com aulas presenciais até setembro. “Nesse primeiro momento, estamos iniciando pela Educação Infantil, porque os estudos mostram que as crianças têm menos contato com a doença, inclusive, adoecem menos e transmitem menos. Dessa maneira, a indicação dos órgãos de saúde é que retornássemos pela etapa da Pré-Escola”, explicou a professora Cristina Diniz.  “Hoje, também entregamos o kit individual de proteção para todas as crianças, garantindo um retorno seguro das aulas”, concluiu.   
Frustração
A reportagem da TRIBUNA DO NORTE visitou duas unidades na manhã desta quarta-feira (14). Ambas não puderam voltar, por conta da falta de merenda. 
O CMEI Professor Antônio Gurgel  foi um deles. De acordo com a gestora pedagógica Janaína Silveira, a expectativa é de que o impasse no contrato para o fornecimento da alimentação dos alunos seja resolvido ainda nesta semana e que as aulas comecem o mais rápido possível.
“É uma loucura essa questão de licitação, de merenda e tudo mais. Todos os contratos já foram encaminhados, só que os fornecedores estão entregando gradualmente. Está tudo pronto, faltando apenas essa questão da merenda que já está sendo resolvida”, detalha Janaína Silveira. 
No CMEI Marise Paiva de Morais, no bairro de Cidade Nova, Zona Oeste da capital, Gabriel Dantas, de 4 anos, foi o primeiro a chegar. O garoto sequer tomou café da manhã tamanha a ansiedade de pisar pela primeira vez em uma sala de aula, conta o avô Francisco Santos da Silva, que o trouxe do bairro Planalto. No entanto, Gabriel terá que aguarda mais um pouco, pelo menos até a segunda-feira, data prevista para a chegada da merenda escolar.
“Infelizmente não deu hoje, mas na segunda a gente volta. Mesmo assim é uma bênção essa volta às aulas. Nesse período foi uma pertubação com o bichinho só dentro de casa, agoniado, estressado, a gente também não podia sair. Agora é  uma alegria porque a gente sabe que vai voltar, ele hoje me acordou aperreando: ‘Bora, vovô, acorde. Quero ir pra aula’. Não quis nem comer”, conta Francisco.
Para Mércia Pimentel, gestora pedagógica do CMEI Marise Paiva, houve demora por parte da Secretaria Municipal de Educação de Natal na formulação dos processos licitatórios de compra de merenda. “A escola está pronta. A parte de estrutura física, protocolo sanitário, professores orientados, está tudo organizado. Houve um atraso da SME junto aos fornecedores, no processo de licitação da merenda. A secretaria demorou a agilizar essa contratação e infelizmente a gente não teve como fechar contrato com o fornecedor e ele fazer a entrega. A secretaria está agilizando e fez uma parceria com a Semtas [Secretaria Municipal de Assistência Social] para recebermos uma parte da merenda para ajudar enquanto o fornecedor não entrega e nos deram o prazo de até sexta-feira”, ressalta.
Greve
O Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública  (Sinte/RN)  manteve, após assembleia realizada ontem, um indicativo de greve pelo menos até o dia 28 de julho, data da volta das turmas de ensino fundamental. No dia 28, o Sinte irá decidir se entra ou não em greve. Até lá, haverá paralisações nos dias 16,21 e 26 de julho.
“A categoria refletiu muito bem. Até agosto nós temos atividades com a categoria. Vamos ter uma parada na sexta-feira, onde vamos nos dedicar a fazer atividades para não ficarmos apáticos diante desse problema. A principal reivindicação é a segunda dose”, informou a coordenadora-geral do Sinte/RN Fátima Cardoso. 
Desde dezembro, o sindicato deliberou que só voltaria a trabalhar após completar o esquema vacinal com as duas doses. “Esse posicionamento foi aprovado pela categoria em diversas assembleias, considera os riscos de contaminação existentes no retorno presencial sem que o ciclo de imunização esteja concluído”, diz trecho de nota divulgada pelo sindicato. 

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