Deputados afirmam que governo do RN ignorou alertas e agora transfere impacto da crise

Redação Tribuna do Norte 17h00
Deputados estaduais põem orçamento de 2026 sob suspeita| Foto: Eduardo Maia

O entendimento na bancada de oposição na Assembleia Legislativa é de que o Orçamento do Estado deste ano foi elaborado sobre a perspectiva do PT para a campanha eleitoral de 2026, puxada por uma eventual candidatura da governadora Fátima Bezerra ao Senado Federal.


Presidente da Comissão de Finanças e Fiscalização (CFF) da Assembleia, o deputado estadual Luiz Eduardo (PL) comunga com essa “atitude do Governo precisa ser fiscalizada pela Assembleia”.


“Em 2025 Fátima e o grupo dela mandaram um orçamento para 2026 com promessas de uma vida melhor para o Estado.


Naquela época ela pretendia ser candidata ao Senado e tinha a expectativa de eleger um governador tampão para terminar seu mandato de governadora: alguém do PT para esconder os problemas da gestão”.


Mas, segundo Luiz Eduardo, o projeto político do PT “não deu certo, ela teve que ficar no governo e o orçamento agora está nas mãos da própria Fátima para ser executado”.


“Então, é no mínimo estranho que ela esteja contingenciando um orçamento que ela propôs meses atrás”, explicou Luiz Eduardo.

Falsas promessas


Como presidente da CFF, ano passado, durante a elaboração da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, o deputado estadual Coronel Azevedo (PL) disse que “alertamos sobre este possível cenário” de crise fiscal do Estado: “Quando Fátima Bezerra mandou o orçamento deste ano para ser aprovado na Assembleia, ela estava com a mentalidade de candidata à senadora”.


O deputado Coronel Azevedo afirmou que “o plano estava todo organizado na cabeça dela: criar um orçamento cheio de promessas de prosperidade e esperança, e deixar a frustração cair nas costas de outro”.


Na avaliação de Azevedo, “quando as promessas não fossem cumpridas, ela não estaria mais no governo, estaria como candidata ao Senado, e iria colocar a culpa no acaso, dizendo que ela tinha, sim, deixado a previsão orçamentária e que alguém ou algo não estaria executando o que ela prometeu”.


Porém, segundo Azevedo, “ocorreu a tragédia, o feitiço se virou contra ela. Sem conseguir viabilizar a candidatura ao senado (porque a rejeição estava alicerçada nos 60%) e o PT sem conseguir eleger um fantoche para o mandato tampão, Fátima teve que ficar no Governo e o orçamento fictício caiu feito uma bomba no colo de quem o criou”.


Já o deputado estadual Gustavo Carvalho (PL) disse que esse contingenciamento de mais de R$ 306 milhões “é, na prática, a confissão oficial de que o Estado do Rio Grande do Norte perdeu o controle das suas contas”.

Peça contábil


“O que estamos vendo é a consequência direta de uma gestão que, há anos, ignora alertas, aumenta despesas, incha a máquina pública e não promove as reformas estruturais que o Estado precisa”, prosseguiu Gustavo Carvalho.


Gustavo Carvalho alertou que o Rio Grande do Norte “precisa de responsabilidade fiscal de verdade: cortar desperdícios, enxugar a máquina e priorizar o que realmente importa — saúde, educação e segurança. Do jeito que está, o Estado segue no caminho do colapso financeiro”.


Na análise da deputada estadual Cristiane Dantas (PSDB), o Executivo por ocasião do debate na Casa, o governo “colocou um orçamento superestimado exatamente para fazer essas reduções. A receita de 2026 é maior que a de 2025, porém no orçamento era bem maior que o que poderia ser executado”.


Cristiane Dantas lembra que “em anos anteriores faziam o orçamento com déficit, aí quando se mostrava maior não podiam reduzir. Nada mais que conta contábil”.


O deputado Nelter Queiroz (PP) considera que “está faltando competência e determinação” à governadora Fátima Bezerra “para administrar o Estado, ela gasta muito numas coisas e ora gasta menos em outras coisas”.


Nelter Queiroz avalia, ainda, que a exemplo de governos anteriores, faltou à Fátima Bezerra “não abriu diálogo sólido com todos os deputados e não tem uma base sólida na Assembleia para aprovar um orçamento enxuto e evitar esse aumento de déficit financeiro, que acontece todo ano”.


Líder do governo na Assembleia, o deputado estadual Francisco do PT absteve-se de falar sobre o contingenciamento dos recursos, porque ainda “não tinha informações mais detalhadas sobre o tema”.

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