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sábado, 15 de junho, 2024

Um salão internacional de artes visuais na Pinacoteca

Yuno Silva
Repórter

O Palácio Potengi, antiga sede do governo estadual no centro de Natal e onde hoje funciona a Pinacoteca do Estado, é o endereço certo para curiosos, iniciados, apreciadores e interessados em artes visuais. O cardápio é variado e apresenta desde objetos populares, como os cataventos lúdicos do mestre artesão Zé de China, de Major Sales; até a arte surrealista do designer suíço H. R. Giger, criador do visual do filme “Alien, o 8º passageiro”. Ao todo, durante o período da Copa do Mundo, as galerias do museu abrigam nove exposições (oito inéditas) com horário de visitação estendido neste nês de junho: de segunda a sexta as portas ficam abertas das 8h às 18h e aos sábado e domingos das 9h às 17h.
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Mas antes de planejar sua visita e seguir rumo a Cidade Alta, considere-se avisado de ir com calma e tempo de sobra para apreciar tudo o que há para ser visto. A reportagem do VIVER esteve ontem pela manhã por lá e comprovou a assertiva de Mathieu Duvignaudo, atual diretor da Pinacoteca: “Há tempos esse lugar não via tanto movimento”, disse o francês. E ele tem razão, muito provavelmente o edifício de traços neoclássicos – cuja construção foi concluída em 1873 – não era tão bem freqüentado desde a década de 1980 quando ainda servia como sede do poder executivo.
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Falando nisso, a governadora Rosalba Ciarlini já anunciou que irá despachar alguns dias no Palácio Potengi, local bem mais charmoso (e histórico) que o Centro Administrativo em Lagoa Nova, para receber embaixadores de países de seleções com jogos agendados na Arena das Dunas – até o momento estão confirmadas as presenças da princesa do Japão e do vice-presidente dos Estados Unidos.

Guerra e Amor
Pegando esse gancho “internacional”, logo nas duas primeiras galerias do lado esquerdo estão em cartaz a exposição temática “E Natal ganhou a Guerra”, com objetos, fotos, munição, uniformes, documentos e exemplares da revista Life (EUA) da década de 1940 alusivos a participação de Natal na 2ª Guerra Mundial. Ainda faz parte da exposição, que reúne parte do acervo do colecionador e empresário Augusto Maranhão, um caminhão militar de 1942 em perfeito estado de conservação (e que ainda funciona) estacionado no pátio da Pinacoteca.

Na galeria vizinha a coletiva “A Arte da Copa”, com obras de artistas brasileiros, italianos, mexicanos e japoneses. A exposição ocupa o mesmo espaço da mostra Espaço Cultura, parceria do Ministério da Cultura com a Fifa, que ontem estava em processo de montagem e logo irá apresentar fotos, vídeos e instalações interativas sobre a Copa. “Essa exposição ia ser montada na área da Fan Fest, na Praia do Forte, mas acharam melhor contar com a estrutura da Pinacoteca”, disse Mathieu. Para completar o ambiente cosmopolita o pintor italiano Fabio Massimo Caruso trabalhava na produção de telas para uma futura exposição também na Pinacoteca em uma ação promovida pela embaixada da Itália no Brasil.

Ainda no térreo o visitante confere a instalação “Mais amor por amor” de Civone Medeiros; “Caju para todos” que celebra os 40 anos de carreira do artista plástico Vatenor de Oliveira; e “Sertão Potiguar” com quadros de Wagner Di Oliveira, primeiro lugar na categoria pintura do 3º Salão Nordeste de Arte Popular Chico Santeiro.

Após circular pelas galerias alcance o pátio interno do museu, onde os cataventos do mestre artesão Zé de China, de Major Sales, colorem o olhar ao sabor do vento com obras que movimentam cenas do cotidiano nordestino como o pilar do milho, o carroceiro e o trio de forró. 

Alien e Palatnik
No andar superior da Pinacoteca presença da exposição “Da arte fantástica ao surrealismo” composta por litogravuras, estudos e reproduções de desenhos do artista suíço H. R. Giger que concebeu o visual para o filme “Alien, o 8º passageiro”, de Ridley Scott; além de obras de Bruno Weber e Boulanger. O visitante ainda terá a oportunidade de conhecer os cinco novos trabalhos de Abraham Palatnik incorporados ao acervo, além das obras de Palatnik e gravuras de Tarsila do Amaral que já faziam parte do acervo do museu.

Entre os trabalhos de Giger, destaque para a mesa de tampo holográfico com cadeiras ‘extraterrestres’, luminária e poltrona estilizadas mais obras em três dimensões. O acesso à sala principal é vetado para menores de 16 anos por conter telas com temática sexual explícita. Duas placas em baixo relevo, com grafismos também criados por Giger vistos no filme “Duna”, do diretor David Lynch, servem como suporte para quem quer levar uma lembrança do trabalho do artista suíço H. R. Giger (1940-2014): basta escolher o detalhe a ser decalcado e transferir a textura para o papel com auxílio de carvão.

Outras preciosidades da exposição são um livro de Weber com capa de cimento e o livro “Necronomicon”, que inspirou  Alien, que teve tiragem de apenas 350 exemplares numerados – o que está exposto em Natal é o número 3 da edição única lançada em 1977.

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