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Onda cinematográfica

Yuno Silva – Repórter

O Rio Grande do Norte despertou para o cinema, mas ainda cochila em termos de articulação. Pelo menos essa é a impressão que se tem diante do concorrido calendário de festivais que acontecem este fim de ano: em pouco mais de três semanas, 24 dias para ser mais exato, quatro eventos disputam a atenção dos potiguares. Cada um deles possui perfil próprio, são complementares, e de certa forma coroam a boa fase que o audiovisual do Estado vem experimentando há cerca de três anos – um período fértil notabilizado pela realização de cursos e oficinas de formação, aumento no número de pessoas envolvidas, acesso facilitado a tecnologia e  lançamento de filmes interessantes.
Em menos de um mês, cinco festivais dividem as atenções do público do Estado: Cine Natal, Goiamum Audiovisual, Festnatal, Mostra de São Miguel do Gostoso e Festival de Baía Formosa
Os incentivos públicos ainda são suficientes para o tamanho do potencial, mas os sinais positivos começam a surgir como o edital Cine Natal (Prefeitura/Funcarte) e eventos independentes. A iniciativa selecionou três roteiros inéditos de ficção para serem rodados com verba municipal; promoveu seminário com palestras, leitura de roteiros, oficina de cinema e debates; e investiu em dois festivais: no 7º Goiamum Audiovisual (25 a 29/11) e no 26º FestNatal (9 a 15/12). Ainda entram no circuito a 1ª Mostra de Cinema de Gostoso, sediada entre  22 e 26/11 em São Miguel do Gostoso ao Norte de Natal, com patrocínio do Governo do Estado, Cosern e Lei Câmara Cascudo; e o 4º Festival Internacional de Cinema de Baía Formosa (30/11) no litoral Sul, com recursos privados.

Se no campo das produções, apesar dos pesares, as coisas começam a se desenrolar, os festivais tropeçam na falta de uma agenda melhor distribuída, fator que diminui a capacidade de todos quanto ao aproveitamento. Na verdade, se houver um maior entendimento entre esses quatro eventos de 2014 em diante, no sentido de consolidar um calendário coeso, essa proximidade pode até ser um diferencial benéfico que criaria uma onda cinematográfica com capacidade para projetar nacionalmente o RN.

Pensando nisso, o Goiamum Audiovisual abre espaço na programação nesta quinta-feira (28), às 15h, para uma conversa com organizadores dos oito festivais e/ou mostras atualmente em atividade: além dos quatro já citados, também foram convidados representantes do Curta Mossoró, Seda Natal, Em Cena, Cine CCSA e Cine Pium. Gestores das fundações Capitania das Artes e José Augusto, Sesc-RN e Banco do Nordeste (BNB) também receberam convites para participar do encontro no IFRN-Cidade Alta, sede do Goiamum.

“Queremos que os festivais se conheçam, apresentem seus perfis, entrem na discussão sobre políticas públicas para o segmento audiovisual e, principalmente, tentem definir um calendário anual para melhor aproveitamento dos realizadores e do próprio público”, disse Keila Sena, diretora do Goiamum.

A reportagem do VIVER conversou com Eugenio Puppo da Mostra de Gostoso, e com Valério Andrade do FestNatal, reforçando o convite. Ambos garantiram que estarão presentes. “Estarei lá, esse intercâmbio é nosso futuro”, avaliou Valério; “Como é na quinta-feira vai dar certo pra mim”, disse Eugenio, que na quarta (hoje) estará envolvido na ‘desprodução’ da Mostra.
Barreira tecnológica

O FestNatal, apesar de ser o mais longevo entre seus pares, ainda não fechou sua programação por completo. Crítico de cinema e idealizador do Festival de Cinema de Natal, um dos mais antigos da região Nordeste, Valério Andrade justifica que o atraso se deve a uma série de fatores de ordem, sobretudo, burocrática. “Não podíamos nos movimentar antes de ter os recursos garantidos”, informou. “Temos pouquíssimo tempo para organizar, há limitações no orçamento, então vamos fazer um festival dentro do possível e não o ideal”, adiantou Andrade, lembrando que ano passado o FestNatal não foi realizado por falta de apoio e patrocínio. “Precisamos voltar a figurar no calendário nacional”.

Com prazo curto para organizar as mostras Competitiva (ficção) e Vidas na Tela (documentário), Andrade topou na dificuldade de encontrar um local adequado para as sessões de cinema. “Não contava com o fator surpresa no Moviecom, que desmontou as salas digitais para substituição e nova atualização dos equipamentos. Agora estamos à procura de um novo local para as exibições”.

Até o momento quatro filmes já estão confirmados: na mostra competitiva a comédia “Vendo ou Alugo”, com Marieta Severo e Marcos Palmeira no elenco cuja estreia ocorreu em agosto deste ano; e o drama histórico inédito “Anita e Garibaldi”, com Ana Paula Arósio e Gabriel Braga Nunes, previsto para entrar no circuito dia 6 de dezembro – ou três dias antes do FestNatal. Já no Vidas na Tela, “Combinando a Malandragem”, do diretor Silvio Coutinho; e “A Alma da Gente”, de Helena Solberg e David Meyer. “Alguns filmes não foram confirmados por que o Moviecom só tinha disponível em 35 mm”, informou o produtor.

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