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Hérnia de disco foi a principal causa de afastamento do trabalho no Brasil em 2023

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Tádzio França
Repórter

Desconfortável e dolorosa quando seus sintomas aparecem, a hérnia de disco é uma lesão que pode provocar limitações em diversos níveis. Essa condição, comum na região lombar e cervical, foi a principal causa de afastamento do trabalho no Brasil em 2023. Dados do Ministério da Previdência Social (MPS) apontam que 51,4 mil trabalhadores tiveram a incapacidade temporária declarada em decorrência do problema. O fato alerta sobre a importância de ser mais responsável com a própria saúde, rever alguns hábitos cotidianos, e melhorar a postura – em vários sentidos – diante de um problema frequente.


A hérnia de disco acontece quando a estrutura que atua como um “amortecedor” entre as vértebras sai do lugar habitual. O deslocamento do disco pode comprimir os nervos da coluna e causar dor. Entre essas vértebras estão os discos intervertebrais, estruturas em formato de anel, formadas por tecido cartilaginoso e elástico. Com o tempo, esses discos vão se desgastando e facilitando a formação de hérnias, ou seja, parte deles sai da posição normal e comprime as raízes nervosas que emergem da coluna.

Fisioterapeuta Walkyria Fernandes afirma que o afastamento do trabalho por hérnia de disco é reflexo da falta de um tratamento adequado para essa lesão – Foto: Divulgação


Para a fisioterapeuta Walkyria Fernandes, Ph.D em Ciências da Reabilitação, a hérnia de disco ter afastado tanta gente do trabalho no ano passado, é o reflexo de como algumas pessoas não recebem o tratamento adequado para essa lesão, fazendo com que aumente o nível de intensidade de dor e incapacidade.


Além do desgaste natural da coluna ao longo do tempo, outros fatores podem acentuar a hérnia de disco, como má postura, falta de exercício físico, falta de movimento, e levantamento inadequado de peso. Entre seus sintomas estão: dor intensa na coluna; dor que irradia para algum membro (braço, mão, perna, pé, etc); formigamentos; cãibras; perda de força; sensação de travamento, e diminuição da força muscular
Walkyria ressalta que a lesão lombar possui vários fatores que podem acarretar seu aparecimento, entre eles, a genética, sedentarismo, tabagismo, má qualidade do sono, e níveis elevados de estresse. A fisioterapeuta destaca que, em um estudo científico realizado junto a três mil pessoas que fizeram ressonância magnética na coluna lombar, constatou que 30% delas na faixa de 20 anos já tinham degeneração discal, e que 96% na faixa de 90 anos tinham o mesmo problema.


“Esse estudo constatou ser bem provável que muitos de nós desenvolveremos hérnia de disco de acordo com o processo de envelhecimento, mas que ter esse problema não significa que você terá dor. Não existe uma relação causal, sendo assim, as pessoas que têm hérnia de disco e têm dor, possuem vários outros fatores causadores da dor. A hérnia pode nem ser a principal responsável pela dor”, explica a fisioterapeuta. A condição pode causar dor de intensidade leve, moderada ou tão forte que chega a ser incapacitante.


O aumento da longevidade também possui uma relação natural com o crescimento de casos em hérnia de disco. Quanto mais se vive, consequentemente há o maior desgaste da coluna e suas estruturas, ocorrendo com maior frequência os problemas na região. O ressecamento e desidratação do disco intervertebral propicia o aparecimento de rupturas no anel fibroso que segura a parte interna do disco, assim ocorrendo seu extravasamento e com isso a hérnia de disco.


A prevenção contra a hérnia de disco, segundo Walkyria Fernandes, tem muito a ver com autocuidado e responsabilidade. “Inclui sono, exercícios, alimentação e estresse. Na verdade, a prevenção vem da promoção da saúde, cuidar da nossa saúde física e mental antes de detectar um problema”, diz. Os exercícios mais indicados são: caminhadas, natação, pilates, yoga, e academia – com restrição a alguns exercícios de impacto que podem sobrecarregar os discos. Em casos de má postura crônica, requer fisioterapeuta para acompanhar.

Cirurgia
Apenas 5% dos casos de hérnia de disco precisam de procedimento cirúrgico. A cirurgia só se faz necessária quando não houver resposta ao tratamento clínico, “Em 95% das vezes, deve-se receber tratamento conservador, que seria tomar o medicamento prescrito pelo médico e procurar uma fisioterapia de qualidade”, afirma Walkyria. Ela explica que os sinais clássicos para se pensar em cirurgia são: dor intensa por mais de 6 meses, mesmo realizando o tratamento clínico; alteração da sensibilidade, e perda de força de alguns músculos. Nesses casos deve ser correlacionado os sintomas com o exame de imagem.


“O médico irá prescrever um medicamento de acordo com o caso do paciente”, diz. O tratamento conservador inclui a fisioterapia, que envolve um fisioterapeuta com raciocínio clínico avançado, capaz de fazer uma avaliação completa e um tratamento assertivo e personalizado, não apenas um protocolo. “Lembrando que o tratamento da fisioterapia envolve tanto terapia manual quanto exercícios específicos para cada paciente”, ressalta.


Após a cirurgia, o paciente deve seguir as orientações do médico especialista em coluna, realizando sessões regulares de fisioterapia, a fim de recuperar a força muscular e ter melhores posturas para que não haja uma sobrecarga desnecessária sobre os discos intervertebrais, favorecendo o desgaste prematuro ou deslocamento destas estruturas.

Lombar
A dor na lombar foi a segunda causa de afastamento do trabalho no Brasil em 2023, com 46,9 mil trabalhadores distanciados. Apesar de ter alguma similaridade com a hérnia de disco, são tratamentos diferentes, enfatiza a fisioterapeuta. “Os tratamentos da dor lombar e o da hérnia de disco sintomática não são exatamente os mesmos, porque um costuma ter compressão neural e o outro não, mas em grande parte terá muitos componentes similares”, diz.


Segundo Walkyria Fernandes, os sintomas da hérnia de disco lombar (em quem tem dor) costumam ser também uma dor lombar. “Então existirão técnicas e exercícios que poderão ser utilizados nos dois tratamentos, mas nunca podemos esquecer que cada paciente deve ser avaliado e tratado de forma personalizada”, conclui.

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