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Idoso é 11 vezes mais propenso a desenvolver câncer

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Tádzio França
Repórter

O câncer é uma doença que exige postura preventiva constante para ser enfrentada. E essa prevenção deve se tornar maior à medida em que a idade avança. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), quem tem mais de 60 anos é 11 vezes mais propenso a desenvolver uma doença cancerígena do que pessoas com idade inferior. A Comissão de Oncogeriatria da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) declarou que 56% dos casos de doenças oncológicas no mundo são diagnosticadas em idosos. Maus hábitos e maior longevidade estão entre as causas desse cenário, que pede atenção redobrada.


Os cânceres representam uma incidência de mais de 700 mil casos novos por ano no país, e este índice está em crescimento. Segundo a oncologista Danielli Matias, os fatores que podem estar relacionados aos casos da doença na população idosa são: o aumento da expectativa de vida do brasileiro, que hoje está por volta dos 75 anos, e também o excesso de contato com fatores cancerígenos conhecidos ao longo da vida, como tabagismo, obesidade e infecções virais.

Após ter vivido por décadas no sedentarismo, com alimentação não saudável, e em práticas como fumo e bebidas alcoólicas, com o passar da idade aumentam as chances do surgimento do câncer. Esse acúmulo de hábitos pouco saudáveis também se relacionam ao câncer de pele em idosos. “Em relação à nossa região Nordeste, o câncer de pele é uma preocupação ainda maior em idosos, pois quanto maior o tempo de exposição ao sol sem proteção, maiores as chances de desenvolvimento de uma neoplasia na derme”, ressalta Danielli.

Além do câncer de pele, outros tumores possuem bastante incidência no público mais velho, segundo uma estatística baseada na prevalência em escala mundial. São os cânceres de próstata, mama, pulmão, intestino (colorretal) e colo de útero. Ainda de acordo com a comissão de oncogeriatria da SBGG, cerca de 70% de todas as mortes provocadas por câncer atingem pessoas acima dos 60 anos.

A oncologista ressalta que o próprio processo de envelhecer favorece o aparecimento do câncer. “Mais de 50% dos casos de câncer são diagnosticados em idosos, porque os controles de divisão celular e imunológicos também envelhecem e vão se tornando mais lentos e menos eficazes”, explica.

O câncer de pulmão é o tipo de tumor mais comum em todo mundo, com 2,5 milhões de diagnósticos. Entre 60 e 85 anos, ele segue como o mais incidente, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Já no Brasil, segundo o Inca, esse tumor é o terceiro de maior prevalência em homens (18.020 casos novos) e o quarto em mulheres (14.540 casos).

No caso do câncer de mama, segundo o Inca, a idade é um fator importante de risco para esse tumor: cerca de quatro em cada cinco casos são diagnosticados após os 50 anos. Segundo o Observatório Global do Câncer, é o segundo tipo mais prevalente no mundo (11,6%), e entre pessoas de 60 a 85 anos, trata-se do quarto tumor mais incidente.

O câncer de próstata é considerado um câncer da terceira idade: 75% dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos, conforme o Inca. Atualmente, é o tipo de tumor que mais atinge homens no Brasil, atrás apenas do câncer de pele não melanoma.

O câncer de intestino é o segundo mais incidente entre os 60 e 85 anos, atrás apenas do câncer de pulmão. Pode demorar a provocar sintomas e, por isso, costuma ser descoberto em estágio avançado. Entre os sinais estão sangramento nas fezes, além de emagrecimento, embora esse não seja o sintoma mais comum.

Danielli Matias ressalta que apesar de alguns tumores acometerem mais a população idosa, isso não impede o diagnóstico em pacientes mais jovens, principalmente se relacionado a fatores hereditários. “Não existe idade limite para o diagnóstico de câncer, pode acontecer em jovens e crianças, porém a faixa etária acima dos 50 anos requer mais atenção por estar relacionada a uma maior incidência”, diz.

A oncologista também esclarece que as chances de cura não são menores pelo fato do paciente ser idoso. “Isso é diretamente relacionado ao momento do diagnóstico, já que quanto mais precoce, maiores as chances de cura. Porém, o organismo idoso pode tolerar menos os tratamentos caso estes sejam mais agressivos, trazendo maiores toxicidades ao organismo mais debilitado pela idade”, afirma.

Para se precaver, é necessário rever as estratégias de diagnóstico e tratamento para os tumores mais frequentes, segundo Danielli. “Não pode esquecer da prevenção, seja com a vacinação contra HPV e hepatite, atividade física para combater a obesidade, campanhas antitabagismo, além do filtro solar. Os exames periódicos para o diagnóstico precoce como a mamografia, o preventivo, a colonoscopia e a tomografia de tórax de baixa dose fazem parte da busca do diagnóstico precoce. A população precisa incorporar o checkup oncológico, assim como existe o cardiológico e o ginecológico em sua rotina”, conclui.

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