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Após um ano do início das gravações, artista lança novo álbum

Nascida em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, Isa Graça foi adotada ainda pequena e cresceu em Natal, no Rio Grande do Norte. Aos 13 ganhou de um de seus tios o primeiro violão e encontrou na música uma companhia para os momentos de solidão. Passou a colocar em prática o que aprendeu do instrumento na banda espírita do grupo religioso que sua família frequentava. Escreveu então suas primeiras composições, que são reproduzidas até os dias de hoje pelo grupo religioso.


Do sagrado ao profano, em 2017 fundou junto com mais quatro amigas, a banda demonia, banda de punk rock feminista que a levou ao estúdio Costella, em São Paulo, para gravar o EP “Achei Que Era Homem Mas É Só o Satanás”, lançado pelo selo paulista Flecha Discos em 2019. Ao mesmo tempo fez parte da ARDU, banda de chillwave tropical baseada em Natal, lançando o álbum “Solto ou Guia da Cidade Invisível”, em 2018.

Com o objetivo de mostrar a si mesma para o mundo em direção a uma jornada pessoal afrodiaspórica, adotou o nome artístico de Gracinha. Em atuação desde 2022, a cantora e compositora traz agora a público seu disco de estreia, chamado Corpo Celeste. O álbum foi gravado ao longo de 2023 no âmbito do projeto Incubadora Dosol, do Selo Dosol, de Natal/RN, com produção de Ian Medeiros (que além de artista solo, foi baterista de projetos como Mahmed, Kung Fu Johnny, Mulungu, entre outros). Com sessões de gravação divididas entre o Estúdio Cantilena, capitaneado pelo produtor Ian, e o Estúdio Pergolado, do guitarrista e produtor João Victor Lima (cujo nome artístico é VZL Swami), o disco começou a ser produzido em maio de 2023 e chega ao público um ano depois, em maio de 2024.

Mais especificamente no dia 23 de maio de 2024. O álbum estará disponível em todas as plataformas de streaming a partir desta data. O título do disco remete a uma imagem desenvolvida por Gracinha de um corpo celeste que vaga no espaço “sem rumo e sem significado, pois vaga só na imensidão”, mas também emite “ondas magnéticas que ecoam ao infinito e ressoam muito além da sua própria existência. Sua história não é única.

Existem inúmeras, inúmeras imensidões. Que brilham no escuro, vagam por aí, celebradas milhões de anos após sua aparição”. Os corpos celestes podem ser planetas, estrelas, asteroides, meteoritos: formam conjuntos entre as galáxias e constelações, mas podem restar sozinhos na imensidão do tecido espacial. É sobre esses corpos celestes, brilhando solitários (mas habitando em comunidade com os outros astros), que Gracinha se detém e deles extrai uma associação com sua própria experiência enquanto mulher negra e lésbica. No contraponto entre solidão e presença.

Essa reflexão e essa imagem-modelo permeiam todo o disco; todas as composições, segundo a própria Gracinha, partem de um lugar meu como mulher negra e lésbica e minha relação com a solidão e o preterimento. Sinto que a vida toda eu andei de mãos dadas com esses sentimentos, e transformar isso em música foi a forma que encontrei pra me ajudar na cura das dores causadas por esses estados”. Esse processo de cura é escudado pela presença dos amigos que fazem parte do projeto, desde os músicos que compõem a banda (Rodolfo Almeida (Mahmed, Fukai, Sample Hate, Ian The Kid) no baixo, guitarras e backing vocals, João Victor Lima (Vzl Swami, ARDU, Um2, Talude) nas guitarras, Mateus Tinoco (Potyguara Bardo, Disconexa) nos samples e sintetizadores e Pedro Lucas Bezerra (Seigan, Ciro e a Cidade) na bateria), até aqueles que produzem, fotografam, assinam as artes, participam e participaram ativamente do processo de produção.

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