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Memória olfativa é capaz de influenciar o humor e despertar emoções profundas; entenda

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Tádzio França
Repórter

O olfato é tido como um dos sentidos mais poderosos do ser humano, e está intimamente ligado às emoções e à memória. Diversas sensações físicas têm efeitos na experiência mental, e aquelas causadas pelos cheiros são estudadas há tempos pela ciência. A chamada memória olfativa é capaz de influenciar o humor e despertar emoções profundas, servindo de base para tratamentos como a aromaterapia, e influenciando a indústria da perfumaria, que busca as melhores combinações para atrair seu público. Há uma ‘psicologia no cheiro’ que faz parte do cotidiano e influencia mais do que se pensa.


O cheiro é uma sensação física que pode, de fato, mediar experiências mentais. Segundo a psicóloga e aromaterapeuta Magali Fernandes, os cheiros entram em contato com o sistema límbico do cérebro, local onde se controla as respostas emocionais do organismo. “É um processo que pode afetar positivamente a saúde mental, sendo capaz de reduzir estados de ansiedade e depressão, favorecer o bem estar e aumentar a autoestima das pessoas”, afirma.


Quando algo é cheirado, as moléculas do cheiro entram no nariz e ativam pequenos pelos chamados cílios, que enviam mensagens ao cérebro. Uma parte do cérebro que recebe essas mensagens é o sistema límbico, conhecido como o centro do prazer. O córtex cerebral está conectado ao sistema límbico e à amígdala, onde as emoções nascem e as memórias emocionais são armazenadas.


Devido ao sistema límbico, responsável por uma série de impulsos básicos (como fome, medo e atração sexual), o olfato tem um impacto grande nas emoções e memórias humanas, criando o que é chamado de memória olfativa. “É comprovado que os aromas produzem reações no nosso subconsciente, ativando o sistema límbico, que produz emoções de bem estar, lembranças e moderações no nosso humor”, ressalta a psicóloga.


Segundo Magali, é a conexão psicológica entre cheiros e sentidos, que pode validar os aromas como terapia. “Cada fragrância tem a sua propriedade característica, contribuindo não só para expandir o olfato, como também para aliviar a alma e melhorar a concentração e o bem estar”, diz, ressaltando que servem como autorreguladores das emoções, contribuindo para a saúde física e mental como um todo, reduzindo a ansiedade e depressão e ampliando a consciência do indivíduo.

Terapia de fragrâncias
As fragrâncias podem ser usadas de forma consciente para influenciar positivamente o bem-estar e a forma como as pessoas se relacionam com o mundo ao redor. A terapeuta floral Beth Ferreira ressalta nesse contexto as propriedades da aromaterapia, prática integrativa que funciona a partir de estímulos olfativos e, como resposta a esses estímulos, faz o cérebro emitir alertas para o corpo reagir. Dessa forma, fragrâncias específicas podem ser utilizadas para provocar determinados comportamentos nos pacientes.


A resposta olfativa é sempre algo bastante pessoal, determinando quais cheiros podem funcionar ou não para determinada pessoa. Segundo Beth, a preferência por determinados perfumes e fragrâncias está relacionada com registros e vivências pessoais. “São cheiros que trouxeram alegria, satisfação, boas recordações ou não. Normalmente aquelas essências ou aromas mais ‘difíceis’ estão relacionados com registros negativos que temos armazenados e muitas vezes isso é inconsciente”, explica.


No caso da aromaterapia, que utiliza o aroma e as partículas liberadas pelos óleos essenciais para estimular diferentes partes do cérebro, suas propriedades podem ser utilizadas em tratamentos para depressão, ansiedade, e até insônia. Beth exemplifica com essências que costumam deixar as pessoas mais felizes, com o “astral” mais elevado.

Magali Fernandes: Há conexão psicológica entre cheiros e sentidos – Foto: Cedida


“Normalmente os aromas cítricos, verdes, trazem leveza, bem-estar, despertam alegria, por conterem em sua composição uma grande quantidade de limoleno, pertencente à classe dos terpenos que, além dos efeitos já pesquisados, têm uma ação direta ligada ao nosso bem-estar emocional, despertando alegria, ânimo, elevando nosso astral e uma sensação de leveza e alegria”, diz.


Já em quadros de ansiedade, Beth indica essências de alecrim, laranja doce, lavanda e limão. Outras essências podem despertar a libido e criar uma experiência mais sensual, como pimenta negra, ylang ylang, jasmin, rosas, laranja doce, e patchouly. Já aquelas com propriedades antidepressivas são bergamota, gerânio bourbon, laranja doce, manjericão, e petitgrain.


É certo que a indústria do perfume assimila várias dessas essências em seus produtos, mas Beth Ferreira faz suas ressalvas. “É importante registrar que muitas essências utilizadas em perfumes famosos não levam em sua composição essências naturais, oriundas dos óleos essenciais que têm sua ação terapêutica comprovada por serem naturais e obtidas através do processo de destilação. O aroma sempre é muito prazeroso, mas necessariamente não oferece benefícios”, afirma.

História
Os egípcios antigos usavam perfumes em rituais religiosos. Eles acreditavam que, queimando madeira, incenso e resinas, podiam se aproximar de Deus. A palavra ‘perfume’ tem sua origem na palavra latina ‘per fumum’, que significa “através da fumaça”. Ao longo da história, os perfumes sempre estiveram ligados à espiritualidade e à sedução. O olfato atua como uma espécie de alarme, alertando para perigos, como o cheiro de fumaça, ou indicando quando algo não cheira bem, como um sinal de desconforto.


Certos cheiros podem despertar emoções como alegria, atração, empolgação ou relaxamento. A psicologia do cheiro, portanto, desempenha um papel significativo no cotidiano, incluindo o uso de perfumes, que também pode afetar o comportamento das pessoas na convivência social. A terapeuta floral Beth Ferreira acrescenta que a memória olfativa também se confunde com a memória afetiva. “As informações aromáticas se relacionam com alguns aromas cujo registro estão armazenado em nosso cérebro. Essas memórias nos fazem lembrar da casa da avó, cheiro gostoso de férias, de um bolo feito por nossa mãe, entre outras”, conclui.

Perfumes e Emoções

Energizante:
perfumes com notas cítricas, como limão e laranja, e notas herbais, como menta e eucalipto, têm o poder de elevar o ânimo e criar uma sensação de felicidade e energia.

Relaxante:
fragrâncias com notas de lavanda e camomila têm propriedades relaxantes que podem reduzir o estresse e promover a tranquilidade. Assim como bergamota, lemon grass, e laranja doce.

Sensualidade:
fragrâncias com notas de jasmim, âmbar, chocolate, baunilha e patchouli são frequentemente associadas à sedução e ao romance.

Alegria e bem-estar:
os aromas cítricos, verdes trazem leveza, bem-estar e despertam alegria, por conterem em sua composição uma grande quantidade de limoleno.

Contra ansiedade:
Alecrim, laranja doce, a lavanda, limão.

Antidepressivos:
bergamota, gerânio bourbon, laranja doce, manjericão, e petitgrain.

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