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Katz diz que fala de Lula é uma cusparada nos judeus

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O ministro das Relações Exteriores israelense, Israel Katz, cobrou na terça-feira, 20, um pedido de desculpas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por comparar a guerra em Gaza ao Holocausto. A declaração abriu uma crise diplomática, mas o petista não dá sinais de que pretende se retratar.


Katz disse nas redes sociais que a comparação de Lula é uma vergonha para o Brasil e uma cusparada no rosto dos judeus brasileiros. O ministro afirmou ainda que não é tarde para aprender História e pedir desculpas e reforçou que o presidente brasileiro continuará sendo persona non-grata em Israel até que se retrate.

“É necessário lembrar ao senhor o que Hitler fez?” questionou Katz detalhar o extermínio de judeus pela Alemanha Nazista na 2ª Guerra. “Levou milhões de pessoas para guetos, roubou suas propriedades, as usou como trabalhadores forçados e depois, com brutalidade sem fim, começou a assassiná-las sistematicamente. Primeiro com tiros, depois com gás. Uma indústria de extermínio de judeus, de forma ordeira e cruel”, lembrou.

Ainda nas palavras do ministro, Israel agora entrou numa guerra defensiva contra os novos nazistas que assassinaram qualquer judeu que viam pela frente.

Declaração de Lula foi no domingo (18) em coletiva na Etiópia – Etiópia.

 Foto: Ricardo Stuckert / PR

“Não importava para eles se eram idosos, bebês, deficientes. Eles assassinaram uma garota em uma cadeira de rodas. Eles sequestraram bebês. Se não tivéssemos um exército, eles teriam assassinado mais dezenas de milhares”, disse em referência ao ataque terrorista do Hamas, que matou 1,2 mil pessoas e desencadeou a guerra em Gaza. Do lado palestino, o conflito já deixou mais de 29 mil mortos, segundo o ministério da Saúde local, que é controlado pelo Hamas.

Desde os atentados de 7 de outubro, o presidente repudiou os ataques do Hamas e condenou a resposta israelense, que chamou, mais de uma vez, de genocídio. Agora, no entanto, cruzou o que Tel-Aviv chamou de linha vermelha ao comparar o conflito com o Holocausto.

“O que está acontecendo em Gaza não aconteceu em nenhum outro momento histórico, só quando Hitler resolveu matar os judeus”, disse Lula em entrevista no domingo, 18, em Adis Abeba, Etiópia. Para Lula, o conflito “não é uma guerra entre soldados e soldados, é uma guerra entre um Exército altamente preparado e mulheres e crianças”, afirmou. “Não é uma guerra, é um genocídio”, completou o presidente brasileiro.

A comparação da atuação militar de Israel ao Holocausto, quando 6 milhões de judeus foram exterminados pelos nazistas, é considerada um tipo de antissemitismo, por tentar equiparar as vítimas a seus algozes.

Israel reagiu de imediato, declarou Lula como ‘persona non-grata’ e convocou o embaixador de Brasília em Tel-Aviv, Frederico Meyer para uma reprimenda pública no Memorial do Holocausto. A quebra do protocolo irritou o governo brasileiro, que chamou o próprio embaixador de volta – o que, na linguagem diplomática, é considerado uma medida excepcional de descontentamento. E que, segundo analistas, pode anteceder o rompimento de relações.

Mesmo diante da crise, o petista não dá sinais de recuo.

Israel afirma que presidente nega o Holocausto

A conta oficial de Israel em uma rede social chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de negador do Holocausto judeu nesta terça-feira (20). Em resposta a uma postagem de outra conta que perguntava o que vem à mente quando se pensa no Brasil, o Estado de Israel publicou a seguinte pergunta: “Antes ou depois de @LulaOficial ir em cheio como negacionista do Holocausto?” A postagem se refere à recente declaração do presidente brasileiro que comparou a ação do exército de Israel contra o grupo terrorista Hamas ao Holocausto dos judeus pela Alemanha nazista.


Após as declarações, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, criticou o presidente e descreveu suas palavras como vergonhosas e graves. Lula passou a ser considerado “persona non grata” em Israel até se desculpar pelo comentário. Isso quer dizer que o presidente brasileiro não é bem-vindo em Israel até se retratar.

Após uma reunião com diversos membros do governo no Palácio da Alvorada, Lula decidiu chamar de volta na segunda-feira (19) o embaixador do Brasil em Tel Aviv, Frederico Meyer, para consultas. Ainda na segunda-feira, O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, convocou o embaixador de Israel no Brasil, Daniel Zonshine, para um encontro.

ELOGIO
O grupo terrorista Hamas agradeceu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva comparar as ações de Israel na Faixa de Gaza ao Holocausto cometido pelos nazistas. O agradecimento foi postado em canais do Hamas em uma rede social. “Nós, no Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), apreciamos a declaração feita pelo Presidente brasileiro Lula da Silva, que descreveu aquilo a que o nosso povo palestino na Faixa de Gaza está sujeito como um Holocausto, e que as ações dos sionistas hoje em Gaza são o mesmo que o nazista Hitler fez aos judeus durante a Segunda Guerra Mundial”, publicou o grupo.

HAIA
O deputado Rodolfo Nogueira (PL-MS) apresentará denúncia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Tribunal Penal Internacional de Haia. Trata-se de mais um instrumento da oposição no Congresso, que busca desgastar o presidente pelo seu discurso na cúpula da União Africana, onde comparou a ofensiva do governo de Israel na Faixa de Gaza ao Holocausto. “É inadmissível e irresponsável comparar situações incomparáveis, especialmente considerando o direito de Israel de se proteger”, disse.

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