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Campeão Geral

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O América está a uma partida de ser campeão geral, como na linguagem do torcedor “dar o liso” no campeonato estadual. A última vez em que isso aconteceu faz 42 anos. O time de 1982 simplesmente estraçalhou os adversários. Foi uma das campanhas mais brilhantes da história do Castelão (Machadão).

Entrosado desde o tricampeonato do ano anterior, o América do técnico Caiçara ganhou os três turnos, sempre com o Alecrim nos calcanhares. O ABC era um pouquinho menos ruim do que é hoje, mas seus dirigentes sempre eram enganados por empresários picaretas. O ABC montou nada menos que três times e não conseguiu formar um.
O América tinha provavelmente o melhor goleiro da história do Rio Grande do Norte: Rafael, revelado pelo Internacional (RS) e com passagem pelo Flamengo (RJ). Felino, Rafael conseguiu parar todos os ataques e criou uma jogada mortal. Batia o tiro de meta direto ao centroavante Silva – a estrela da companhia. Aos dribles, em velocidade, Silva apenas matava o goleiro.
Antes do campeonato estadual, o América conquistara a Taça Cidade do Natal, espécie de aperitivo para o campeonato principal. Se o time fora péssimo no Campeonato Brasileiro, não tinha concorrência em casa.
O Alecrim ensaiara uma reação, mas perdeu o seu centroavante, craque, chamado Jonas. Ao tentar passar por uma porta de vidro, bateu de frente e um pedaço pontiagudo atingiu seu tornozelo, encerrando-lhe a carreira.
O ABC não compreendia seu complexo de inferioridade. Começou o campeonato com um time de juniores e Alberi, aos 37 de idade de estrela. Os meninos perderam a vez numa goleada sofrida para o Atlético Potiguar por 3×0. O América ganhava tudo, fosse em Natal, fosse no interior.
Aos poucos, o ABC foi inchando seu elenco e facilitando para o América, que trouxe apenas a dupla de ataque: o excepcional meia Ailton e o artilheiro Silva do Botafogo(RJ), melhor centroavante a atuar em gramados do Rio Grande do Norte.
O América venceu o primeiro turno nos pênaltis e o segundo com a bola rolando. O ABC havia contratado Marinho Apolônio, meia ponta-de-lança revelado pelo próprio América e dono de um futebol encantador.
Era um goleador nato e um habilidoso capaz de levar plateias ao delírio. Com toda a má fase alvinegra, Marinho Apolônio terminaria o campeonato de 1982 como artilheiro, 16 gols, dois a mais que Silva.
Outra vantagem no América era o clima tranquilo.Enquanto em preto e branco as nuvens eram escuras, com dirigentes se acusando e intranquilizando o plantel, no velho campo de General Everardo(Capim Macio), os jogadores cumpriam um ritual zen, prontos para conquistar o título inédito.
A experiência do treinador foi importante. Caiçara juntou as cobras criadas e imprimiu um jogo agradável, cadenciado, falso lento, porque a partir da intermediária, Ailton se encarregava de criar os lances ofensivos que Curió, Silva e Severinho transformavam em gol.
O ABC esperneava. Muitas vezes endurecia o clássico-rei com o América e tomava sapatadas do Alecrim como no dia no dia 1º de agosto, quando 26 mil pessoas deixaram a Vila Olímpica inaugurada para cair no choro no Castelão, perdendo, de virada, por 2×1.
O terceiro turno conferiu alguma emoção porque América e ABC jogaram a fase semifinal e empataram duas vezes. Enquanto os americanos exultavam, os abecedistas tremiam nas bases, mas conseguiram segurar o empate por 2×2 para perder nos pênaltis.
Restava quase pouco ao América, bastava tocar a bola com o Alecrim numa noite sossegada de 1º de dezembro de 1982. O América partiu para cima, encurralou o Verdão, mas não conseguiu o tetracampeonato invicto ganhando o último jogo, encerrado em 0x0.
Os torcedores invadiram o gramado e saudaram o lateral-direito Ivã Silva, àquela altura atuando de zagueiro-central, que se despedia após nove anos de serviços prestados ao clube.

PS. Time-base: Rafael; Saraiva, Ivã Silva, Lúcio Sabiá e Vassil; Baltazar, Gilson Lopes e Ailton; Curió, Silva e Severinho. Técnico: Caiçara.

Torcida A torcida do América terá disponíveis 3.400 ingressos no Estádio Barretão, cujos portões estarão abertos às 18 horas. É um jogo que requer segurança máxima.

Consultivo O América tem de novo Conselho Consultivo, formado por ex-presidentes para dar opiniões ao atual, Hermano Morais.

Desastre O pesquisador Ricardo Couto me envia dados irrespondíveis: o desempenho do ABC este ano é de 23 jogos, com 7 vitórias, 13 empates e 8 derrotas. Façam suas avaliações.

Pernas de pau O ABC contratou 38 jogadores em 2024 e não se aproveita nenhum dos contratados. Trinta e quatro boleiros entraram em campo.

Em campo Yuri Ferraz e Ruan atuaram 22 vezes. Daniel Cruz, atacante, conseguiu ser artilheiro do time com a extraordinária marca de seis gols. Wallyson fez cinco, Diego Jardel, quatro, o gringo Parraguez marcou três vezes e Douglas Skilo, também balançou as redes três vezes. É uma marca de time mediano.

Bons nomes O lateral-direito Alessandro Maranhão e o meia Walber, ambos do Potiguar(Mossoró), jogariam facilmente no ABC.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

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