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RN tem 14 mortes entre torcedores

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Felipe Galdino – repórter

O Rio Grande do Norte tem 14 mortes envolvendo supostas rixas entre torcidas organizadas, neste ano de 2013. Os casos mais recentes foram registrados na última sexta-feira, em Natal. As vítimas foram dois jovens torcedores do ABC, mortos a tiros poucas horas após a vitória do time potiguar sobre o alagoano ASA de Arapiraca. Ainda não há pistas sobre as mortes, investigadas pela Polícia Civil, mas desde já a Polícia Militar já demonstra não acreditar que a motivação para ambos tenha sido desavença entre torcidas. Já o Ministério Público pede mais atenção a esses crimes.

  A TRIBUNA DO NORTE trouxe matéria no último domingo mostrando pesquisa em que aponta o motivo do afastamento do torcedor potiguar dos estádios: medo da violência. Segundo o Smart Opinião Pública e Mercado, 71,52% dos entrevistados disseram que não vão aos jogos devido à violência.

Já o Conselho Estadual de Direitos Humanos, em levantamento feito este ano, mostra que só em 2013 foram 14 casos em que integrantes de torcidas organizadas ou simpatizantes de clubes perderam a vida tendo esse como sendo o suposto motivo. A maioria das vítimas, como nos dois casos da semana passada, são jovens. “O que acontece é que não há investigação e o crime é esquecido, arquivado. Não estamos vendo nenhuma resposta concreta”, afirmou Marcos Dionísio, presidente do Conselho.

Para ele, é preciso traçar um perfil de quem são os integrantes de torcidas organizadas, além de fazer um trabalho de prevenção. As mortes não são exclusivas da capital. Foram duas em Mossoró, duas em Parnamirim,  e mais uma em Taipu, distante 50 quilômetros de Natal. Dionísio se mostra surpreso com o número de homicídios.

“É assustador essa quantidade de mortes. Se você pega o Ceará, que tradicionalmente possui mais violência, nos últimos anos o Rio Grande do Norte supera”, comentou. Ainda segundo ele, o que favorece o índice de casos é a impunidade: “No Ceará, duas pessoas já foram condenadas. Aqui só temos notícia de medidas socio-educativas quando quem comete o ato é adolescente. Adulto, até agora, só teve uma condenação e o rapaz foragido”, completou o representante dos Direitos Humanos.

Era noite quando duas mortes foram registradas na sexta-feira (15), logo após o jogo envolvendo ABC e Asa de Arapiraca, pela 36ª rodada do Campeonato Brasileiro da Série B. Os assassinatos aconteceram nas zonas Norte e Sul de Natal e ao todo sete pessoas foram baleadas naquela oportunidade.

O adolescente Flávio Augusto da Costa Leandro, de 17 anos, foi morto próximo à passarela de Neópolis. Eles estavam uniformizados com as cores do ABC. Por volta de 21h, um carro de cor preta se aproximou do trio e um de seus ocupantes efetuou disparos. Os três atingidos e levados para o Pronto-socorro Clóvis Sarinho. Flávio não tinha envolvimento com torcidas organizadas e não costumava ir ao estádio, informação esta passada pelo delegado Sérgio Freitas, que atendeu ao caso pela Delegacia de Plantão Zona Sul.

A outra morte por suposto envolvimento com torcidas aconteceu no loteamento José Sarney, em Lagoa Azul, na Zona Norte. Quatro jovens, também com camisas do ABC, voltavam para casa quando foram surpreendidos por disparos de arma de fogo, na Avenida Apucarana. Os tiros vieram de um carro que passou pelo grupo. Ismael Aprígio Teixeira, 18, foi socorrido ao Hospital Santa Catarina, juntamente com seus colegas, mas não resistiu aos ferimentos.

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