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UFRN pesquisa as causas de problemas cognitivos pós-covid

Lapsos de memória, falta de concentração, confusão mental Esses são alguns sintomas cognitivos apontados por pessoas que foram acometidas pela covid-19 e que agora são alvo de uma pesquisa que está sendo realizada na Faculdade de Farmácia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Para tanto, estão sendo recrutados voluntários que foram acometidos pela covid e que se recuperaram totalmente da infecção em 14 dias, sem apresentar sintomas pós-doença.


A pesquisadora Jéssica Nayara Araújo, que integra a equipe da pesquisa, explica que a intenção é entender se existem fatores genéticos ou imunológicos que influenciam nessa predisposição. “Após a covid-19, uma parcela significativa da população começou a apresentar queixas cognitivas com relação a problemas de memória, problemas de concentração, confusão mental. Então, nosso estudo quer entender o que há por trás disso, desse fato, já que outras pessoas se recuperam bem e não apresentam nada pós-covid”, explica.


A pesquisa começou com o recrutamento de voluntários desde o mês de setembro do ano passado e agora está finalizando essa primeira etapa. O grupo precisa de pessoas que se recuperaram da covid-19 e não apresentam mais nenhuma queixa em relação a seqüelas cognitivas. Isso porque a pesquisa vai analisar dois grupos. Um é de pessoas que apresentaram esses sintomas e o outro é de pessoas que se recuperaram totalmente. “Só que nesse grupo de pessoas que se recuperaram bem, a gente tem menos pessoas que se inscreveram para participar do estudo. Então, a gente ainda está precisando, principalmente dessas pessoas, para conseguir finalizar o nosso recrutamento”, conta Jéssica Araújo.

No mínimo 15 pessoas ainda são necessárias para completar o grupo de voluntários. O recrutamento ocorre até final deste mês de maio, podendo se estender até o início de junho. Primeiro, os interessados devem completar um formulário online onde estão descritas as diferentes etapas da pesquisa e informar alguns dados básicos, inclusive o contato. Isso porque, posteriormente, a equipe vai entrar em contato para agendar uma entrevista por videochamada.

Passada essa primeira etapa, se a pessoa atender aos critérios de inclusão da pesquisa, fizer a entrevista, haverá um segundo contato para agendar um momento presencial que pode ser na Faculdade de Farmácia ou na Maternidade Escola Januário Cicco, ambas no bairro de Petrópolis, zona Lesta de Natal. É preciso ter disponibilidade para ambas as etapas.

“Nessa etapa presencial, a pessoa faz uma coleta de sangue, preenche um questionário de saúde em que a gente pega os dados biodemográficos, sociodemográficos também, relacionados aos dados de infecção sobre a covid, comorbidades. Ela também passa por uma avaliação psicológica na qual são utilizadas algumas ferramentas para investigar um possível comprometimento com relação à memória, atenção ou funções executivas”, explica a pesquisadora.

Segundo ela, esse estudo é um grande mapeamento relacionado aos sintomas cognitivos de ex-pacientes covid, uma vez que não se sabe ainda quais mecanismos estão por trás disso. “Estudos como esses são importantes para revelar quais fatores estariam influenciando e indicar possíveis alvos para pesquisar quais pessoas estariam mais suscetíveis e desenhar um protocolo de intervenção. Não vai sair um tratamento desse estudo diretamente, mas vai fornecer informações importantes para estudos futuros delinearem possíveis intervenções”, esclarece Jéssica Araújo.

A expectativa é obter os primeiros resultados até o final de 2024 para começar a desenhar as publicações para a comunidade científica. Mas, antes, é necessário concluir o recrutamento dos voluntários. Para participar, o interessado deve acessar o formulário (QR Code). A divulgação também é feita pelo perfil no Instagram @projetolongcovid.

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