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Apatia Cultural

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Na gaveta dos papéis desarrumados encontro uma carta do poeta e jornalista Dailor Varela (1945/2012), datada de maio de 1974, quando ele já vivia por São Paulo esticando o tempo pelos jornais de lá:

Woden amigo:
Depois de vários acontecimentos, resolvi não participar mais de nenhuma manifestação de cultura, que por acaso, aconteça no RGN. Já escrevi muita crítica, fiz muita conferência, tudo na base da amizade e da colaboração. Mas, daqui pra frente, a única coisa que me interessa é denunciar a apatia cultural em que se encontra o RGN, entregue as traças. Sem ajuda do Governo Estadual e Municipal, a cultura norte-rio-grandense está sendo sufocada, acossada.


Escolhi sua coluna para publicar esta denúncia (que será também feita oportunamente através de VEJA e da revista de cultura VOZES) por motivos óbvios. Sua coluna é uma das raras fontes de notícias, publicadas nos jornais de Natal, que não tem compromissos palacianos.
Um abraço amigo, Dailor. ”


Segue a denúncia de Dailor, com o título “Folclore & Vanguarda”:
“ O RGN só existe aqui em São Paulo & Rio, em termos de cultura, através, principalmente, de duas manifestações cultura: vanguarda & folclore. É fácil explicar porque: o nosso folclore é um dos mais ricos do Nordeste e é interpretado “in loco” por Mestre Cascudo. A nossa vanguarda, através do poema/processo e dos quadrinhos, é hoje assunto de debate na Universidade de São Paulo (USP) e na Universidade Fluminense, em Niterói, onde poemas/processos de autores norte-rio-grandenses têm servido de teses universitárias nas escolas de comunicação.


Por isso, caberia perguntar ao Governador Cortez: por que justamente essas manifestações (a vanguarda & o folclore) são completamente esquecidas pelo seu Governo? Na terra de Câmara Cascudo, segundo me consta, não existe mais folclore nas ruas, os grupos folclóricos estão sumindo à falta de verbas e de motivação. A Emproturn existe para quê??? Porque não segue o exemplo da Secretaria de Turismo da Bahia que está enchendo São Paulo de belíssimos posters com figuras folclóricas de Salvador?


As figuras do folclore, Governador, isso nós temos, tão bonitas & populares quanto os baianos. Está faltando só divulgação, ação. Resultado: os paulistas, cariocas não sabem que existe (?) bumba-meu-boi, pastoril, coco-de-roda, bambelô, em Natal & motivados pela ampla e bem-feita campanha dos baianos, ficam mesmo em Salvador, de onde voltam, obviamente, encantados. E, trazendo material de pesquisa de folclore. É uma vergonha, que nós, natalense, temos que engolir, calados.


Outro dia, o jornal “Opinião” me pediu um depoimento sobre o folclore do RGN & e eu tive que traçar esse triste perfil, infelizmente. Sem querer jogar confetes em cima da Secretaria de Turismo de Salvador (o que é bem feito deve ser divulgado): a Secretaria mandou a São Paulo um dos seus funcionários só para acompanhar a gravação do ARARA AZUL, de Caetano Veloso. Isso, gente, é eficiência, preocupação com os valores da terra.
Enquanto isso, o escritório da Emproturn, em São Paulo, não dispõe de nenhum material didático, livros de Cascudo, sobre nosso folclore. Outro dia, um grupo de universitários da USP ficou perplexo, quando, procurando o escritório paulista da Emproturn, para uma pesquisa sobre Cascudo, não encontrou nada sobre o Mestre. Isso é RGN, minha gente!


Se o Governo não cuida do folclore, que poderia levar turistas a Natal, imagine da vanguarda. Os poetas de vanguarda de Natal, podem expor seus poemas no “Instituto de Artes” (Nice, França), no “Instituto Torquato de Tella” (Buenos Aires), “CAYC” (Buenos Aires), “Escola Superior de Desenho Industrial” (RIO), mas continuam com seus livros mofando nas gráficas oficiais.


Moral da História: sem ajuda do Governo nossa cultura vai de mal à pior. Está falindo. (DAILOR VARELA).

Livro Janeiro findando com boa notícia: A Escribas Editora está lançando (pré-lançamento com pré-venda) três livros de poemas: “Diário Íntimo da Palavra”, de Nei Leandro de Castro; “Minha Amásia Paranormal”, de Carlito Cavalcante e Paula Vanina; e “Poemas Para o Absurdo”, de Candice Azevedo. Vai até 29 de fevereiro.
É bom lembrar que a editora está comemorando seus vinte anos de atividades. Ótimos escribas.

Buraqueira O ano de 2023 se foi, janeiro findou, e fevereiro vai repetindo a mesma cena que já se arrasta por mais de 3 anos: a buraqueira nas ditas “estradas” estaduais do Rio Grande do Norte. É uma tortura viajar por estas buraqueiras. Imagine quando o inverno engrossar. O DER permanece mudo e mouco.

Eleição 2024, um ano de eleição. Eleições municipais: prefeito e vereador. A capital incluída nesse roteiro “cívico” que vai excitando os analistas políticos da dita imprensa daqui e de fora. Muita especulação, muita arrumação. Quando terminar o carnaval, a fantasia será outra.

Turismo Deu na coluna de Ancelmo Gois, de O Globo:O Estado do Rio de Janeiro recebeu 1.192.814 turistas internacionais em 2023 e recuperou o patamar de 2019 (pré-pandemia), quando estiveram aqui 1.252.267 visitantes estrangeiros. Quem lidera o ranking são os argentinos, com 30% das chegadas (397.763), seguidos pelos chilenos (215.409); e norte-americanos (142.600). A França aparece em quarta posição, é o país europeu que mais enviou turistas ao RJ: 55.100. ”

Bandagália Está no livro de Rafael Duarte, “Bandagália, O Reinado da Irreverência”, que conta a história do famoso e querido bloco carnavalesco, esta de Alex Nascimento, gaulês nascido no Alecrim:
“Todo mundo comia todo mundo. Não tinha maldade, era tudo natural. O que vão fazer numa festa 20 homens e 20 mulheres escutando rock? Foi um movimento que nasceu na espontaneidade de pessoas que se gostavam muito. ”

Dona Nini Faleceu quinta-feira, dia primeiro de fevereiro, em São Paulo do Potengi, a senhora Maria Nini de Araújo Souto, Dona Nini, ex-prefeita do município e uma das lideranças políticas mais importantes da região, também vereadora e ex-presidente da Câmara Municipal. Mãe do atual prefeito Pacelli Souto. Educadora, Dona Nini pertencia à Academia Potengiense de Letras e Artes.

*Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

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