quinta-feira, 23 de maio, 2024
25.4 C
Natal
quinta-feira, 23 de maio, 2024

Vacinação contra HPV atinge 8,9% do público

Em duas semanas desde o início da vacinação em dose única contra o papilomavirus humano (HPV) no país, as imunizações estão em ritmo lento no Rio Grande do Norte. De acordo com dados da Secretaria de Saúde Pública (Sesap), cerca de 8,9% do público-alvo em todo o território potiguar (o que corresponde a um número de 274.273) foi alcançado. A fase atual da vacinação visa a faixa etária entre 9 e 14 anos.


Em Natal, as unidades básicas de saúde apresentam números reduzidos. Na UBS São José, uma com as maiores demandas na capital potiguar, a procura foi tímida por parte da população desde a chegada da vacina. Nos últimos 15 dias, 41 adolescentes foram imunizados. Durante a manhã desta segunda-feira, nenhuma dose da vacina foi aplicada.

De acordo com a infectologista Marise Reis, os números iniciais da cobertura vacinal preocupam. Ela apontou que o número abaixo pode representar uma quantidade maior de adolescentes, meninos e meninas, infectadas com o vírus, colocando a médio e longo prazo, as vidas delas em risco. O vírus pode demorar entre 10 e 20 anos para se manifestar. Ainda assim, seus efeitos podem ser catastróficos.

“Ter uma cobertura de apenas 8,9% é muito pouco, e isso significa que precisamos investir para estimular a população. Eu acredito que as pessoas ainda não enxergam o que é essa ameaça. O HPV é um vírus que causa o câncer de colo de útero nas mulheres e pode causar o câncer de pênis e de garganta nos homens. Para os sorotipos que possuem mais riscos, os tumores irão aparecer”, afirmou. Marise pontuou que a utilização da dose única facilita o processo de procura e adesão da população, pela praticidade.

Há fatores que influenciam na fraca cobertura vacinal apresentada até aqui. Para a infectologista, o tabu envolto na finalidade da vacina, que é proteger adolescentes de doenças sexualmente transmissíveis, afastam pais mais “conservadores”. A falta alertas publicitários e informativos também passam pelo números atuais. “Por ser um vacina que combate um vírus de transmissão sexual, pode ficar, no imaginário popular, que a vacinação deva ocorrer apenas quando o indivíduo estiver sexualmente ativo, e pai nenhum vai querer que seu filho adolescente esteja. Mas o objetivo da vacina nesta faixa etária o de proteger qualquer pessoa em seu primeiro contato sexual. O que se quer é que ela esteja protegida antes da sua primeira relação”.

Últimas Notícias
Notícias Relacionadas