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Vacina contra a dengue está indisponível na rede privada

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A procura pela vacina da dengue cresceu aproximadamente 370% no início deste ano, entre janeiro e fevereiro, em comparação com os dois últimos meses de 2023, em algumas clínicas de Natal. Atualmente, de acordo com as empresas, não há doses disponíveis na rede privada para imunizar novas pessoas. Em algumas unidades, a 2ª dose, necessária para completar o esquema, está reservada para quem tomou a 1ª, mas há unidades que utilizaram todo o estoque e que aguardam novas remessas para, pelo menos, vacinar quem iniciou o esquema com uma dose. O preço da vacina na rede particular varia de R$ 350 a R$ 495 cada dose.


A enfermeira e proprietária da clínica Universo Vacinas, Graça Oliveira, diz que a cada 10 atendimentos telefônicos, nove são de solicitações por vacina da dengue. “A procura tem sido bem intensa, a gente fala desse aumento de 370% porque estamos em época sazonal, onde os casos aumentam, então o pessoal tem procurado bastante. Mais de 90% dos nossos atendimentos são explicando que não temos mais doses para novas pessoas, temos em estoque somente as reservadas para a 2ª dose. Temos a vacina desde junho do ano passado aqui, mas só agora neste ano que as pessoas passaram a buscar muito mais”, diz.


Em outra clínica, a AMI Vacinas, o cenário se repete, de acordo com a enfermeira Maria Eduarda Berto. “Seguramente, mais da metade das ligações, dos contatos, nas redes sociais, é procurando a vacina da dengue”, diz. Além de informar a ausência das doses, os atendimentos têm caráter educativo. “Muitas pessoas acima de 60 anos, que não estão liberadas para tomar vacina, ligam, procuram, às vezes ficam chateadas, mas é nosso papel explicar, conversar, dizer que nós seguimos orientações do Ministério da Saúde”, afirma Berto.


Seja por meio da Associação Brasileira de Clínicas de Vacinas (ABCVAC), Sociedade Brasileira de Imunizações (SBim) ou contato direto com a farmacêutica japonesa Takeda Pharma, que produz a vacina Qdenga, as clínicas particulares tentam conseguir novos lotes para vacinar novas pessoas, em paralelo com a campanha de imunização coordenada pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Sistema Único de Saúde (SUS).


As clínicas entendem que cumprem um importante serviço à saúde pública ao oferecer a vacina da dengue na rede privada, em parceria com o SUS. Isso porque a população fora da faixa etária prioritária do PNI pode se vacinar na rede particular, uma vez que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a aplicação da Qdenga em duas doses, com intervalo de três meses, para pessoas entre 4 e 60 anos. Em virtude das doses limitadas, o Ministério da Saúde definiu o público-alvo de 10 a 14 anos como prioritário no serviço público.

Prioridade
No início deste mês, a Takeda esclareceu que, com o atual cenário da inclusão da vacina Qdenga no SUS, por meio do PNI, e os registros crescente da dengue no Brasil, “a empresa está concentrada em atender de forma prioritária ao Ministério da Saúde”. No entanto, a farmacêutica garantiu que fornecerá as doses necessárias para completar o esquema vacinal de quem recebeu a D1 na rede particular.


O laboratório japonês afirma ainda que tem garantida a entrega de 6,6 milhões de doses para o ano de 2024 e o provisionamento de mais 9 milhões de doses para 2025. Isso representa capacidade de fornecer imunização para 7,8 milhões de pessoas. A empresa acrescenta que busca todas as soluções possíveis para aumentar o número de doses disponíveis no país.


Diante do alerta para a possibilidade de adoecimento por dengue, o município de Natal iniciou na segunda-feira (19) a campanha de vacinação contra a doença. Conforme o atlas divulgado no final de janeiro pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), 25 dos 36 bairros de Natal possuem risco alto ou muito alto de contaminação por dengue, zika e chikungunya.


No último dia 16 de fevereiro (sexta-feira) foram recebidas 18.806 doses do primeiro lote da vacina. A campanha foi dividida em oito unidades nos cinco distritos de Natal, levando em consideração critérios como densidade vetorial, número de casos prováveis detectados por área, com base no atlas divulgado pela SMS, como também do componente socioeconômico da localidade.

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